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	<title>O Grito do Inimigo</title>
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	<description>Um canto escuro e perdido onde algumas idéias safadas se apresentam...</description>
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		<title>Dia 17 você tem compromisso.</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Mar 2012 16:58:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>eduardo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/03/girl.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1271" title="girl" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/03/girl.jpg" alt="" width="498" height="353" /></a></p>
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		<title>Soulfly em Goiânia &#8211; Max Cavalera em Goiânia (pelos olhos úmidos de um professor)</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Feb 2012 16:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>eduardo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dizem que quem tem padrinho não morre pagão. Pois quem escolhe bons padrinhos para seus filhos não morre sem compadre ou sem um bom correspondente para o blog. Então eu não ia para o show do Soulfly, pois entre ir a um show de uma banda que eu conheço pouco e ficar em casa fazendo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1265" title="hjvlu" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/02/hjvlu-167x300.jpg" alt="" width="167" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Dizem que quem tem padrinho não morre pagão. Pois quem escolhe bons padrinhos para seus filhos não morre sem compadre ou sem um bom correspondente para o blog. Então eu não ia para o show do Soulfly, pois entre ir a um show de uma banda que eu conheço pouco e ficar em casa fazendo piquenique japonês no quintal com minha mulher e meus filhos&#8230; bom, a escolha foi fácil. Mas precisava saber o que aconteceu e coloquei a missão nas mãos hábeis e ágeis de Guga Valente, meu bom irmão, compadre, guitarrista do Sangue Seco e professor (como ele vai deixar bem claro no texto). Ele foi, viu e venceu a emoção e a pouca expectativa. Enfim, olha aí o que aconteceu, pelos olhos úmidos do nosso professor. Com vocês, Guga Valente (esse menino da foto aí da Jú Maia)&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Há braços!</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">A importância de Max Cavalera para o metal mundial não é algo que se discute. Houve um momento em que Jonathan Davis, do Korn, perguntado se acreditava em deus, disse que sim e que ele se chamava Max Cavalera. O excelente site <a href="file:///C:/Users/Mirna/Downloads/wiplash.net">Wiplash</a> chamou-o Villa Lobos do metal. Meu brother Rainer Sousa (<a href="http://www.twitter.com/rainersousa">@rainersousa</a>) descreveu-o no Twitter como “marmota albina jamaicana”, mas que “ainda canta muito”. Enfim, não existia pra mim a opção de não ir ao show do homem, ainda mais aqui em Goiânia, onde pouco acontecem shows dessa magnitude. O último, acho, foi o Megadeth no mesmo Sol Music Hall, onde se apresentou parte da família Cavalera. Digo parte porque, além do Max, tocou na bateria seu filho Zyon, hoje com 18 anos. Percebe-se que a idade está avançando na sua cara quando você se lembra de fotos desse rapaz ainda bebê, com uma suposta tatuagem de dragão no braço com o pai. Também participaram o Iggor (filho mais novo de Max) e Ritchie, que suspeito ser enteado de Max. Definitivamente não era o de “Menina veneno”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/02/Soulfly-e.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1263" title="Soulfly e" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/02/Soulfly-e.jpg" alt="" width="758" height="568" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Max com Iggor, seu filho, à esquerda parecendo o Eminem e Ritchie à direita, parecendo um Hanson</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Não tinha grandes expectativas com esse show. Esperava uma apresentação boa, com algumas músicas do Sepultura e muitas do Soulfly. À boca miúda, corria que seria 50-50 e também que seriam duas horas de show. Nem uma coisa, nem outra. Foram 1:40h de show e mais Soulfly que Sepultura, o que, digamos, faz muito sentido. Nos vídeos que eu assisti do Max no YouTube, vi um guitarrista que usava a guitarra mais como um colar, daqueles de tribo que ele geralmente usa, do que propriamente como uma guitarra. Além dos dentes faltantes (uma sensação indescritível de decadência droguística) e do excesso de peso em pouquíssimo tempo, uma tal síndrome de Bell o atacou agora que ele chegou de uma tour da Austrália; uma doença que paralisa metade do rosto. <span style="text-decoration: line-through;">Pelo nome, em princípio, achei que ele estava atacado por uma síndrome chicleteira, bem pior que a cara paralisada</span>. O cara está piscando um dos olhos com ajuda do dedo, só pra se ter uma ideia. Então é natural que eu esperasse um show como a fala fofa do Max antes de por uma prótese dentária. Qual não foi minha surpresa ao ver o Soulfly com um guitarrista ativo!, tocou quase todas as músicas e quando não tocou fez até sentido, porque valorizou seu poderoso vocal. A regulagem do show estava muito ruim, a guitarra de Marc Rizzo, o guitarrista capoeira, e diga-se, excelente guitarrista, estava bem mais baixa que a de Max, o que não tinha lógica alguma.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma expectativa que eu tinha e que se concretizou foi a inexperiência de palco de Zyon. Apesar de segurar bem na maioria das músicas, o menino errou feio em algumas. Ele errou “Inner self”, do Sepultura de 1989! Isso corresponde a se esbaldar de comida numa orgia com freiras pagas com dinheiro sovinado. Ou seja, sacrilégio triplamente qualificado! Aliás, o menino foi bem criado pela Yoko Ono do Sepultura, Glória. Ele só errou nas músicas do Sepultura. Demorei 16 segundos pra reconhecer “Refuse/resist” com a cagada que ele fez no começo. Não gostei do Zyon na bateria em Goiânia e do Igor Cavalera em São Paulo. Parece que a gente viu show com um reserva.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer forma, o show foi muito bom. Me diverti com as músicas antigas do Soulfy, do primeiro disco (“Bleed”, “Eye for an eye”, “No hope = no fear”, “Tribe”), com outras de outros discos, como “Back to the primitive” e com a música de trabalho “World scum” do novo disco, “Enslaved”. Mas sem dúvida, ver o vocalista original do Sepultura tocando “Arise/Dead embryonic cells”, “Roots bloody roots” foi demais. “Aí, vamos tocar agora uma velha, do ‘Morbid Visions’ (segundo disco do Sepultura) ‘Troops of doom’”. Não chorei porque estava perdendo muito líquido pulando e agitando como se eu tivesse 16, não 33 anos. Podia morrer desidratado, então poupei meus olhos. Afinal, hidratar-se com uma Devassa (a cerveja, claro) a R$ 5 é pra gente rica e eu, ao contrário, sou professor. Tomei umas oito e senti uma dor no reto por causa das notinhas de vinte voando. “Trouxe cem conto pra ficar bêbado, mas com essa cerveja de cabaré a 5 conto eu to indo de meia em meia hora pegar uma”, disse meu amigo Natal, fã inconteste de Sepultura, de Soufly, de Max Cavalera e editor de um dos melhores zines virtuais que eu frequento, o <a href="http://paranoidzine.blogspot.com/">Paranoid Zine</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente eu não pude chegar mais cedo para assistir ao Kamura (grande banda dos brothers Ícaro e Marlos Japão) e ao Claustrofobia. Esta inclusive lançou um CD recentemente, “Peste”, que é do caralho, fora um samba de sete minutos (eu disse sete minutos!!!!), que eu acho que é a faixa 4. Me disseram que os shows foram massa. Agora tem uma galerinha em Goiânia fazendo biquinho pro Kamura e dizendo que os caras não deveriam estar lá, coisa e tal. Só digo uma coisa, se fosse eu que estivesse fazendo o show, poria a banda que eu quisesse, inclusive o Sangue Seco, que é punk e tem nada a ver com esse show. Povo desocupado&#8230; vai montar banda, vai escrever resenha, vai cascar um bambu pra enfiar no toba! O Kamura merecia e muito estar lá. Não é meu estilo de som predileto, mas o povo é honesto, a banda é boa e nesse show um dos membros estava envolvido na organização do evento. Ou seja, calem-se invejosos do capeta mal falado.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/02/Soulfly-ee.png"><img class="alignleft size-full wp-image-1264" title="Soulfly ee" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/02/Soulfly-ee.png" alt="" width="118" height="88" /></a></p>
<p>(na foto Tony Campos, baixista do Soulfly, candidato a Kerry King do Slayer com essa barba, tomando uma breja honesta que não estava pra nós)</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Paguei 110 pilas pra ir a esse show. Grilei da Sangre ter soltado ingressos a 65 num site de compras coletivas depois de eu já ter adquirido o meu, mas fazer o quê, tava com medo de pagar 130 pelo terceiro lote, uma vez que eu tinha perdido o primeiro, de 80.</p>
<p style="text-align: justify;">Sei que estou com a alma lavada, com as pregas vocais destruídas de tanto urrar as músicas do Sepultura e com o corpo inteiro e ileso, afinal, estou fazendo karatê e tenho muuuuuuito vigor, como dizia o velhinho da propaganda do motel. Valeu a pena demais, iria a São Paulo hoje ver de novo, se não fosse professor e, consequentemente, miserável.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Guga Valente</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>O sol nasce para todos. A sombra só para alguns.</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Feb 2012 19:49:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[cena rock]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Sempre me incomodo com gente que reclama sem razão, mas me incomodo mais com gente que reclama por hábito, por prazer, pra ser chato mesmo. E reclamam criticando e detonando outro, como se com isso se tornassem melhores aos olhos do Criador, se Ele realmente tiver alguma culpa nisso. Estamos vivendo nas últimas semanas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/02/soul.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1258" title="soul" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/02/soul.jpg" alt="" width="685" height="960" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Sempre me incomodo com gente que reclama sem razão, mas me incomodo mais com gente que reclama por hábito, por prazer, pra ser chato mesmo. E reclamam criticando e detonando outro, como se com isso se tornassem melhores aos olhos do Criador, se Ele realmente tiver alguma culpa nisso.</p>
<p style="text-align: justify;">Estamos vivendo nas últimas semanas uma grande movimentação no meio rock independente pesado dessa terra por causa do show de amanhã do Soulfly. Quem está organizando é o selo pesado mais recente surgido por acá, o SANGRE &#8211; <a href="http://www.facebook.com/SangreRecords">http://www.facebook.com/SangreRecords</a> &#8211; e que vai rolar no Sol Music Hall. Para mim não agitou muito o sangue porque eu apreciei muito o começo do Sepultura, mas as experimentações que conduziram o surgimento do Soulfly me pegaram numa fase de ressaca de coisas novas, e os anos 90 foram meio distantes para mim. Não me apeguei ao som e não tenho afeição a tudo que rolou na época, de intrigas, brigas, rachas (ôpa!) e tumultos que levaram ao surgimento da banda. Mas não sou leviano ao ponto de negar a importância de Max Cavalera para o som extremo nacional e mundial.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabedor dessa importância entendo que a oportunidade de se abrir um evento desses é o sonho da maioria absoluta das bandas extremas do país, senão do mundo. Para muitos poder dividir o palco com Max é dividir o espaço com uma lenda, um mito que construiu uma história de pancadaria sonora onde nada existia antes. Ou quase nada, talvez o Clube da Esquina, vá lá.</p>
