SANGUE SECO - lançamento do CD “No ar cheiro de matança”
Sim, é isso mesmo!
No dia sete de dezembro, 07/12/2008, domingão, na cidade de GoiâniaTown, no CETE - Casa das artes, o SANGUE SECO lançará seu CD “No ar cheiro de matança”.
Contaremos com as ilustres presenças das bandas de nossos amigões:
Cicuta
Fígado Killer
Señores
Então por enquanto isso é informação suficiente. Separa uns cobres porque vamos fazer uma promoção de “ingresso+CD” para facilitar para quem gosta da banda.
Há braços!
Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
O Inimigo foi ao Noise - tequilas, temakis, teve até rock…
Uma vez alguém comentou comigo que se pudesse voltaria à ter dezoito anos. Confesso que nesse dia eu até pensei em como seria legal voltar aos tempos de faculdade, mas depois pensando realmente com cuidado e apuro eu vi que não queria isso não. Sou muito feliz hoje aos 38 anos, casado, com dois filhos, trabalhando, essas coisas todas que soam mal para alguns, mas que realmente me fazem muito bem. Não queria voltar a ter dezoito anos, mas o mais importante é que EU NÃO TENHO 18 ANOS. Digo isso porque fui ao 14 Goiânia Noise Festival ontem (domingo) e curti muitão um evento que cada vez vem mostrando competência em sua realização e resistência a tanta encheção de saco que existe em lugares de fórum aberto.
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Mas o mais interessante foi chegar ao festival ontem e ver uns personagens de desenho animado, gente de muita idade que pensa que tem pouquinha. Claro que não estou falando de “roupa errada” ou “comportamento esperado”, porque cada um veste o que quer e cada um faz o que bem entende de sua vida, mas tem uns troços que ficam engraçados, como uma senhora gorda querer usar top apertadinho e calça “cachorra”. Numa boa? Não dá.
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A vida é dela, certo? Certo. Ninguém tem nada com isso, certo? Certo. Mas não dá. E o que se vê num festival de rock é muito engraçado com relação à esses comportamentos bizarros, uns clonezinhos de gente muito mais conhecida andando pra lá e pra cá, fazendo questão de ser visto com sua posesinha de rebelde violento ou de roqueiro glamouroso. De novo numa boa? Não dá. É muita falta de senso, mas a maldita liberdade de expressão permite essas marmotagens, então vamos em frente rindo de uns idiotas e curtindo o que a vida nos oferece.
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E a vida nos oferece coisas muito boas, meninos. Ouvi maravilhas dos primeiros dias de festival, dos shows que rolaram na feira durante a semana, mas dessa vez não me senti muito atraído ao Noise nos primeiros dias. Shows maravilhosos havia, claro, mas nada que me tirasse do lado das minhas crias com tanta satisfação. Até acho que a diminuição de público era um risco calculado, porque com exceção do Marcelo “loser manos” Camelo ninguém ali tinha tanto apelo de público quanto Sepultura e Mundo Livre, por exemplo. Então meio que era esperado um público menor nesse festival, e isso com atrações históricas como Helmet e Gangrena Gasosa, mas que ainda assim eram iguarias para experts e connoisseurs de música. Não era pra povão.
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Eu fui um dos ausentes nos primeiros dias. E no domingo quase desisto quando os dois tubarões começaram a dar gargalhadas no tapete de casa. Já viu uma criança de quase um ano de idade gargalhando? É o troço mais lindo e emocionante da vida, imagina então dois guris??!! Mas isso é papo de pai babão. Muita gente não vai entender e está se lixando pra minha prole, no que estão certos. Vieram aqui ler sobre festival de rock, então…
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De volta ao texto, Falabella! O fato é que um gigantesco motivo para ir ao festival no domingo foi porque o SANGUE SECO foi escolhido para gravar uma faixa no estúdio de Mestre Gustavo Vasquez, e é uma oportunidade que não se desperdiça. No estúdio montado no festival, Mestre Gustavo estava trabalhando um monte de bandas legais e outras nem tanto, gravando faixas e realizando mini-shows legais. Até cabe um comentário de um certo momento quando ele me deu uma bronca (ele me dá muita bronca, esse Mestre chato de galocha! rs) falando que “A gravação não era show!”. Eu não entendi, se a banda estava ali tocando, se tinha gente assistindo, se tinha um gordão embriagado pogando feito um doido…. então era show! Mas enfim, o sujeito PinaVasquez estava trabalhando e eu mais ou menos, mas o resultado parece que ficou bem legal, tanto pra nós quanto para várias outras bandas. Enchi o saco para gravar mais uma música, mas o desgraçado do Mestre não deixou. Hominho sério quando está trabalhando, sêo!!! E o gordão pogante deixou sua marca, porque na dança enquanto tocávamos “Gado” (que tem um insert grandão de DeadKennedys) ele conseguiu desligar a caixa de som do lado de fora, e numa empolgada maior quase derrubou o estúdio inteiro. Poxa, nosso público empolgado! Bom demais.
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E pela primeira vez nos últimos anos eu não estava cobrindo nada nem ninguém (puta piada ruim essa!), sem caderneta, caneta, máquina fotográfica nem obrigação. Então me dediquei a fazer duas coisas que eu gosto muito em festival: conversar com gente e evitar gente. Eu sei, soou meio esquizofrênico múltipla personalidade, mas tem explicação. Uma coisa boa é bater papo com o tanto de gente legal que se encontra num lugar desses, gente sumida, gente de fora, gente reclusa, e atualizar as prosas. Outra coisa legal é ficar bestando pra lá e pra cá, sem rumo nem direção e sem dar atenção pra nada nem ninguém. Bestar assim é melhor com algo rolando nas veias, e eu fui agraciado com talagadas serenas de tequila, que me amaciaram a alma e enevoaram os olhos. Que noite legal!
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Encontrar gente legal como o Gustavo “Ecos Falsos” que não via desde o último Noise (agora falando assim nem parece tanto tempo. hehe) com seus planos de dominação mundial e “vingança do Eixo”. As típicas idéias ecofalsianas, divertidas, atrevidas, cínicas e ousadas. Gente como o inconfundível Pablo Capilé, que me atualizou das novas e não tão novas sobre o Fora do Eixo, já que nos últimos treze meses eu sequer li algo sobre rock independente com atenção. Legal saber do crescimento da rede, da preocupação com sustentabilidade e com o cuidado com novos entrantes. O Fora do Eixo se firma como uma verdade na testa de muitos bocoiós que viam ganância ou esperteza na idéia. Agora com a entrada de mais coletivos, com iniciativas financeiras (cubo card foi só o começo! Se prepara para o que vem por aí!), com o Grito Rock indo pra mais de 70 cidades, tudo se configura numa realidade. Mesmo com umas cassandras de terceira semeando a cizânia, mesmo com bandinhas chulezentas chorando pitangas e se sentindo “magoadinhos”, ainda assim o elefante vai em frente e segue seu rumo. Curioso é ver que gente reclamona passou muito tempo maltratando os próximos, se portando com insolente frieza, e agora quer colo. Vá trabalhar, vagabundo!
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Conhecer gente como o Thales Jambolada e seu olhar esgazeado, sempre em busca de algo que não está por ali, nem por aqui. Gente indecentemente insana como os apaixonados vascaínos que se reuniam na noite roqueira, ardendo de paixão por um time que não os merece tão irresponsavelmente dedicados. Eu sei o que é se dedicar a um time que não honra meu sentimento, pois sou vilanovense e mais uma vez fui humilhado por um monte de boleiros de merda sem dedicação nem interesse. Mas não estou aqui falando disso, entre os honrados vascaínos gente da estirpe de um Aneudes Jr., Armando, Ruy Core e um corintiano fuleiro infiltrado, “o homem que o orkut ama odiar”, Sr. Gustavo. Festival é muito bom por isso, fuleirar e conversar.
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Mas tem show de rock também. Parece incrível, mas em tempos onde os guris se preocupam se no show tinha mulher bonita (tinha!), se a cerveja seria vendida perto do palco (não!) ou se o estacionamento estava num preço justo (das dezenove às três da manhã por dez paus? Justo!) fica meio interessante mesmo perceber que tinha banda tocando.