<p style="text-align: justify;">E nesse tumulto e rififi gerado pelo anúncio do show, logo surgiu o alimento para o baixio das bestas das mentes ocas desse ambiente: anunciaram a banda de abertura. Em um ambiente de rock independente perfeito e Poliânico, teríamos as pessoas do rock como pessoas informadas, cultas, lidas ou no mínimo agressivas, arrojadas mas com os focos direcionados aos verdadeiros vilões do roteiro. Mas no ambiente real, longe do ideal, temos muita fofoca, intriga e inveja correndo nas veias e aí surgiram comentários inúmeros sobre a banda escolhida para a abertura, o Kamura.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que a fofoca e a intriga são exercícios do inútil, porque não mudam nada. Gente que fica retuitando sua revolta realmente não vai conduzir a revolução nem ficar nos marcos históricos de coragem, ousadia e resultado. Mas irrita.</p>
<p style="text-align: justify;">Estava eu em um dos estúdios da cidade ensaiando com o SANGUE SECO quando ouvi um comentário de um sujeito até bem presente na “cena”, membro de banda bem ouvida e com tempo de estrada (ou seja, requisitos para já ter vergonha na cara e parar de molecagem), dizendo que a escolha havia sido tendenciosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Fiquei pensando, porque seria tendenciosa? Será porque um membro do Kamura, o baterista, é do selo/produtora que está trazendo o Soulfly, e que por isso teve todo um rala gigante, um risco enorme, uma responsabilidade monstra (sem duplo sentido) para realizar um evento desse porte. Então será que esse meliante, só por ter carregado esse piano inteiro se achou no direito de colocar a banda dele? Seria possível tanta maldade?</p>
<p style="text-align: justify;">Fiquei ainda refletindo. Será porque esse sujeito maldoso e cruel com todas as outras bandas da cidade se achou no direito por já ter produzido Matanza, Korzus, Krisiun, Ação Direta, Subtera, Torture Squad, Claustrofobia, Raimundos e Ratos de Porão, dentre outras menos pesadas e outras mais famosas? Será que foi só por isso, G-zuis?</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda matutando tive uma outra ideia. Talvez a banda tenha sido escolhida porque o vocalista dessa banda é um dos sujeitos mais caralhudos do rock dessa terra, porque se meteu a cantar na gringa, sem lenço ou documento, e na base do peito, da raça e do talento fez história por lá? Será que foi só por isso? E olha que já critiquei um show dele, numa outra banda, por ter achado naquele show alguns pontos de melhoria (para evitar a palavra “defeitos”) e por achar que muito ainda havia pra ser feito. Mas alguém nega ser um dos melhores vocalistas do cerrado? Sei lá, talvez o Marcelo Barra faça uns trinados melhores com seu gogó, mas ainda assim&#8230; pôxa.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas poderia ser por um outro motivo. Talvez tenha sido porque o baixista é um dos roadies e “gerentes” de palco mais rodados e competentes da terrinha. Com alguns problemas de comportamento vez por outra, uma feiúra aqui e outra ali, mas ainda assim uma figurinha que vem conquistando espaço pela competência. Sem falar que se vira bem no baixo, já tendo inclusive tocado algumas vezes com o Sangue Seco, o que não ajuda muito no currículo de ninguém, é verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Do guitarrista nem falo nada. Mas falo de uma outra hipótese, talvez a banda tenha sido escolhida porque é boa pra caralho. Talvez tudo que eu já tenha visto em YouTube me mostre uma banda criativa, pesada, competente e técnica no limite da expressão autêntica.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas pode ser que não, talvez realmente tenha sido uma escolha na base da “dedada”, tipo o que o Lula fez com o candidato a prefeito de São Paulo. Ninguém foi ouvido, ninguém foi consultado, alguém escolheu porque quis e pronto.</p>
<p style="text-align: justify;">Quer saber? Se foi assim, ainda foi muito bem escolhido. Todos os motivos apresentados acima justificam a presença do Kamura na abertura desse show. Os caras tem história, competência e suor dedicado suficientes para subir nesse palco e moer o juízo de todo mundo. Preparando a carnificina que vai rolar depois com Max e seus comparsas.</p>
<p style="text-align: justify;">Um ambiente rock que nutre fofocas. A que ponto chegamos&#8230;. tsc, tsc, tsc. Ao chateadinho que estava reclamando lá no estúdio, existe a possibilidade de ir amanhã ao show e falar mal de tudo. Porque isso também vai acontecer, muita gente vai lá, vai bater cabeça, urrar, chorar, rolar no chão, abrir roda e depois vai achar algo para detonar. Eu faria isso se fosse lá, tenho certeza.</p>
<p style="text-align: justify;">Assumo que também sou reclamão, mas reclamo tentando apontar rumos. Não questiono escolhas baseado apenas nos meus muxoxos. Se quero melhor, tento fazer. Se não consigo, engulo o choro e aprendo com a lambança.</p>
<p style="text-align: justify;">Não sou exemplo de muita coisa nesse mundo, mas nisso eu ainda posso servir de modelo.</p>
<p style="text-align: justify;">Divirtam-se amanhã, metalheads, vai ser histórico. Kamura, bom shows procês!</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Há braços!</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei</p>
<p style="text-align: justify;">eduardoinimigo@gmail.com</p>
<p style="text-align: justify;">twitter &#8211; @eduardoinimigo</p>
<p style="text-align: justify;">facebook &#8211; /eduardoinimigo</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>Grito do Inimigo &#8211; Era só uma droga de camiseta</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Feb 2012 19:21:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[gritos]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma droga de camiseta, caramba! Ninguém devia mais se importar com o que as pessoas têm escritas em suas camisas, já se foi o tempo em que as mensagens queriam mesmo dizer alguma coisa. Agora as pessoas vestem qualquer merda, sem nem saber o que vai de mensagem, na maioria das vezes. Ou então [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/02/blood-12.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1253" title="blood-12" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/02/blood-12.jpg" alt="" width="200" height="145" /></a>Era uma droga de camiseta, caramba! Ninguém devia mais se importar com o que as pessoas têm escritas em suas camisas, já se foi o tempo em que as mensagens queriam mesmo dizer alguma coisa. Agora as pessoas vestem qualquer merda, sem nem saber o que vai de mensagem, na maioria das vezes.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou então é só uma provocação babaca, coisa de adolescente. Cara, isso deve ser mesmo o fim do mundo, quando as coisas chegam nesse ponto. Uma merda de uma camiseta com uma frase provocativa dar essa bagunça toda.</p>
<p style="text-align: justify;">E foi de dia! De dia! Solzão, dia claro, estava até meio quente. Eu precisava resolver um negócio na rua, ir a um borracheiro ou coisa parecida. Não me lembro agora. Ou&#8230; não, eu ia comprar jornal. Putamerda isso aconteceu antes do almoço! Esse tipo de gente não devia estar solto na rua nessa hora! Saí pra comprar a droga do jornal pra ver alguma notícia sobre futebol, o resultado da rodada anterior. Eu sempre soube que torcer para time de futebol era coisa de gente imbecil e eu sou um dos imbecis de marca maior que ainda sofrem ou se preocupam com merda de times de futebol. E era um time de merda, que não ganha nada, foi uma droga dessas que me fez sair de casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Não escolhi nada, eu peguei a primeira camiseta que colocou a cara pra fora da gaveta. Mas também eu devo ter montes de camisetas provocativas assim, então era meio esperado, né? Mas, Putz, esse parece ser o argumento que condena a estuprada, porque usava saia assim ou decote assado. Isso é muito canalha, cara. Então não se pode vestir mais o que se acredita? Então eu preciso escolher minhas roupas de acordo com o gosto dos outros? Essa terra de merda virou território proibido, cheio de gangues, de gente que defende minorias querendo impor pensamento. Foi isso que aconteceu comigo, um grupelho de merda querendo se impor nas minhas verdades. E se eu penso mesmo o que vai escrito naquela merda de camiseta? Ou o que ia, porque ela ficou em trapos. Usaram como bandeira pra esfregar meu sangue na minha cara, marcando território, explicando para mim que o erro tinha sido todo meu.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que sangrei, sangrei muito, pôrra! Como iam conseguir fazer o que fizeram comigo sem me arrancar doses grandes de sangue, pôrra? Me castraram!! Me caparam feito um porco. Arrancaram meu pau, pôrra! Eu estou capado! Como iam fazer isso sem sangue, se me arrancaram o cacete no meio da rua, no meio do dia, numa calçada com montes de pessoas vendo. Isso é o mais maluco, tinha gente subindo e descendo na rua e ninguém fez nada pra me ajudar, cara. Aquela turma tinha olhos demoníacos, loucos. Qualquer um teria medo de se meter, claro. E eu ainda tinha a maldita camiseta pra dar motivo praquele bando de urubus.</p>
<p style="text-align: justify;">Atravessei a rua porque a banca de revistas é do outro lado, dois quarteirões depois do meu prédio. E como estava meio quente eu levantei os braços, tipo querendo voar ou coisa parecida, mas era só para refrescar um pouco. Acho que esse movimento deu a impressão de que eu estava celebrando a mensagem da camiseta ou provocando quem quer que visse o que ia escrito ali. E, honestamente, eu nem lembrava do que ia escrito na camiseta.</p>
<p style="text-align: justify;">Diabo, eu tenho um monte de camisetas assim. Tinha a do “Dois filhos da puta” sacaneando o filme dos sertanejos, tinha a do “Procurando Demo” sacaneando o filme da Pixar com os peixes laranjados, tinha frases de provocadores políticos, tinha desenhos, tinha um monte de coisas. Engraçado que antes eu achava podre camisetas com gracinhas, só usava camisetas lisas, de cor única, sem chamar detalhe ou atenção. Nem camiseta de banda eu usava. Teve um tempo que só usava camiseta de banda em que eu tocasse, nada de Led Zeppellin ou Kiss ou Ramones, nada disso. Achava boboca usar camisetas de ídolos, como se tivesse reverenciando o trabalho dos outros. Pôrra, ninguém reverenciava o meu trabalho, porque eu ia fazer isso com os outros? Mesmo que esses outros tivessem tanta influência na minha vida, eu reconheço.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nem sei quando comecei a usar essas desgraça dessas camisetas engraçadinhas. Virou mania, tinha um monte. E essa eu nem comprei, mandei fazer pra mim. Sério! Eu tenho um amigo que tem uma marca de camisetas, muitas com frases engraçadinhas, e eu encomendei pra ele essa camiseta. Só eu tinha, era exclusiva, feita por encomenda. Nem saía caro, esse amigo sempre trabalhou com uns preços bem legais, e eu queria muito a tal camiseta.</p>
<p style="text-align: justify;">A ideia nem é original. Copiei daquela camiseta famosona do Keith Richards que ele usou na época do primeiro disco solo dele, o “talk is cheap”. É esse o nome mesmo? Acho que era. E eu vi uma foto dele com aquele anelzão de caveira e essa camiseta, e ri muito pensando na ironia e na provocação. Gostei, e tempos depois tive a ideia de fazer a minha.</p>