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Eu vi pouca coisa, como já disse não estava com obrigações nem responsabilidades. Mas um som como Tormentos não pode ser ignorado, surf music da boa. Eu já tinha perdido o show dos Dead Rocks, que são a melhor banda instrumental do universo, então tinha que aproveitar os hermanos para curtir um pouco de música boa de dançar. Eles honram os uniformes de lava-jato e fazem um som muito digno, dançante e que agitou o povo, o que não é fácil numa banda instrumental. O povo ficava gritando “Maradona” o tempo todo, mas acho que eles não se tocaram disso ou não deram a mínima. Deram olhares insanos, discursos incompreensíveis e muita música surfística de qualidade. Tanto assim foi que os pedidos insistentes de “Bis” honraram os gaudérios.
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Depois fui ver o Claustrofobia. Maldade. Muita maldade naqueles corações adolescidos. Que meninos cheios de ódio! Será que beijam a mãe com aquelas bocas odientas? A muito tempo não via um troço tão rápido, violento e embolado. Sim, embolado pra caramba, porque o som tava uma lástima, falhando a voz, mandando a guitarra lá pra trás, um inferno. E num estilo que é rápido demais para se entender as notas, se você mistura o som daquele jeito fica difícil pra um neófito acompanhar. Depois da terceira música saí com a sensação de que eles estavam tocando a mesma música desde o começo, e isso não é muito bom. Ainda acho engraçado quando essas bandas extremas cumprimentam a platéia com aquela voz gutural de filme de terror. Acho muito engraçado. Mas mais engraçado foi ver o Claustrofobia destilando porrada e a iluminação rosa por trás deles. Rosa? Pôxa, sem preconceitos, claro, mas aquelas lampadinhas relou-quiti não combinaram mesmo com o show. Enfim, alguém fez o mapa de luz e achou que luzes vermelhas não seriam suficientes e meteu umas gelatinas rosas no troço. Ficou estraño.
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Lá fora ia começar a passagem de som do Periferia S.A. e vi que o Phú (ou seria Fú? Ou ainda Fhú? Whatever…) é um cara chato. Chato pra caralho. Tudo bem que a posição dele ali gerenciado o palco era ser chato mesmo, mas ele capricha na chatice, na pose e no narizinho pra cima. Lembrei dele em Cuiabá, quando tocamos no Calango e me lembrei que de perto ele é muito simpático e gente boa, mas do outro lado da grade ele é um grande chatonildo posudo. Ossos do ofício?
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Mas aí veio o Periferia S.A. e para os puristas amantes da banda tudo começou com a decepção de ver que os membros originais “verdadeiros” não estavam ali. E pra piorar o Jabba The Hut (o cara era vastíssimo!) que estava na bateria ainda estava errando quase tudo que podia e que não devia, e a sensação foi de que o show poderia ter sido melhor. As piadinhas, a imitação do Lula e outros comentários não colaboraram nem destoaram, apenas passaram. Mas a banda, mesmo com essas interferências, é muito legal, um HC “dasan” que a muito tempo eu não escutava. Aqui em Goiânia, me lembrou o Kundaline, e a lembrança é boa.
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Era chegada a hora dos Inocentes. Esse era o melhor show da noite na minha opinião. Ainda me lembro dos meus vinis imponentes e belos em casa, ostentando anos de maus tratos (sou desleixado pra diabo) e de adoração. Lembrei do “Grito Suburbano” quebrado em pedaços por um descuido da minha saudosa mamãe, me lembrei do “Pânico em SP” roubado pelo Maurão numa falha grotesca de comportamento, e dos outros discos do Inocentes que tenho em casa. Inocentes e Cólera foram as bandas que me fizeram escolher o punk rock como tema musical da minha existência, e esse seria o terceiro show que eu ia ver dos Inocentes.
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Eu sempre achei que banda de punk rock em palco grande fica meio perdida, mas os caras ali tinham décadas de estrada e souberam ocupar os espaços, me apagando essa idéia bocó. E tome-lhe clássicos, fazendo a velharia presente pular feito menininhos satisfeitos, pogando no limite das dores geriátricas se encontraram Eduardo Mesquita (o do Resistentes), Bacural, Guga, Pedro Fernandes, Marcelo “Clizoardes” Sacolão e mais um monte de dinos. Ser abraçado no meio do show pelo meu xará, pelo Marcelo, pelo Giovanni, pelo Bacural, me deu uma boa sensação de que a festa no asilo vai ser ótima quando a gente assumir a decrepitude de verdade. Ali tínhamos novamente dezesseis anos, correndo pelas madrugadas cantando nossos hinos, verdadeiros garotos do subúrbio realmente tentando sobreviver com tanta raiva no peito. Que show bom! Quantos hinos! Quanta emoção em ouvir “Expresso Oriente”!! E o Eduardo Mesquita adivinhando o set list o show inteiro!! Loki!
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Nessa hora vem a sensação de que quem não gosta do rock não entende o rock. Para qualquer pessoa alheia aquilo que acontecia ali a letra de “Eu apanhava todo dia” dos SexToys do RJ, encantadoramente executada pelos Inocentes, seria só uma letra besta. Para quem havia alimentado a revolução em seu coração como um bom adolescente ouvinte de punk rock, aquela letra tem uma carga dramática e emocional… er… bem… FUDIDA!!! Um sujeito que apanhava a vida inteira, um sapão surrado pelas cobras, um bosta jogado pra lá e pra cá, ou seja, um cara como eu e meus comparsas ali. Sim, hoje profissionais, pais, homens “sérios”, já não somos mais tão bostões, mas éramos os adolescentes que carregavam seus estigmas, traumas, medos e confusões, e nós apanhávamos todos os dias. Nem sempre com cabo de vassoura, mas sempre alimentando nosso ódio e nossa revolta. Mais uma vez o show do Inocentes termina e eu fico risão e bobo. Feliz.
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Também nessa hora já tinha umas duas (ou três?) tequilas correndo nas veias, e com a emoção do momento tudo facilitava a bobice. Mas terminar o show tocando Clash foi um golpe fatal nos senhorzinhos que ali estavam, e a molecada também curtiu bastante a aula de punk rock do “João Cândido” paulista. Pedir clemência nessa hora seria uma redundância e uma construção pobrinha no texto, mas quase aconteceu.
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Então seria o show do Helmet. Confesso que passei os anos 90 ouvindo velharias dos 60 e 70, então não prestei atenção em muita coisa que aconteceu naquela época, e Helmet é um dos que quase que praticamente desconheço. Mas com o tanto que o povo falou, e pelo tanto que me lembrava do nome dessa banda, claro que merecia a visita. E para completar ainda me aparece outro dino, Eduardo “das Trevas”, meu colega de oitava série e que embalava as festinhas dançantes na arquitetura junto com Jaimeras e Túlio na primeira (?) formação do Motherfish. Grande sujeito!
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Mas aí o Rodolfo Morais me diz que estava decepcionado. E o sujeito só estava passando o som!! Pira? Isso porque segundo Sir Rodolfo, o Helmet ficou conhecido pelo som agudo da caixa na bateria, e o sujeito tinha afinado mais grave ali na nossa frente. Ele ficou chateado, eu não dei a mínima. Mas se meu amigo tá chateado, eu me incomodo um pouco também.
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O show começa, o povo pula, o som é alto pra diabo, Rodolfo sorri satisfeito e parece que tudo está bem. Eu pelo menos fiquei satisfeito porque via um cara com um restinho de cabelo grisalho destruindo num rockão poderozzo e nervozzo, e vi que posso envelhecer com dignidade ainda tocando microfone numa banda de rock. Nem a calvície, nem as mudanças de integrantes, nem o pouquíssimo português impediam a comunicação entre a banda e o público, tanto que a banda começou a atender pedidos. Me disseram que teve beijo em fotógrafa gata e bossa nova no palco, mas aí já era tarde pra mim e eu já estava a caminho de casa.