<p style="text-align: justify;">Não sabe qual camiseta eu estou falando? Aquela preta. Tinha que ser preta, né? Então era preta e tinha escrito assim “Who the fuck is Mick Jagger?”. Eu achei sensacional na época, porque era óbvio a sacanagem da pergunta, e num momento que ele estava lançando um disco solo, sem contar com a banda nem nada. E um puta disco, né? Nunca ouviu? É bom pra caramba, muito melhor que a maioria dos Stones. Tá bom, “Exile&#8230;” é fora de lógica, e aí tem uns bons, outros ruins, mas nada de estupendo. Eu sempre gostei mais do Who, achava que era mais porrada mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">E agora eu lembro, foi isso que motivou fazer a minha camiseta. Tinha essa do Keith e essa sensação de que tudo estava virando farinha na música, tudo tinha se tornado sem graça e bonitinho demais, tava tudo muito palatável, muito preparado para ser aceito. Isso me irritava bastante, principalmente quando falava de rock. Rock não pode ser educadinho, bem comportado, rock tem que ser tipo primo sem educação que vai em festa de natal. Aquela coisa ameaçadora que a qualquer momento pode soltar um arroto no meio da ceia. Tá, às vezes nem solta o tal arroto, mas o risco, a ameaça está sempre presente. Rock é isso, ameaça. E tava tudo muito bonitinho, familiar, certinho. Eu ficava puto com isso.</p>
<p style="text-align: justify;">E aí teve a excursão desse guri. Eu confesso que não sabia bem quem era até ver as menininhas do meu prédio se ouriçando, passinhos sendo ensaiados e aquela música remelenta começar a tocar em tudo quanto é lugar. O Ozzy comentou alguma coisa sobre ele, e a ideia começou a surgir pra mim. Conversei com esse amigo e ele fez a camiseta pra mim, coisa de ir em show de rock e festa de amigo, sabe como é? Demorou um pouco pra ficar pronta porque esse amigo meu é enrolado pra diabo pra fazer as camisetas, isso quando ele lembrava de fazer, né? rsrs</p>
<p style="text-align: justify;">Mas tudo bem, a camiseta chegou e eu já tinha até usado umas duas ou três vezes. Sabe quando a camiseta já foi usada o suficiente para não estar limpa, mas ainda não está pronta para ser jogada na cesta de roupa suja? Estava ali na ponta da gaveta, esperando uma última usada, pouca coisa mesmo. A ida na banca de revistas seria suficiente para deixar a camiseta pronta pra ir pro cesto.</p>
<p style="text-align: justify;">E enquanto eu atravessava a rua com os braços pra cima eu ouvi o primeiro grito. Cara, você imagina a cena. Eu olho em volto e não identifiquei quem havia gritado, porque o grito tinha sido um rugido, grosso mesmo, maldoso e raivoso. Olhei em volta e vi uma cena normal de dia normal perto de uma banca de revistas normal. Não tinha nenhum ogro ou troll ou trasgo ali perto para soltar aquele rugido, e eu demorei a perceber que já tinha um bando delas na área. Depois eu descobri que estavam já na banca e uma delas chamou a atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Daí enquanto eu olhava para uma mulher que descia pela outra calçada, gostosa, outro grito. E aí eu vi quem tinha gritado, mas não acreditei que tinha sido comigo. A cena era engraçada, cara, juro por deus. Eu não levei a sério e fui me aproximando da banca, quando então a que tinha gritado primeiro chamou as outras. Era uma gangue, velho.</p>
<p style="text-align: justify;">Deviam ser umas vinte, todas muito parecidas, com as roupas das cores da gangue, camisetas com fotinhas e nomezinhos bonitinhos, e a que tinha gritado me falou alguma coisa. Cara, eu nunca dei trela e não ia ser ali que ia fazer isso, passei reto. Tentei passar. Elas me puxaram pela calça e quase conseguiram me fazer parar. Acho que quando juntaram umas seis me agarrando pelas pernas das calças eu diminuí o ritmo. E aí fiz a última besteira daquele dia, eu dei uma gargalhada, porque a camiseta delas era diretamente contrária a minha. E elas gritavam coisas com aquelas vozinhas finas, gesticulando os dedinhos bem pintados, as carinhas raivosas, eu me senti num filme ruim, comédia pastelão mal feita.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a coisa ficou feia, elas eram muitas, né? E vieram pra cima, já tinha um monte agarrada nas minhas calças, ficou fácil me desequilibrar e jogar no chão. E eu ainda ria quando caí no chão, porque a cena era ridícula, eu um roqueiro de mais de trinta anos, cabelos mal tratados por inúmeros shows fumacentos e poucos cuidados, um tanto sedentário é bem verdade, mas no alto dos meus quase 80 kilos eu achei que aquilo ali não era possível. Aquele bando me jogando no chão.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto eu ria, uma delas deu com a minha cabeça numa quina qualquer e ali eu vi que tinha um problema grande, tentei me levantar, mas enquanto eu fazia força numa perna, a outra era erguida do chão, e eu nunca conseguia me equilibrar o suficiente para levantar, porque logo tinha uma delas debaixo da minha mão, ou empurrando minha barriga, duas pulavam no meu umbigo, e eu estava pensando que aquilo não era possível. Mas já começava a me preocupar, afinal de contas tinha gente me esperando para o café da manhã. Reconheço que era meio tarde para o café, mas eu havia saído na noite anterior, bebido um monte e acordei tarde. E o que importa a hora que eu tomo meu café da manhã, pelamordedeus, eu estava sendo atacado no meio da rua e ninguém fazia nada pra ajudar.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez a fama de bebum que tenho no bairro não tenha ajudado. As pessoas deviam estar olhando e se divertindo com a cena, pensando talvez que eu merecesse uma surra daquelas ou talvez que eu estivesse brincando, ou ainda que eu estava bêbado e sem equilíbrio. Sei lá, gente é um bicho estranho, vizinhos então são muito estranhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Já falei da pancada na cabeça? Então, vieram outras, e me acertaram na cara com alguma coisa, uma bolsa ou algo assim. Eu tentava me defender, mas eram um monte, eu tampava um lado e vinha pancada de outro lado, eu rolava no chão e sempre tinha alguma em cima de mim e um monte embaixo. Não tinha chão pra apoiar, era tudo aquele bando.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu nem vi quando já estava praticamente sem roupas, e isso me deixou meio assustado, porque afinal de contas o que elas queriam tirando minha roupa? Eu não ia me meter numa suruba com elas, pelamordedeus. Mas elas queriam me castrar. Olha a ideia, rapaz! E foram usando o que tinham nas mãos e nas bolsinhas, alicate de unha, tesourinha sem ponta, saiu um monte de coisas daquelas bolsas. Acho até que algumas me atacaram com os dentes, isso porque depois eu vi os sorrisos cheios de sangue, balançando meu pau naquelas mãozinhas pequenas. Me caparam, cara! Me caparam à dentadas! Olha que mundo é isso, e tudo por causa de uma droga de camiseta.</p>
<p style="text-align: justify;">E daí que eram meninas de sete anos de idade, maluco? Era um monte de meninas de sete anos de idade, raivosas. Essas crianças de hoje são muito nervosas. Elas estavam com muito ódio, e até quando a ambulância chegou para me buscar, horas depois, elas ainda me cercavam xingando, falando palavras de ordem, era uma gangue, cara. Me caparam&#8230; que mundo é isso?</p>
<p style="text-align: justify;">Hein? A camiseta? Virou tiras, elas rasgaram em pedaços e esfregaram meu sangue na minha cara, já te disse. Ah, o que tinha escrito? Putz, era um troço tão idiota&#8230; baseado naquela camiseta do Keith Richards eu fiz a minha, estava escrito assim “Justin Bieber, quem é esse viado afinal de contas?”, com  o nome dele em letras maiúsculas. E elas estavam todas vestidas com camisetas com a cara do moleque, álbuns de figurinhas, capas de cds, era uma gangue, maluco, já te falei.</p>
<p style="text-align: justify;">Me caparam por causa daquela merda de camiseta&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;">Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="mailto:eduardoinimigo@gmail.com">eduardoinimigo@gmail.com</a></p>
<p>Twitter &#8211; <a href="mailto:.@eduardoinimigo">@eduardoinimigo</a></p>
<p>Facebook – <a href="http://www.facebook.com/eduardoinimigo">www.facebook.com/eduardoinimigo</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sobre um perturbado revoltadinho de internet &#8211; mais um.</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 23:26:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[gritos]]></category>

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		<description><![CDATA[Tempos atrás escrevi o texto “A pátria de ferraduras” no site da IDEA &#8211; http://www.ideiadiferente.com/?p=322 &#8211; falando da dificuldade que estamos criando com o contraditório e com quem pensa diferente. Na época mencionei Dunga, técnico da seleção brasileira naquele momento, como símbolo do fato. Alguns trechos podem apresentar melhor minha argumentação, já ditas naquele texto: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Tempos atrás escrevi o texto “A pátria de ferraduras” no site da IDEA &#8211; <a href="http://www.ideiadiferente.com/?p=322">http://www.ideiadiferente.com/?p=322</a> &#8211; falando da dificuldade que estamos criando com o contraditório e com quem pensa diferente. Na época mencionei Dunga, técnico da seleção brasileira naquele momento, como símbolo do fato. Alguns trechos podem apresentar melhor minha argumentação, já ditas naquele texto:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;"><em>Criou-se no país, de alguns anos para cá, uma atitude que nunca antes na história desse país aconteceu: a dualidade odiosa. Tornamo-nos uma raça de fanáticos, que não aceita o contraditório.</em></p>
<p style="text-align: justify;">E mais ainda:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;"><em>Mas aos fanáticos nada é tão compreensível e simples. E então a vilania se torna método, e o comportamento dualista se reflete em várias outras situações do cotidiano do país. E então qualquer crítica é vista como ameaça e declaração de guerra. Não se permite mais o contraditório, precisamos alinhar e pensar todos iguais sob pena do preconceito ao diferente.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Bom, a gente sempre alimenta uma esperança de que as coisas podem tomar rumos mais produtivos e que a humanidade ainda tem esperança. Mas realmente a capacidade humana de decepcionar é surpreendente e interminável, e eis que me encontro novamente com a prova do que de pior o ser humano pode proporcionar. Explico&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Facebook. Tens perfil por lá? É uma ferramenta ótima para mim. Faço contato com amigos, alinho projetos da banda e até mesmo tenho discussões e negociações bem interessantes com atuais e futuros clientes. Enfim, é um canal de comunicação que me serve muito bem. E tenho por hábito navegar ao menos uma vez por dia, dadas as minhas limitações de tempo, e ver o que vem sendo dito, comentado, mostrado, apresentado e compartilhado. Numa dessas achei uma discussão sobre a nova presidente da Petrobrás que me chamou a atenção, mas não por causa da tal presidente, e sim por causa de alguns termos usados por um dos debatedores.</p>
<p style="text-align: justify;">O sujeito que apresentava a matéria elogiosa à presidente da Petrobrás começou a argumentar que o outro “não sabia do que estava falando” e que era “leitor de Veja”. Foi irresistível, claro. Se me preocupo e me incomodo tanto com o nível do debate hoje em dia, esse ato de generalização sempre me chama atenção, porque mostra uma tentativa de rotular e desacreditar o adversário do debate, numa simplificação que alterna pobreza de argumentos, canalhice e patetice.</p>
<p style="text-align: justify;">E aí soltei esse comentário:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;"><em>O duro é o nível ridículo que a argumentação da antiga esquerda alcançou. São os donos da verdade e qualquer um que pense diferente é &#8220;alienado&#8221;, &#8220;desinformado&#8221; ou &#8220;leitor de Veja&#8221;. Incapazes de argumentar com contrários, só sabem conversar entre iguais. Triste, porque houve um dia em que a esquerda teve grandes pensadores, hoje possui bons papagaios que repetem o discurso ad nauseam sem se prestar a argumentar e debater. É mais fácil ridicularizar o ponto de vista do outro, é mais fácil posar de sabichão conhecedor das verdades do mundo, é mais fácil não debater. E ainda escrevem &#8220;bossais&#8221;. Falar o que, né?</em><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">O comentário sobre “bossais” foi uma crítica direta ao descuidado jeito de escrever do tal debatedor. Mal sabia eu que cutucava uma fera fanática sem controles e violenta. Eu que já fui ameaçado por gente muito mais perigosa no meu trabalho, não costumo dar muita pelota para revoltados internéticos, e não foi diferente dessa vez. Tentei responder-lhe no Facebook, mas não consegui. Daí vir aqui para um texto, isso foi um pulo.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu devia ter farejado o estilo quando vi o sujeito chamando os governos do Irã ou da Líbia de “governos autônomos” e se perdendo todo ao colocar a Colômbia ao lado desses países. Devia ter entendido o nível de paixão quando ele acendeu duas velas aos pés de José Dirceu, chamando-o “adoradíssimo”. Devia, mas preferi alimentar o embate porque me pareceu pessoa capaz de conversar e alimentar uma prosa antagônica, que sempre me diverte muito. E que algumas vezes me ensina bastante.</p>
<p style="text-align: justify;">Não sendo pouco argumentar sobre o poder e capacidade de Lula, alvo de admiração de muitos; antagonizando com Obama e Eike (!!!!) que seriam figuras odiosas e, pelo visto, comparáveis  ao nosso ex-presidente. Não vejo nível de comparação, mas o argumento do fanático não obedece a critérios racionais ou comuns, possui práticas próprias.</p>
<p style="text-align: justify;">Usando termos como “você precisa voltar pra escola” e “você não sabe de nada do que acontece” ele construiu uma rede de sandices alimentada pelos ideólogos partidários que me pareceu bem divertida. E mais ainda, achei que seria legal alimentar o debate.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegamos a bater um papo pelo MSN, mas eu tinha obrigações paternas para cuidar e precisei encerrar a conversa. E olha o nível da tontice, porque achei que a prosa tinha sido amistosa, que poderia render trocas sadias de opiniões e assumi o compromisso de voltar a conversar com ele. Minha preocupação não era o Pt, a Dilma, a presidente da Petrobrás ou o capital internacional; o que me chamava – e chama – atenção é o debate e a forma como ele se constrói atualmente no país.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, fui cuidar das minhas coisas, depois corri para o aeroporto, e fui atender meus clientes de fora de Goiânia e muitas horas depois pude novamente dar uma olhada no Facebook. Qual não foi minha surpresa? A criatura, que havia se mostrado tão cordato e gentil quando conversando exclusivamente comigo, se mostrava todo valente e fortão nas mensagens abertas do Facebook. Que coisa triste&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Com termos ridículos e coisas parecidas a criatura se dirigia a mim como se fosse o maior rival de sua vida. Eis a mensagem do bravinho, vou comentando no meio da mesma:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;"><em>Ahh apareceu, pensei que iria correr, muto bem. Primeiro que, no âmbito a amizade, tu fica de fora, porquê não me parece capaz de alcançar o que isso significa.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Isso porque ele argumentou estar debatendo antes com um amigo e que com ele tinha liberdade para falar daquela forma. Claro que isso foi dito na conversa privada entre nós dois, no que aparece aberto na web me veio com isso. Correr de que? É uma briga? Eu não sabia mesmo, achei que seria um debate, no máximo. O resto dito nem comento. É bobo, parece coisa de menino xiliquento que tomaram o brinquedo.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;"><em>Segundo, não de que meio do inferno tu saístes, porquê só pode ter sido do meio do inferno, pra vir aqui falar tanta besteira. Também não sei onde andas aprendendo essas coisas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">E olha isso, que conversa é essa de “meio do inferno”, pelamordedeusinho? A digitação é um desastre, mas isso comento daqui a pouco, essa história de tentar ofender assim já cheirava ao ridículo, mas ainda tinha mais.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;"><em>Fui dar uma olhada num texto &#8220;tão construtivo&#8221; sobre aquele tal de Carlos Nascimento, mas confesso que não consegui, é muita besteira junta. A começar pelas linhas iniciais, que aqui transcrevo: </em><br />
<em> &#8220;Honestamente? Nascimento, com uma carreira extensa no jornalismo, já teve momentos mais brilhantes.&#8221;<br />
Dizer que Carlo Nascimento é brilhante realmente não dá.</em><br />
<em> Um sujeito que é tudo, menos sério, que nunca informou, apenas confundiu, manipulou a sevço dos patrõezinhos deles.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Aqui ele se referia ao texto que fiz sobre o comentário do Carlos Nascimento no telejornal do SBT. Qualquer pessoa que não seja um analfabeto funcional consegue entender a diferença quando se diz que a pessoa “já teve momentos mais brilhantes” de chamar a pessoa de brilhante. Até esse menino nervoso já deve ter tido momentos mais brilhantes, e estou longe demais de achar que ele possa ser brilhante. Com dificuldades tão nítidas de interpretação de texto, entende-se que repetir uma cartilha do partido seja tudo que lhe resta. Se tivesse compreensão de texto ia ver que eu falei exatamente isso no meu texto, que o Nascimento não era sequer jornalista, mas um âncora que repetia o que diziam para ele repetir. Que participou de grandes armações da grande emissora quando esteve lá.</p>
<p style="text-align: justify;">Entendem o nível que chega o comportamento patológico? Em um ponto eu e o doido concordamos, mas como ele foi ler o texto já eivado de revolta, não conseguiu entender a identidade de opiniões. Como explicar algo para alguém que não quer entender? Ele quer apenas repetir a cartilha, falar mal da empresa odiada, porque pensar ou ler o texto inteiro pode lhe ser doloroso. Tem mais? Claro que tem.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;"><em>Ma enfim, o que vi ali foi você questionar se é bossal ou boçal; Não e faça rir, se apegou na pequenez da coisa, até porquê, se és tão bem informado, deveria saber que a língua não tem regras, ela é um ser vivo e mutante.</em><br />
<em> Eu queria ter tempo de fazer uma revisão nos seus textos, deve ser uma aula de gramática.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Quem me lê sabe que não sou professor de gramática, mas me esforço muito para escrever direitinho. Entendo que a língua é viva, mas foram as regras e normas que nos trouxeram até aqui, inclusive sabendo que a língua formal é a base de integração de qualquer nação. Esse dinamismo não é desculpa para escrever errado e achar que está certo. Seja homem! Se escreve de forma porca, assuma que não se preocupa com isso ou que não consegue fazer melhor, mas não me venha com discurso pronto de “não tem regras”, porque na verdade tem sim. E olhem o dado triste, em um parágrafo em que comento o nível do debate político do país, eu comento em uma linha &#8211; quatro palavras, se muito &#8211; sobre o erro de digitação. Mas foi só isso que o bestunto conseguiu ler. Ele não entendeu o texto lido, ele tem dificuldade de interpretação de texto, ele se apegou à tal &#8220;pequenez&#8221; da coisa e que realmente é pequena. Mas eu não havia dado tanto crédito assim a isso, mas para ele foi o máximo que conseguiu entender. Talvez porque  eram as últimas linhas e só isso ficou na memória de peixe dourado que parece possuir.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;"><em>E outra, lá mais uma vez vc faz críticas aos erros de português, quem é você cara pálida, pra vir aqui ser o censor da língua? Se liga mermão, o Lula fala e escreve errado e não houve, na humanidade, um ser que fizesse metade do que ele fez. Salvar da fome 14 milhões e pessoas, isso não tem parâmetro na humanidade, mas é claro, deve ser mentira né? Pelo menos o Nascimento, esse jornalista &#8220;sério&#8221;, fala que é.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Não me arvoro de censor da língua, mas não aguento algumas besteiras cometidas na web, principalmente quando vem de arrogantes que se acham tão sábios e inteligentes, em contrapartida aos que “não sabem nada” ou que somente leem Veja. Fato: o sujeito escreve mal, escreve errado, digita pessimamente e acha ruim que comentem isso. A lembrança do pseudo-analfabetismo do Lula só piora a linha de raciocínio porque isso talvez tenha sido o pior que Lula fez: justificou a falta de estudo. Reforçou uma mítica de que o estudo não interessa, que a leitura é chata, que querer aprender e saber é preconceito “elitista”. E de novo ele mostra que não entendeu o que leu sobre meu comentário a respeito do Nascimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Os argumentos dele sobre meu comentário a respeito do gosto cultural do nosso povo são até interessantes. Veja:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;"><em>Ahh, diga-se de passagem sobre o seu comentário em relação ao gosto cultural &#8220;duvidoso&#8221; da população. Aqui no Rio, o Theatro Municipal desenvolveu um projeto de Óperas e espetáculos eruditos a preços populares (R$1,00). rapaz, dava voltas no quarteirão de gente &#8220;burra, sem cultura e desinformada&#8221; O Projeto Aquárius, promovido pela (ARGHHH) Rede Goebels, sempre foi um sucesso de público. Só favelado, burro, desinformado e sem cultura. então meu amigo, das duas uma. Ou você está certo ou o Mundo, temos que decidir.</em></p>
<p style="text-align: justify;">E ele me disse isso aí pensando que me agredia, pelo visto. Achei ótimo ler isso. Mas isso não é a prova de que nosso povo está se fartando de cultura erudita ou de músicas clássicas. Isso é a exceção! O quarteirão dando voltas ou a audiência do BBB? Qual deles – por maioria numérica, para definirmos um critério – define uma raça? Quem está se iludindo? Essas iniciativas são louváveis e sensacionais (e imagino o tanto que ele sofre por uma dessas iniciativas ser da Rede Globo), mas são um pequeno início e não um costume popular. Mas, de qualquer forma, prefiro ver esses exemplos, e olha que o maluco até me mostrou coisas boas. Lendo isso fui dormir cedo porque precisava acordar também muito cedo para um treinamento, achei que a coisa estava indo para o bom rumo, quando hoje vejo isso:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;"><em>E aí ô seu Pela saco do caralho <a href="http://www.facebook.com/eduardoinimigo">Eduardo Mesquita</a>? Despareceu? Bora mermão, tu num é o macho? Tô te esperando.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o nível do debate. Infelizmente preciso entender que esse é o nível de argumentação e debate que muitos hoje em dia possuem. E são alimentados em madrassais de ódio ao contrário, ao oposto. Chega o momento em que o debate político, que alimentava rodas amistosas de cerveja e torresmo, se torna um perigo físico, uma situação de rompimento de relacionamentos, uma ceva de rancor. Gente assim alimenta ideais misógenos e rancorosos, representados por algumas imagens e piadas tão machistas quanto cafonas, que ali para seu próprio deleite, lhe são bem válidas. Quando uma amiga nossa em comum tentou argumentar com a besta-fera ideológica, eis a resposta:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;"><em>Num ferra, vem lá do meio do infernos se meter onde não é chamado e só fala merda. Botar logo é pra fora daqui, energia ruim eu quero longe de mim.</em></p>