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Todo ano eu peço, reclamo, encho o saco, porque quero acarajé no festival. Esse ano a baiana ficou doente e não ia, e nesse momento ela abriu o flanco para um rival poderoso: o temaki. Eu cheguei ao festival varado de fome porque não havia almoçado no domingo, e já eram mais de nove da noite, então me sugeriram comer pizza. Porque com três reais você comprava dois pedaços generosos, empilhava um no outro e fazia um sanduíche de pizza com pizza. Fantástico!! Comi e fiquei bem alegre lambendo o óleo dos dedos, mas aí eu vi que tinha rango japonês, e eu gosto bastante. Fui lá comer sushi ou sashimi porque gosto, mas não sou expert, e aí vi o temaki. Curioso e ainda com fome, pedi um caprichado no salmão, e fiquei doido. O troço é maravilhoso!! Comi uns três porque além de ser delicioso não pesava no estômago. Ia enchendo, mas sem peso. E do restaurante do Eduardo “das Trevas” Nery, que por um tempo ficou longe do rock para cuidar da carreira de restauranter, coisa que fez muito bem pelo visto, porque a comida é excelente, muito bem feita, com uma equipe bem treinada que atende bem, faz divulgação das promoções e tals. A baiana do acarajé não devia ter faltado, agora ela enfrenta uma disputa acirrada pelo espaço no meu estômago.
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Além disso, a cerveja estava gelada, a tequila era honestíssima, o atendimento estava rapidinho (disseram que nos primeiros dias estava um caos, mas no domingo estava legal) e o Noise continua sua saga de festival bom. Claro que algumas coisas sempre podem melhorar e nesse ano parece que os banheiros estavam poucos (ou eu não os encontrei depois que tomei a segunda tequila) e as banquinhas ficaram deseeeeeeeeeeeeertas. Uma pena! Comprei duas camisetas pros tubarões, uma do Elvis e outra dos Beatles (educação fundamental, garotos!), mas parecia que as vendas não estavam indo muito bem. As bancas lá longe ficam meio abandonadas, é fato, mas colocá-las perto dos palcos poderia atrapalhar as negociações, pechinchas e conversas que rolam nesses cantos. Enfim, talvez exista uma forma de fazer melhor, talvez ali perto da praça de alimentação para facilitar a circulação, mas isso é só palpite. Coisa farta na terrinha.
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Mas mesmo com alguns problemitos e alguns problemões (gente chata reclamando de detalhes minúsculos que poderia ter resolvido por conta própria e gente valiosa reclamando de falta de cuidado com parceiros. Isso não pode, é feio!) esse domingo de Noise foi uma noite muito legal pra mim.
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Gravações feitas, pessoas encontradas, bebidas sorvidas, comidas degustadas, emoções vividas e mais uma vez a Monstro realiza algo que melhora um pouco minhas futuras lembranças. Se quero voltar a ter dezoito anos? Certamente não, porque não preciso, basta ir a um festival e fazer tudo isso e meus dezoito anos estarão ali.
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Há braços!
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Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
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Grito do Inimigo - só peço isso…
só peço isso…
…só quero que digam por aí que eu não acreditava em nada. Nem ideais, nem sonhos, nem planos de dominação mundial. Nada. Contem que até escrever a palavra “crença” me era negado, por defeito genético. Façam ser verdade que nunca quis ter fé ou confiança em nada e nem em ninguém. Que passei os 90 minutos que me concederam sem entender o que estava acontecendo, e sem me esforçar por um segundo que fosse para tentar entender. Simplesmente entediado e sendo levado por tudo que nos leva.
Divulguem que eu não tinha partido político, time de futebol, prato preferido, cor da sorte, signo, RG, nada. Nenhum sinal que acuse a minha participação nessa ópera bufa, nessa comédia de erros mal ensaiada e sem platéia. Contem em cada batizado que eu não apresentava sinal de nascença, cicatriz de operação, marca de vacina, tatuagem, buraco de piercing ou de tiro, nada.
Espalhem para todos que quiserem ouvir que nunca tive prazer com o contato humano. Afirmem com veemência que a existência humana sempre foi para mim meramente tolerável. Quando muito uma resignação medíocre e cotidiana a qual me acostumei. Contem que fingia cada sorriso, cada olhar de interesse, porque nunca quis sorrir para ninguém, nem nunca tive interesse por nenhum assunto que saísse de boca humana. Repitam à exaustão que sempre pensei ser o bicho gente uma experiência mal sucedida, um erro de laboratório, uma gloriosa cagada divina.
Lembrem a todos que nunca fiz nada, não consegui nada, não alcancei pôrra nenhuma. Mas deixem claro que não foi sob o signo da derrota que atravessei a existência, mas sim sob o sinal inegável da nulidade, do cinza, do apático, do esquecível. Porque a derrota ainda inspira piedade, comiseração, dó, e nem assim quero ser guardado. Nem por pena.
Apaguem quaisquer lembranças de fato ocorrido, momento vivido, beijo dado, porrada sofrida, qualquer coisa que se assemelhe a uma expressão de emoção humana. Deletem da memória universal qualquer coisa que possa ser distinguível, extraordinário, pois que a ordinariedade seja a última poesia.
Não deixem nenhuma foto inteira, nenhuma fita de vídeo, nenhum registro ou evidência. Permitam que eu me torne uma vaga lembrança em algum canto pouco explorado e vagamente usado da memória de um velho que todos chamam de louco, mentiroso e que inventa histórias que ninguém acredita. Deixem que me desvaneça.
Peço que tenham a educação, a decência, a generosidade, o respeito de fazer somente isso no segundo seguinte à minha morte. Nenhuma elegia, nenhuma homenagem, nenhuma placa de bronze nem flores plásticas. Nada de coroas com letras soltas, com mensagens ilegíveis, com flores mal combinadas, de gente que nunca deu um telefonema para dizer se estava vivo – não que isso realmente importasse. Tenham a gentileza de evitar discursos ou aplausos, que seja um momento discreto, apagado, nulo… de preferência com chuva fina, cheiro de terra molhada e dois coveiros. Mais ninguém.
Peço isso porque estou cansado de responsabilidades. Estou enfarado da facilidade humana de me condenar a atitudes, ações, comportamentos, gestos, reações. Me desespera como é fácil, para cada um desses que atravessam a rua na faixa de pedestres, ditar normas e regras – desde que não seja dele a obrigação de seguir e cumprir as malditas normas.
Diz o ditado que a responsabilidade, o dever, isso é, certamente, a única coisa que nunca nos livramos, pois até mesmo no leito de morte, prestes a dar o último passo, ainda dizem ao moribundo que ele deve lutar pela vida… deve!!! E depois de perdida a luta obrigatória, as lembranças. A necessidade podre de que se guardem boas coisas, que se enevoem as brigas, as desavenças, as canalhices, a putaria que possa ter sido a vida daquela criatura que teve o bom senso e a elegância de desaparecer. O finado passa então, a ter o dever de ser bom, correto, probo, honesto e cheiroso.
E pro resto da vida do resto de vivos, permanecer puro e imaculado. Sem nódoas, sem manchas amarelas, sem cantos quebrados. Morto e condenado ao esforço perpétuo de se manter virgem.
Peço aos inimigos, me deixem ser um morto. Só isso… morto! Não me amarrem comentários ao pescoço para que eu não precise seguir a eternidade me comportando. Deixem-me ser o morto torto no caixão. Aquele que não passou pela porta e precisaram colocá-lo de pé. O nariz ainda sangra, as mãos rígidas, e ele de pé, cambaleante, amparado pela parentada, passando pela porta onde seu caixão não fez curva. Me deixem ser o morto que se gargalha de prazer pela ausência. Me deixem ser um morto realizado, completo, saciado. Que tudo tenha sido feito, realizado, alcançado, e que por isso mesmo, tudo possa ser esquecido. Esquecido, portanto livre.