<p style="text-align: justify;">O sujeito é perturbado, isso já é claro. O difícil é perceber que essa perturbação é alimentada por uma ideologia que se sustenta em ideólogos partidários, sites partidários, revistas partidárias e discursos panfletários partidários. Claro que vamos encontrar gente que apóia qualquer ideologia, mas acredito firmemente que a construção de um ponto de vista crítico se encontra SIM lendo Veja e CartaCapital, visitando o site do PortalVermelho e do Reinaldo Azevedo, comparando, analisando, estudando, pensando e fazendo escolhas pessoais. Estamos chegando em um momento que os homens bomba se formam, se criam e andam em meio aos civis e normais como se normais fossem. Mas qualquer comentário dispara uma reação raivosa – por várias vezes ele comenta em seu perfil que “vai reagir com violência se alguém falar” desse ou daquele assunto – que pretende até mesmo delimitar o espaço de participação. A isso chamamos censura. Então um comentário aberto no Facebook precisa de convite ou autorização para ser comentado também? Claro, se fosse algo favorável, não haveria problema, mas como foi algo contrário então foi o ato de quem quer “se meter onde não é chamado”. Típico de quem tem dificuldade de achar coerência em seus atos, porque como explicar tanta raiva contra as 150 corporações que &#8220;dominam&#8221; o mundo ao usar o Facebook? Então só a Coca e a Nestle que são demoníacas, mas o Facebook é alimentado por dinheiro socialista? Onde está a coerência de um rebelde tão conveniente assim? Claro, isso é natural para quem lê filosofia comentada e não consegue entender sequer as orelhas dos livros. Comparativamente são orelhas menores do que as do leitor citado.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenham medo, eu já disse e repito, tenham muito medo. Os que se organizam em grupos não aceitam os que não praticam tal ato. Os que alimentam-se da ideologia dominante pretendem uniformizar o pensamento ou exterminar o contraditório, e isso tem nome também: ditadura. E isso não é uma invenção de agora, sejamos claros, mas agora se encontra sendo praticada com método e estrutura.</p>
<p style="text-align: justify;">Diferente do sujeito – que propositalmente não mencionei nome ou link, prefiro não divulgar gente assim – eu não tenho cartilha ideológica. Tenho por princípio não gostar de governo nenhum, mas não escolho meus ódios pela cor da bandeira ou pelo tom da gravata. Diferente desse imbecil, não me comporto de forma tão raivosa apenas porque a pessoa pensa diferente de mim, já que aprendi a entender que a minha verdade é uma dentre um monte, e que essa minha verdade nem sempre é a melhor. Quase nunca é a dominante, mas já me acostumei a ser o sapo que ruge.</p>
<p style="text-align: justify;">Em casos doentes como desse fanático, só torço para que quando conseguir tirar as patas dianteiras do chão e consiga se firmar nas patas traseiras, mesmo assustando outros animais possa entender que com o diferente usamos de elegância, erudição, até soberba às vezes, mas sempre EDUCAÇÃO.</p>
<p style="text-align: justify;">Não, eu não corri, já que estávamos conversando na internet, diabos! Não se foge de um debate aberto, mas pode se escolher evitar descer ao mesmo nível. Se para ele sou um “pela saco do caralho”, nem sequer vou lamentar por isso, mas lamento pela incoerência de quem usa Osho em uma página, argumentando precisar remover os elementos grosseiros do ser e em outra vocifera seu ódio ao diferente. Sugestão para o perturbado, leia o texto de Osho que colocou em seu perfil e veja quão distante se encontra daquilo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, sou macho. Mas não me provo macho disputando ofensas com alguém pela internet. Já fiz isso, assumo, mas consegui entender o tanto que soava adolescente e vazio.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você espera tão ansiosamente um macho, fique à vontade, te aceito como meu diferente. Mas não me presto às tuas satisfações.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu queria um debate, você quer briga.</p>
<p style="text-align: justify;">Não estamos servindo isso hoje.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Algum dia, até essa dor vai fazer sentido&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 00:20:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[cena rock]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; Hoje fiquei triste. Estou assim. Sentir-se como ao receber uma notícia ruim? Pouca escolha tem um vivente quando ele vê que uma era se encerra, e não importa se existe uma continuidade ou não, porque algumas horas precisamos enfrentar o luto, o desconforto e seguir andando. Aceitar que acabou. Hoje o Loaded terminou. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/01/Luto1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1241" title="Luto" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/01/Luto1.jpg" alt="" width="831" height="1086" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje fiquei triste.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Sentir-se como ao receber uma notícia ruim? Pouca escolha tem um vivente quando ele vê que uma era se encerra, e não importa se existe uma continuidade ou não, porque algumas horas precisamos enfrentar o luto, o desconforto e seguir andando. Aceitar que acabou. Hoje o Loaded terminou. O anúncio formal foi feito pelo informal e indecente palmeirense Alexandre Moreira, meu amigo que gosta de usar shortinhos jeans apertados e indecentes e foi postado no site do programa. Você lê o texto bonito dele aqui: <a href="http://www.programaloaded.com.br/">http://www.programaloaded.com.br/</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Bonito texto, mas que não consegue esconder uma ponta de dor (e nem sei se tentou esconder), um gosto amargo no final do drink.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/01/loaded_menor-733699.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1237" title="loaded_menor-733699" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/01/loaded_menor-733699.jpg" alt="" width="300" height="187" /></a>Para você que ainda não entendeu do que falo aqui, estou falando do LOADED E-ZINE, o programa de web radio mais longevo e deliciosamente sacana que eu já participei na vida. É bem verdade que não participei de tantos assim, mas a trilha desenhada por esses malucos paulistas é de longe um dos melhores exemplos que o rock independente desse país pode ter atualmente. E nem sequer sei se eles sabem tocar alguma coisa, além de goles gelados para dentro de suas goelas sedentas. Penso que jamais tiveram banda, ou se tiveram, ao menos foram sensatos o suficiente para encerrar as atividades &#8211; deveriam ser terríveis fazendo música &#8211; e se dedicarem ao que poderiam fazer bem. E fizeram com altíssima octonagem e qualidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Tive a honra de ser chamado para participar desse programa de incautos quando comecei a me meter a escrever no rock independente. Eu tinha tempo, tinha muita vontade de participar, falar o que pensava e &#8211; sejamos francos &#8211; aceitava qualquer convite que aparecesse. Foi assim que aceitei o convite de gente que eu nem conhecia, mas que já ouvia e me divertia pela web. Nenhuma dificuldade técnica segurava esse combo de doidos, e logo eu já tinha recebido um microfone na minha casa, orientações, dicas e um monte de material novo para escutar. Sequer ouvi metade do que me apresentaram, já que minha dedicação nunca chegaria à metade da dedicação de um pé esquerdo deles, mas conheci muita coisa legal sendo a filial Goiana do Loaded.</p>
<p style="text-align: justify;">Pude conhecer também muita gente bacana, como Mestre Gustavo Vasquez, que mui gentilmente me gravava nas minhas primeiras participações do programa. E em intervalos corridos de almoço (eu nessa época era celetista) eu ia até o RockLab e fazia minhas intervenções serem registradas pelo mago-produtor maluco, que também topava qualquer insanidade nesse tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/01/loaded.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1238" title="loaded" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/01/loaded.jpg" alt="" width="760" height="393" /></a>Tive a honra de ouvir o SANGUE SECO em algumas oportunidades no programa, e músicas de todos os CDs que gravamos foram tocadas no programa, sempre generosamente comentadas. Tive a grata satisfação &#8211; que quero novamente ter &#8211; de receber em minha casa esses fritos e entre goles de cachaça e sabores goianos preparados com desvelo, darmos risadas eternas de tanta maluquice vista no rock desse país.</p>
<p style="text-align: justify;">O rock. Isso que nos aproximou, isso que nos identifica. Talvez não estejamos mais tão dispostos ou disponíveis como antes, talvez agora com outras responsas, contas, amados e amadas, coisas e troços em nossas vidas, o tempo para o Loaded tenha se tornado pouco. Eu sei que o meu se extinguiu e a filial Goiana foi fechada porque já não conseguia gravar os programas sequer em minha casa, e depois de ter parado de participar ficou difícil, ruim, ouvir o programa.</p>
<p style="text-align: justify;">Ouvir o Loaded depois de ter saído dele me parecia como ver uma festa do lado de lá da grade. Todos se divertindo e eu tomando chuva no meio da calçada, feito um idiota que não conseguia estar lá dentro. Saber agora que a festa está acabando não torna nada mais fácil, pelo contrário. Agora ninguém mais vai curtir essa festa, talvez as velhas fotos das festas antigas, em gravações que já são eternas, em lembranças que não se vão nessa chuva, em malandragens, pequenas mentiras, safadezas e truques que juntos inventamos para manter essa festa sempre vibrante.</p>
<p style="text-align: justify;">Não dou créditos a ninguém por esse fim. Nem correria, nem pressão, nem grana, nada disso &#8211; assim como muito elegantemente Alê fez em seu texto &#8211; pode justificar ou ser causa do que acontece. Temos que aceitar que algo acabou, mesmo sabendo que um dia tudo isso ainda vai fazer sentido. Até mesmo essa morte, morte que não tem senhores, que não celebra nem canta hinos, que não honra nem encanta a ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje fiquei sabendo que o Loaded acabou. E agora se torna ainda mais urgente o momento em que vou poder receber novamente Valter Resende &amp; Alexandre Moreira (e mais outros loaders como eu, como Luciano Carioca) na minha casa. Fazer uma outra picanha na mostarda, uma moqueca baiana caprichada, uma panelada de pequi (para eles, porque eu detesto), e entre goles de cachaça e boa cerveja gelada vamos celebrar o ritual dos que sobrevivem: vamos relembrar.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda que doa, vamos relembrar.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Aos meus amigos/irmãos LOADERS, contem comigo. Sempre. A filial goiana ainda existe.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Há braços!</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei</p>
<p style="text-align: justify;">eduardoinimigo@gmail.com</p>
<p style="text-align: justify;">twitter &#8211; @eduardoinimigo</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.facebook.com/eduardoinimigo">http://www.facebook.com/eduardoinimigo</a></p>
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		<title>O Grito do Inimigo &#8211; 99 &#8211; Contrastes</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 15:46:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[gritos]]></category>