Não me condenem a ser um fantasma opressor que não deixa os outros seguirem em frente. O fantasma amaldiçoado que pesa nos ombros, que dá um gosto ruim nas bocas, que assombra sem aparecer à noite. Que limita…
Só quero, então, que vocês digam que eu fui um calhorda, como eu realmente sou. Não a suprema expressão, mas a mais sincera tentativa fracassada de um rematado canalha. Que eu fui um covarde, como eu realmente sou. Que fui medíocre, invejoso, fedorento, preguiçoso, careca, feio, desarrumado e bêbado. Contem nos jardins de infância que eu comia de boca aberta e arrotava até com copo de água. Não permitam que criança nenhuma no mundo queira ser como eu “quando crescer”. Publiquem em letras coloridas por todos os jornais e muros do mundo que eu fui a pior versão de um show que nunca devia ter entrado em cartaz – a humanidade. Deixem claro que isso eu acreditava: que a humanidade não devia ter acontecido, que o mundo deveria ter sido entregue aos platelmintos, às formigas cabeçudas ou mesmo às moscas de banana, qualquer coisa, menos esse troço errado que é gente. Esse tipinho idiotizado que não consegue tomar sua sopa sem jogar sal no prato ao lado. Que não consegue olhar somente para o seu umbigo sujo e inflamado. Esse bichinho que não sabe se virar sozinho, que não consegue falar o que pensa, que não consegue ser honesto com o que sente, que não faz sem esperar retorno, que não é capaz de ser o que vive cuspindo que é, nos discursos e nas salas de espera – gente. Não consegue ser gente.
Ser humano. Essa comprovação definitiva e verdadeira de que Deus não tinha a menor noção do que estava fazendo, e que Einstein estava errado; ele joga dados com o universo SIM!! E algumas vezes…. snake eyes!
Quando eu estiver morto, joguem terra por cima e vão pra festa. Qualquer festa. Se insistirem em fazer algo meramente próximo de uma reverência (porque homenagem não merecemos e não permitirei), bebam um último chopp em meu nome e me deixem em paz.
Perdoem-me somente a arrogância, e me deixem em paz. Eu tenho certeza que vou deixar vocês em paz.
Só isso que eu peço.
Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
No ritmo dos bons negócios
Feira Brasil Central Music 2008, que terá entrada franca em todas as atividades, espera promover a abertura e ampliação do mercado para músicos e produtores de Goiás
O Centro Cultural Oscar Niemayer, em Goiânia, será palco, de 18 a 20 de novembro, da Feira Brasil Central Music 2008. A ação é uma iniciativa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae em Goiás), em parceria com o Comitê Gestor do Projeto Economia Criativa da Música (BCM) e o Centro Cultural Oscar Niemayer. A entrada é franca para todas as atividades.
Segundo Marco Antônio de Mello e Cunha, gestor do projeto e coordenador da feira, o evento terá área para a comercialização de produtos (Feira de Negócios), ambiente para Rodada de Negócios e seminário, e dois palcos para apresentações culturais e shows musicais gratuitos.
Marco Antônio explica que o objetivo da Feira Brasil Central Music é fortalecer o segmento artístico do Estado de Goiás, com ênfase no aumento da renda e ocupação no setor. “A feira deve promover a abertura e ampliação do mercado musical nacional e internacional para músicos e produtores musicais do Estado, além de estimular a profissionalização entre seus empreendedores e trabalhadores”, afirma o gestor.
Composto por 11 entidades representativas do segmento musical em Goiás, o Comitê Gestor do Projeto Economia Criativa da Música espera que o evento seja a maior feira de negócios da música no Centro-Oeste brasileiro, segundo Marco Antônio. “Organização para isso não falta”, afirma o gestor, lembrando que a presença de compradores nacionais e do exterior é um dos diferenciais da feira: “A programação é rica em atrações e produtos.”
Fonte: Agência Sebrae de Notícias (ASN Goiás)
Um jovem de futuro…
Um famoso político brasileiro, estava a bordo de um avião, indo de São Paulo para Brasília.
Ao seu lado, notou um garoto de uns 10 anos, de óculos, com ar sério e compenetrado.
Assim que o avião decolou, o garoto abriu um livro, mas o político puxou conversa:
- Ouvi dizer que o vôo fica mais curto se a gente conversa com o passageiro ao lado. Gostaria de conversar comigo?