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		<description><![CDATA[O Grito do Inimigo &#8211; 99 &#8211; Contrastes &#160; Um ronco? . Lembro como nos conhecemos, foi tudo muito interessante. E por muito tempo as pessoas comentaram o tanto que não tínhamos em comum. Eu tão isso, ele tão aquilo. Era engraçado. Ele dizia não notar diferença entre a gente, eu achava aquilo lindo. Seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/01/amor_doido_reduced.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1232" title="amor_doido_reduced" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/01/amor_doido_reduced.jpg" alt="" width="320" height="320" /></a>O Grito do Inimigo &#8211; 99 &#8211; </strong><strong>Contrastes</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Um ronco?</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembro como nos conhecemos, foi tudo muito interessante. E por muito tempo as pessoas comentaram o tanto que não tínhamos em comum. Eu tão isso, ele tão aquilo. Era engraçado. Ele dizia não notar diferença entre a gente, eu achava aquilo lindo.</p>
<p style="text-align: justify;">Seu charme era algo que me deixava tonta. Só de ver aquela cara risonha e despreocupada, eu já sentia minhas pernas bambas e uma tonteira leve tomava conta de mim, eu, uma mulher de 38 anos de idade. Pensei que não sentiria mais essas coisas depois do suposto fim da minha adolescência, mas ele me provou que eu ainda podia sentir tudo aquilo. Calor, nervosismo, até gaguejei uma vez conversando com ele. Queria muito impressionar aquele homem, queria muito mostrar pra ele que eu era uma mulher interessante, queria muito ser interessante pra ele.</p>
<p style="text-align: justify;">E eu fui. Não que ele tenha percebido isso todas as vezes. Às vezes ele não notava.</p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Um ronco. Definitivamente um ronco.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu comecei a achar que eu era a mulher que ele queria por perto, por cima, por baixo, por dentro. Alguns dias se ele me chamasse pra roubar um banco eu não teria pestanejado nem um segundo, correria para qualquer banco que ele indicasse, portando uma tesoura de unha em busca dos sacos de dinheiro que ele quisesse. Impressionante.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu que sempre tinha sido tão sensata e correta. Uma mulher dedicada à sua carreira, estudiosa ao extremo, sem vícios, sem excessos, sem sentimentalismos. Afinal de contas eu tinha que ajudar nas contas de casa desde muito nova, isso não me deixou tempo de sobra pra minha vida particular. Não fui adolescente, adolesci muito rápido à caminho da maturidade. Acho que fiquei madura cedo demais. Bem verdade que depois que eu o conheci eu desconfiei dessa minha maturidade. Ele dizia não ver que eu era madura.</p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Mexeu de lado. O ronco diminuiu.</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;">Éramos diferentes realmente. Desde o início isso era claro como o ar. Eu apaixonada em Dvorak e Bela Bartók, ele ouvia hardcore. Eu conheci esse tipo de música com ele, uma música rápida, gritada, nervosa, me deixava uma pilha. Algumas vezes eu me excitava com essa música “de doido”, outras vezes eu ficava irritada, mas nunca conseguia ouvir o tal hardcore sem sentir nada. Era muito diferente de <em>Cantata Profana </em>e <em>Concerto nº2 para piano</em>. Era nervoso, agressivo, tenso. E eu gostava daquilo. Lembro quando fomos a um show de uma banda chamada Terveet Kadet (ou algo parecido com isso, não tenho certeza) e ele se jogou no meio da multidão, todos com aqueles coturnos enormes e aquelas roupas pretas, e ele se jogava no meio da multidão, com aqueles empurrões e chutes e pancadaria, e ele se jogava no meio da multidão, com um sorriso estampado no rosto e as mãos pra cima, e ele se jogava no meio da multidão, e eu ria muito daquilo tudo. É verdade que ele não notou que eu tinha colocado um tênis e calça jeans. E eu que ficava tão diferente de jeans, mas ele não via a diferença.</p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Ele estava roncando. Não dá pra negar.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois ele me explicou tudo que acontecia naquela multidão pulante. Era uma espécie de dança, que eles chamavam de pogo. Parece que teve um rapaz inglês que morreu de overdose que inventou essa dança. E eles diziam “hardicorear”, e eu achava engraçado. Ele não me viu rindo durante o show, e eu queria que ele tivesse visto que eu tinha me divertido. Ele às vezes me perguntava o que eu achava disso ou daquilo, e eu respondia. Mas não era o que eu queria, eu queria que ele visse. Eu queria que ele visse. Eu queria que ele visse.</p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Parou de roncar.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje ele finalmente aceitou vir a um concerto de Bartók comigo. Iam apresentar <em>Contrastes</em>, um clássico inesquecível. Difícil, elaborado, superior. Apesar do que possa parecer, sobre ele ser hardcore e tudo, ele trabalhava numa empresa e usava roupas sociais regularmente, sabia dar nó em gravata, isso eu tinha visto. Ele apareceu glorioso pra nossa noite, com um terno lindíssimo (punks ficam lindos de terno, impressionante), o cabelo penteado de lado, fez o contorno da barba de forma diferente, tirou o anel da mão direita, um sapato novo, com meias da mesma cor, o perfume que ele usava em ocasiões especiais – eu sabia disso – e eu percebi pela movimentação que ele não estava usando nada por baixo das calças. Safado. Ele não viu que eu tinha cortado quinze centímetros do meu cabelo. E supremo descaso, passando a mão pelo meu corpo, não reparou que eu também não usava nenhuma roupa de baixo. Eu que tinha até me depilado diferente, feito um coração, que eu aposto que ia deixa-lo louco. Ele nem viu que eu estava sem calcinha. Meu deus, eu morrendo de medo de sair sem calcinha, e ele não percebe.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegamos a sala de concertos vinte minutos antes da hora, e havia uma exposição de Munch na ante-sala. Ele disse que tinha visto “O grito” num encarte dum disco punk. Hum, punk é cultura. Mas ele não percebeu o céu opressor daquela figura derretida em dor, ele não viu o peso do vermelho sangue em ondas correndo sobre aquela humana criatura, ele não viu Munch. E. Munch estava lá, na nossa frente e ele não viu.</p>
<p style="text-align: justify;">E dormiu durante o concerto de Bartók. Durante <em>Sonata para dois</em> ele ferrou no sono. Ao fim da peça ele roncava. Roncava. Durante um concerto de Bartók. Ainda se fosse um de Stravisnky ou Schönberg eu entenderia. Mas Bartók, que praticamente foi punk em suas atitudes, que se levantou contra o nazismo, que proibiu sua família de falar alemão por repulsa ao que acontecia na terra Hitlerista.Bartók que pediu para ter seu nome incluído numa lista de autores degenerados, por não concordar nem aceitar a censura. E ele dorme? Ronca? Ele não viu a clarineta duelando com o violino e o piano em <em>Contrastes</em>, o que foi tecido como uma peça de resistência da música verdadeira, seduzindo até mesmo Benny Goodman. Ele roncava durante <em>Contrastes</em>. Ele não viu <em>Contrastes. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/01/amor-dolorido1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1233" title="amor-dolorido1" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/01/amor-dolorido1.jpg" alt="" width="474" height="352" /></a>Saímos da sala de concerto e nos dirigimos a um lugar onde gostávamos de namorar. Um morro nos arredores da cidade onde íamos com freqüência. Tinha uma bela vista da cidade, especialmente nesse tempo chuvoso, e podíamos ver as nuvens longe, muito longe. Ele não via. Ficava só me apalpando e tentando beijar meus seios – não que eu não gostasse disso, mas tinha tanta coisa pra ver por ali. Ele não via. Com a desculpa de ficar mais à vontade, eu tirei minha saia. Ele quase enlouqueceu de tesão. Ficava me olhando, com dois olhos enormes de lobo mau, parecendo um lunático, e querendo me amar ali mesmo no carro. Sexo no carro&#8230; não fazia isso há anos. Eu não queria sexo. Queria que ele visse. Ele não reparou na depilação que eu tinha feito pra ele ver e desejar. Ele só queria penetrar. Parecia um possesso. Eu sentia que ele estava muito excitado. Era fácil perceber. Eu também estava, isso é verdade, mas não era o que eu queria. Comecei a fazer carinho no rosto dele (e ele apertando minha bunda. Que homem tarado.), beijando o rosto dele, lambendo o rosto dele (olha que dedo mais atrevido. Nunca fizeram isso comigo antes. Hummmm&#8230;), acariciando o rosto dele (como a barba dele cresce rápido!), passando de leve o dedo pelo contorno do rosto dele (definitivamente esse dedo aí é muito estranho. Talvez outro momento, agora não.), passando o dedo de leve nos lábios dele, contornando o nariz firme e bonito dele (tirou o dedo, mas não consigo esquecer daquilo), passando os dedos de leve pelo olho direito dele, a pálpebra macia, os olhos fechados de tesão, minha língua na sua orelha, meu dedo no seu olho, o movimento foi rápido.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">As minhas unhas, que eu pintara de vermelho somente pra ele (eu mesmo não gostava tanto assim, parecia coisa de mulher sévergonha), firmes e rijas, foram firmemente enfiadas acima do globo ocular do miserável. Parecia a gema cozida de um ovo, e eu arranquei seu olho direito, o olho que nunca via nada, o maldito olho que não me viu nesse tempo todo. Arranquei até o nervo sair do rosto, o globo pendurado pelo nervo, os gritos histéricos dele (homem lida muito mal com dor. Frouxos), as tentativas patéticas de se livrar do meu abraço (eu sou muito forte, sempre fui. Apertei-lhe entre meus braços. Não sai daqui enquanto eu não quiser), o berreiro ridículo que ele aprontou, o tão pouco sangue que sai (achei que ia me sujar toda), e aquele olho pendurado.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Tinha imaginado arrancar os dois, mas fiquei impressionada com o olho saltado do rosto bem barbeado. Dei-lhe um soco no peito direito, para que se acalmasse. Afinal de contas, até onde eu sei, não doía mais. Tenho uma direita poderosa. Peguei o olho na mão, ele tinha parado de gritar finalmente, eu apertei o globo e ele estourou como um balãozinho mal cheio. Como uma gema cozida. Como uma coisa que não servia pra nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca havia visto nada. Não ia ver mais nada. Ele não viu <em>Contrastes.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Contrastes!!</em></p>
<div style="text-align: justify;"><em>&nbsp;</p>
<hr size="2" />
<p></em><em> </em></p>
</div>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Inimigo do rei</em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Para quem acredita, eis o nome do novo ano: Dois Mil e OUSE!</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 12:25:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[gritos]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/01/2012.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1225" title="2012" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2012/01/2012.jpg" alt="" width="1125" height="1501" /></a></p>
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		<title>Bushcraft, SOMBRA e novas aventuras. Primeira missão.</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 11:33:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>eduardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[news]]></category>

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		<description><![CDATA[Iniciei minhas atividades de treinamento outdoor com a parceria entre IDEA (www.ideiadiferente.com) e AGREGAR (www.agregarrh.com.br) perto de seis ou sete anos atrás. Parceria essa que encorpou ainda mais com a Casa de Walker (www.casadewalker.com.br). Achei sensacional, a experiência de estar em ambiente natural, vivenciando desafios e acompanhando grupos que seriam levados ao seu limite, proporcionando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/DSC09268.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1212" title="DSC09268" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/DSC09268-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Iniciei minhas atividades de treinamento outdoor com a parceria entre IDEA (<a href="http://www.ideiadiferente.com/">www.ideiadiferente.com</a>) e AGREGAR (<a href="http://www.agregarrh.com.br/">www.agregarrh.com.br</a>) perto de seis ou sete anos atrás. Parceria essa que encorpou ainda mais com a Casa de Walker (<a href="http://www.casadewalker.com.br/">www.casadewalker.com.br</a>). Achei sensacional, a experiência de estar em ambiente natural, vivenciando desafios e acompanhando grupos que seriam levados ao seu limite, proporcionando às pessoas experiências únicas e inesquecíveis. Foram inúmeras equipes nessa atividade, momentos marcantes que tive e que me deixavam cada vez mais empolgado com a ferramenta (treinamento outdoor) e com a situação de estar no meio do mato em atividades tão diferentes do meu cotidiano.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, é isso mesmo. Porque sempre fui muito urbano, apreciador do conforto da civilização e das facilidades da tecnologia. Porém o treinamento outdoor já iniciou um movimento de transformação bem sugestivo. Ao invés de realizar treinamentos e palestras em salas com ar condicionado e pessoas cheirosas e sentadinhas, experimentar realizar a mesma atividade de treinamento e capacitação profissional em meio a mato, cachoeiras, rios e corredeiras. Foi uma descoberta.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas em pouco tempo comecei a achar que o treinamento outdoor estava atendendo somente às minhas necessidades profissionais, quanto às pessoais algo já começava a faltar. Isso porque no treinamento outdoor eu controlo as variáveis o máximo possível, sei do caminho, programo tudo que vai acontecer e o desafio fica reservado aos demais participantes. Comecei a ler, pesquisar e tentar descobrir o que fazer para atingir esse próximo grau de satisfação que a experiência em ambiente natural vinha me proporcionando.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi justamente nesse momento de inquietação que em uma conversa despretensiosa com meu cunhado, Luiz Botosso Júnior, uma ideia surgiu. Ele foi militar, sempre foi escoteiro, então tem experiência e vivência em atividades na natureza. Ele mal sabia o que eu vinha pensando e buscando, porque sempre havia me visto como o urbanoide esparramado na rede ou entalado nos teclados de computador do meu cotidiano. Pois nessa prosa algo começou a se desenhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns dias depois ele me manda um e-mail anunciando o que viria pela frente. O que queríamos fazer se chamava “bushcraft” e poderia ser traduzido de forma muito direta e rudimentar como “artes do mato” ou ainda “artes mateiras”. Envolve uma gama de atividades e técnicas e capacidades de sobrevivência, adaptação e ação sobre o meio ambiente, sobre o ambiente natural. Tudo baseado em técnicas que já fizeram parte do cotidiano normal das pessoas, mas que vem sendo gradativamente deixado de lado com o avanço da tecnologia e da aceleração de nossas vidas.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-008.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1213" title="SOMBRA 008" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-008-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a>Nos últimos tempos a Tv vem proporcionando algum contato com esse tipo de situação em programas como “À prova de tudo” e “Survivorman” que são transmitidos na Tv a cabo.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois foi ali que eu entendi: sim, é isso que eu quero.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram alguns meses de preparação, porque nesse meio tempo eu morri e voltei, precisei ficar de molho alguns meses para me recuperar adequadamente e para voltar a realizar atividades físicas mais intensas. E nesse tempo muita discussão, pesquisa e preparo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em nossas prosas agora bem animadas, eu e Júnior fomos criando um conceito. Pois a coisa se mostrava como uma grande aventura realmente, e pela clareza que tenho de que não envelhecemos nunca, mas simplesmente mudamos os brinquedos, montamos um grupo e definimos esse conceito.</p>
<p style="text-align: justify;">Criamos a Divisão S.O.M.B.R.A. (Sobrevivência, Objetivos Mateiros, Busca de Recursos &amp; Adestramento), com regras, normas, slogan e convite oficial aos escolhidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-1214" title="SOMBRA" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-1024x568.jpg" alt="" width="1024" height="568" /></a></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;">Aos olhos não treinados, não existimos.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;">Nossos propósitos são simples e objetivos. Nossas missões são inúmeras.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;">Não nos verão chegar, não perceberão quando sairmos.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;">Somos poucos, não chamamos atenção.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;">Marchamos em silêncio, não deixamos rastros ou marcas.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;">As matas são nosso local, os desafios e aventuras nossa razão de existir.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;"><strong>Nós existimos sob o sol, na noite nos misturamos. </strong></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 240px;">Nós somos a <strong>Divisão S.O.M.B.R.A. </strong><strong>(Sobrevivência, Objetivos Mateiros, Busca de Recursos &amp; Adestramento).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Era chegada a hora de organizar nossa primeira expedição. Por motivos vários, os outros convidados a integrar a S.O.M.B.R.A. não poderiam nos acompanhar na primeira expedição, e então seríamos apenas eu e Júnior, doravante chamados Inimigo e Coyote, nossas alcunhas de selva.</p>
<p style="text-align: justify;">Definimos que iríamos realizar nossa primeira expedição no dia 19 de novembro. Além dessa novidade eu atravessava uma mudança de endereço, com caixas de papelão, coisas quebradas e stress associados. Não seria fácil, mas assim se começa uma aventura. De agora em diante a narrativa já não será mais feita por mim, Eduardo Mesquita, mas sim pelo Guerreiro S.O.M.B.R.A., O Inimigo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-066.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1215" title="SOMBRA 066" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-066-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">A jornada se iniciaria após o almoço de sábado. Na noite anterior preparei meu equipo. Esparramados sobre o sofá de casa, e grande parte do chão da sala, vislumbrei tudo que havia juntado até aquele momento para me preparar para a missão. Naturalmente muita coisa ali seria desnecessária, mas o processo de montagem do equipo demorou semanas, então ninguém poderia me culpar pelo exagero. Claro que a caixa de pé de moleque teria que ser deixada de lado.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto separava todo o material em kits (sobrevivência, primeiros socorros, fogo, alimentação) e acondicionava em embalagens plásticas e impermeáveis, percebi que realmente na noite seguinte eu estaria dormindo no meio do mato. Mesmo sendo essa uma missão da Divisão S.O.M.B.R.A. de nível 01 (o nível introdutório, sendo que no nível 05 são vários dias e pouquíssimos recursos. Mas isso é assunto para os DO-I – documentos internos), eu estava ciente da única regra absoluta em todos os níveis de missão: proibido o uso de barracas. Sim, iríamos dormir em redes, no meio do mato. Confesso que tremi nessa hora. A ideia de estar em uma rede exposto a qualquer situação e risco de uma mata era tudo que eu havia procurado, e tudo que agora me deixava com as pernas num momento de menor firmeza. Bambas, para ser sincero.</p>
<p style="text-align: justify;">Respirei fundo e continuei a arrumar meu equipo. Não havia tempo para vacilações, e sendo um S.O.M.B.R.A. eu estaria pronto quando chegasse a hora. Material organizado, tudo pronto para sair, fui dormir. Precisava estar descansado para o dia seguinte.</p>
<p style="text-align: justify;">A manhã correu entre compromissos e preparativos, e quando chegou a hora de sairmos em missão, me aprontei e percebi que se havia alguma imagem ideal de um sujeito pronto para – quase – tudo, ali estava a imagem no espelho na minha frente. Eu estava preparado para uma guerra. E a guerra se travaria entre meus limites e minha curiosidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-004.jpg"><img class="alignright size-large wp-image-1216" title="SOMBRA 004" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-004-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a>Coyote havia sugerido dois lugares para nossa primeira missão, e lamentavelmente a primeira opção ficou inviabilizada pela irresponsabilidade de uma empresa e pela inoperância governamental. Um curtume jogando dejetos em um rio, poluindo todo um bioma, e nenhuma entidade de fiscalização fazendo o que deveria. Teríamos que ir para nossa segunda opção, um pouco mais longe. Paramos perto do Rio Anicunzinho (também curiosamente chamado Anicuns Grande) e nos metemos no mato, em busca do local para montar nosso acampamento. E essa primeira incursão já foi uma prova de fogo. Mato fechado, espinhos, mochila prendendo em ramos, facão na mão e o sangue já escorria no meu antebraço. Um corte longo e eu já dava o sangue pela missão. O primeiro ferimento de batalha, afinal de contas não quero morrer sem nenhuma cicatriz (palavras de Tyler Durden).</p>
<p style="text-align: justify;">Achamos um caminho melhor e lá fomos nós. O sol inclemente deveria ter cobrado um preço mais alto das minhas escolhas, porque Coyote tem seu equipamento praticamente todo militar, verde. O meu equipo é todo preto. Charmoso, admito, mas debaixo do sol poderia ter virado uma armadilha. Aguentei bem. Caminhamos muito e achamos um local para nosso acampamento base, algo perto de 600 a 800 metros para dentro da mata, saindo da estrada. Realmente não era muito longe, ainda ouvíamos os caminhões na estrada, mas era suficiente para uma primeira incursão.</p>
<p style="text-align: justify;">Montamos nosso bivaque, instalamos nossas redes, penduramos nossas mochilas e eu já começava a ter minhas lições mateiras, aprendendo alguns truques simples e eficazes, aprendendo alguns nós que me ajudariam muito e logo saímos para catar lenha para o fogo que precisaríamos. Foi mais fácil do que pensei, mesmo tendo um longo embate com um toco mais robusto, que exigiu muito do meu velho facão. Logo o fogo estava aceso e começávamos a preparar nossa janta.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-042.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1217" title="SOMBRA 042" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-042-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Fiz o meu espeto enquanto Coyote conduzia um arroz na fogueira. Comemos um digno e surpreendentemente delicioso arroz com linguiças assadas no espeto. Uma refeição de um general, e descobri refastelado que come-se bem no mato.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo após descobrimos um ponto no rio, logo abaixo nosso acampamento, que nos serviria para pesca. Eu não entendo nada de pesca – assim como outras coisas – mas Coyote havia levando uma pequena varinha de pesca e ali ficamos por algum bom tempo, curtindo o visual e escutando o barulho delicioso do rio correndo entre as pedras. Até ali eu já tinha tido muito para estar satisfeito, mas mal sabia eu que nada havia acontecido ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">A noite cai rápido no mato. O barulho no céu anuncia chuva, e ficamos no acampamento saboreando uma deliciosa cachacinha e batendo um papo bom. Quando então um momento mágico, que somente no meio do mato pode-se apreciar. Uma nuvem de vagalumes, com suas luzinhas verdes, surge sobre nosso acampamento. Me senti bem vindo a Pandora naquele momento, tudo lindo, a fogueira, os vagalumes, o cheiro de chuva e a noite se revelava mágica em leds verdes.</p>
<p style="text-align: justify;">Fomos pescar, degustar um charuto (quisera fosse um bom charuto, mas o Titã seria suficiente para uma noite) e mais alguns goles de genuína e generosa cachaça. Coyote volta ao acampamento para buscar iscas e vive mais um momento inesquecível da jornada: dá de cara  com uma capivara com grandes olhos assustados, embaixo da sua rede. Ele havia ouvido o tropel de algumas antes, mas não havia visto, mas ao chegar ao acampamento, lá estava uma delas, debaixo da rede, olhando para ele. Duas criaturas assustadas na noite. Um encontro.</p>
<p style="text-align: justify;">Não pescamos nada, mas a prosa se estendeu por horas na beira do rio. Já viveu isso, pequeno gafanhoto? Uma prosa boa, cachaça honesta, charutos e o rugido do rio aos seus pés? Não? Não sabes o que estás perdendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltamos ao acampamento base para tentar encontrar um local de águas mais tranquilas para tentar a sorte com os anzóis. Um barranco perto da base mostrou-se ideal. E naquela noite tranquila, Coyote falava e contava histórias e eu já começava a ressonar, sonhando até, me preocupando em não dormir e desabar daquele barranco. Encerramos a pesca e resolvemos ir dormir, e quando comecei a arrumar minha rede ouvimos um arrastar forte nas folhas ao nosso redor.</p>
<p style="text-align: justify;">Ligamos as lanternas, meu coração ultrapassou as escalas de velocidade e força. Ficou ainda mais forte e rápido quando percebemos que o que quer que fosse, não havia se afastado quando ligamos nossas lanternas. Fosse o que fosse era muito corajoso, violento ou sem noção. O bicho não havia se assustado, eu estava assustado para mais um ano de pavor. O barulho aumentava, o bicho vinha em nossa direção. Foram segundos – sim, segundos – de intensa expectativa e o barulho aumentava e se aproximava. Eu mal respirava nessa hora e só conseguia pensar em meus alunos, clientes e colegas de banda que eu jamais veria novamente (hehehe). O barulho aumentava e finalmente vislumbrei aquele par de olhos flamejantes e aquela expressão de fúria. Sua cabeça era do tamanho de um frigobar e seu corpo do tamanho de um Fiat 147, escamas do tamanho de bandejas e ali estava ele olhando em meus olhos: o poderoso Tatu Dragão!!</p>
<p style="text-align: justify;">Tá, tudo bem, não era assim tão grande, mas lembre-se do medo que eu estava passando. Era um tatu bem grandinho, um tatuzão mesmo. Do tamanho de um cachorro grande, tipo um enorme Shitzu bravo. Olha, pode parecer exagero, mas aquela hora da noite, quase madrugada, no meio do mato, naquela barulheira toda, ele podia pesar meio quilo que para mim ainda ia parecer o temível e assombroso Tatu Dragão!!!</p>
<p style="text-align: justify;">Entramos em frenética perseguição, mas era uma espécie de Tatu Vietcongue, profundo conhecedor do terreno e dos intestinos do terreno. O bicho desapareceu completamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Como dormir depois desse susto? Muito fácil, só estar detonado de cansado como eu estava. Vesti minha balaclava – para não entrar inseto na boca ou na orelha – e dormi o sono dos justos e inocentes. Aquela rede era uma cama do Blue Tree naquele momento, acreditem.</p>
<p style="text-align: justify;">Acordei bem cedo, o dia começava a romper, a rede começava a esfriar e eu vi o dia clarear de forma magnífica. Um café da manhã digna de nobres, com café de fogueira (feito com água de vagalumes), pão, castanhas variadas e smoked water (água enfumaçada, no nosso dialeto, um gosto de fumaça de lascar).</p>
<p style="text-align: justify;">Saímos para explorar o local, e eu tinha uma missão: encontrar o meu cajado para trilhas. Entramos na mata e descobrimos encantados uma enorme família de macacos nas árvores, eles assustados, nós de queixo caído. Uma, duas, centenas e milhares de árvores gigantescas, a umidade elevadíssima, a mata fechada e nessa parte da jornada descobrimos locais sensacionais para uma segunda missão. Para novas bases, e nesse momento nosso “apartamento” ficou sem graça, porque vimos locais muito mais legais para montar nosso acampamento base, locais ótimos para pescar e locais para ficar de bobeira.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-069.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1218" title="SOMBRA 069" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-069-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Voltamos para a base, pegamos a vara de pesca e iscas e tiramos algumas boas horas pescando na curva do rio, numa pedra especialmente desenhada para nosso conforto. Ali estavam os SOMBRAS e a água fresca, curtindo o ventinho do meio dia. Retornamos à base, fizemos nosso almoço com um arroz e linguiças defumadas e nos preparamos para retornar para a civilização.</p>
<p style="text-align: justify;">Desmontamos tudo, montamos nossas mochilas, apagamos cuidadosamente a fogueira (acabando com qualquer possibilidade de brasa, fagulha ou faísca), apagamos todos os nossos traços e nos dirigimos ao nosso carro. A volta foi recheada de comentários, risadas e novos planos.</p>
<p style="text-align: justify;">Para completar o fim de semana inesquecível um maravilhoso momento na piscina com meus tubarões e Minha Delícia, arrumações do equipo e o início da parte mais chata e desagradável da missão: catar os carrapatos no corpo. Eu achei oito em mim, Coyote descobriu 27 nele.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira missão da Divisão S.O.M.B.R.A. foi sensacional. Infelizmente não consegui cumprir a minha missão de encontrar meu cajado para trilha, mas graças a uma dica do Coyote, penso que isso esteja perto de ser resolvido. O BOPE diz que “missão dada é missão cumprida”, nós também acreditamos nisso, mas em algumas situações, nossas missões não são cumpridas, mas são compridas.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa foi só a primeira, muitas ainda virão. D2, Dente de Sabre e Claudinho se preparem, nós existimos sob o sol, na noite nos misturamos.</p>
<p style="text-align: justify;">Sou Sombra.</p>
<p style="text-align: justify;">Selva!</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-043.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1219" title="SOMBRA 043" src="http://ogritodoinimigo.com/wp-content/uploads/2011/11/SOMBRA-043.jpg" alt="" width="1690" height="1267" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>Marcha contra a corrupção &#8211; confira hora e local &#8211; Compareça!</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 23:36:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>eduardo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Juliana Castro, no Globo: A marcha contra a corrupção convocada para o feriado desta quarta-feira está sendo organizada pela internet há pelo menos um mês e contará com eventos 25 cidades em 17 estados, além do Distrito Federal. Os organizadores dizem não ter expectativa sobre o número de pessoas que podem comparecer aos atos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Juliana Castro, no Globo:<br />
A marcha contra a corrupção convocada para o feriado desta quarta-feira está sendo organizada pela internet há pelo menos um mês e contará com eventos 25 cidades em 17 estados, além do Distrito Federal. Os organizadores dizem não ter expectativa sobre o número de pessoas que podem comparecer aos atos – boa parte deles simultâneos -, mas esperam superar a barreira dos 25 mil manifestantes, que foram às ruas no Sete de Setembro .</p>
<p>Com três cidades, São Paulo e Santa Catarina são os estados que terão o maior número de protestos. No Rio, pelo menos sete grupos de combate à corrupção vão se reunir na orla da Zona Sul. A concentração acontece no posto 4 da Praia de Copacabana, às 13h. Os manifestantes saem em caminhada às 14h, rumo ao posto 2. Aos moradores de Copacabana, os organizadores têm um pedido especial: colocar vassouras do lado de fora da janela, para demonstrar apoio ao movimento.</p>
<p>O protesto do dia 20 de setembro, na Cinelândia , contou com o apoio de artistas e um dos que estavam presentes, o cantor Tico Santa Cruz, gravou um vídeo para convocar os brasileiros a saírem de casa para manifestar seu repúdio à impunidade. “Estou aqui para convocar todos os brasileiros indignados com a corrupção, a impunidade, a violência e a omissão. No dia 12, você pode fazer parte dessa luta. Saia de sua casa”, diz o cantor no vídeo, confirmando presença no evento desta quarta-feira.</p>
<p>A divulgação pela internet ganhou na terça-feira um reforço. Os organizadores se juntaram e promoveram um twittaço para informar corretamente o dia, local e horário da manifestação no Rio. Nem mesmo a previsão de chuva desanima: “A previsão é de sol entre nuvens, podendo chover. Estou torcendo muito para que não chova. Mas, mesmo com chuva, tenho certeza de que as pessoas interessadas vão comparecer ao evento – disse Cristine Maza, do movimento “Todos Juntos contra a Corrupção”.<br />
*<br />
Confira o local e o horário do protesto contra a corrupção, na sua cidade:</p>
<p>AL – Maceió – Antigo 7 Coqueiros até o Antigo Alagoinhas, às 13h</p>
<p>AM – Manaus – Centro, em frente ao colégio Dom Pedro, às 14h</p>
<p>BA – Salvador – Cristo da Barra, às 14h</p>
<p>CE – Fortaleza – Praça da Imprensa rumo ao Cocó, às 14h</p>
<p>DF – Brasília – Museu Nacional, às 10h</p>
<p>ES – Vila Velha – Praia da Costa, às 12h</p>
<p>GO – Goiânia – Início na Praça Universitária às 10h e término na Praça Cívica</p>
<p>MA – São Luís – Praça do Pescador , na Avenida Litorânea, às 14h</p>
<p>MG – Belo Horizonte – Saída às 14h da Praça da Liberdade até a Praça 7</p>
<p>MG – Uberlândia – Praça Tubal Vilela, às 14h</p>
<p>PA – Belém do Pará – Praça do CAN, às 14h</p>
<p>PA – Santarém – Concentração em frente à prefeitura, às 17h, até o fórum</p>
<p>PE – Recife -Pracinha de Boa Viagem, às 14h</p>
<p>PB – João Pessoa – Busto de Tamandaré, às 14h</p>
<p>PI – Teresina – Praça da Liberdade, às 14h</p>
<p>PR – Curitiba – Santos Andrade, em frente à escadaria da UFPR, às 14h</p>
<p>PR – Campo Mourão – Praça Central, às 14h</p>
<p>RS – Porto Alegre – Parque da Redenção, durante toda a tarde</p>
<p>RJ – Rio de Janeiro – Copacabana, em frente ao posto 4, às 13h</p>
<p>SC – Brusque – Praça Barão de Schneeburg, às 9h</p>
<p>SC – Florianópolis – Trapiche Beira Mar, às 10h</p>
<p>SC – Jaraguá do Sul – Praça Ângelo Piazera, às 14h</p>
<p>SP – São Paulo – Avenida Paulista, em frente ao Masp, às 14h</p>
<p>SP – Santos – Parque da Independência, às 14h</p>
<p>SP – São José dos Campos – Vicentina Aranha, às 15h</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>Há braços!</p>
<p>Eduardo Mesquita</p>
<p>eduardo@ideiadiferente.com</p>
<p>twitter – @eduardoinimigo</p>
<p>&nbsp;</p>
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