O garoto fechou calmamente o livro e respondeu:
- Talvez seja interessante. Que tema o Sr. gostaria de discutir?
- Ah, que tal política? Você acha que devemos reeleger o presidente ou dar uma chance a outro?
O garoto suspirou e replicou:
- Pode ser um bom tema, mas antes preciso lhe fazer uma pergunta.
- Então manda!, encorajou o Político.
- Cavalos, vacas e cabritos comem a mesma coisa, capim, grama, ervas, concorda?
- Sim, disse o político…
- No entanto, cabritos excretam bolinhas, vacas largam placas de esterco e os cavalos grandes pelotas… Qual é a razão para isto?
O político pensou por alguns instantes, mas confessou que não sabia resposta.
O garoto concluiu:
- Então como o senhor se sente qualificado para discutir quem deve governar o Brasil, se não entende de bosta nenhuma?
E durante o resto da viagem não trocaram mais uma palavra sequer…
Ah, essa juventude ainda tem futuro… rsrs
Há braços!
Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
Parece que já vi esse filme antes.


Sim, Barack Hussein Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos. O comandante do mundo livre, o homem mais poderoso do mundo, o íntegro, probo, honesto, carismático, charmoso, quase Deus Obama. Sim, porque a julgar pelas reações mundiais esse sujeito é a reinvenção da roda, guarda a cura da AIDS na agenda e está prestes e resolver TUDO de errado que existe no mundo.
Já viram esse filme antes? Um desprevilegiado (no caso dele, um negro) vence as elites, atravessa as tormentas de uma imprensa revanchista, enfrenta o status quo e se elege presidente. Já viu isso? No nosso caso foi um metalúrgico com um dedo a menos, voz rouca e um português todo particular. Me lembro do dia da posse do Lula em Brasília, a festa magnífica, o povo correndo ao lado do carro presidencial, a praça tomada por gente rindo, chorando, gritando. Tudo muito parecido com as imagens que vimos de Chicago dias atrás. As pessoas reverentes, olhando com olhos úmidos (a imagem de Jesse Jackson chorando como uma adolescente foi espantosa), uivando e se contorcendo a cada sílaba pronunciada pelo representante em carne e osso do terceiro segredo de Fátima.
Impressionante ver que “a maior democracia do mundo” (SIC) se reduziu a uma charge sem graça da nossa democratura tupiniquim de terceira, mimetizando e macaqueando o que temos de pior em nossas práticas políticas, que é esse sebastianismo irresponsável e demagogo. Claro que os eleitos em questão se valem e se aproveitam dessa onda de positividade e amor incondicional para conduzir suas propostas, mas o preço que isso cobra é altíssimo, principalmente para o processo tido como democrático.
Esperam de Obama os milagres que esperavam do molusco aqui em nosso cantinho brazuca, com o problema maior de que os milagres de Santo Obama precisam ser mundiais, envolvendo outros tantos países, culturas, crenças e riquezas. Esse é o homem que vai lidar com Afeganistão e Iraque com seus conflitos religiosos e as inúmeras franquias de sucesso na área do terrorismo. Esse é o homem que vai lidar com uma Europa ressentida e magoada, sentindo-se traída e ainda fazendo doce para os EUA. Esse é o homem que vai lidar com economias em desenvolvimento como os países do BRIC (sendo que nesse caso deveria ser CRIB, para respeitar os tamanhos e pesos) que buscam na porrada espaço no mercado de consumo americano. Esse é o homem que vai gerenciar a maior crise econômica-financeira dos tempos recentes, crise gerida e parida no país dele, o eterno fiel da balança do mercado.
E com todas essas responsabilidades fica complicado ver esse tanto de amor incondicional que ele vem recebendo do mundo inteiro, novamente o mundo passa um cheque em branco para um presidente americano confiando em seu discernimento e capacidade para enfrentar a crise. Lembram-se de outro momento como esse, em que o mundo depositou suas confianças mais calientes no olhar firme de um presidente americando e um cheque em branco de confiança lhe foi entregue? Lembrem-se de Giulianni e Bush (ou Chenney, para ser mais honesto) no fatídico onze de setembro, momento em que o mundo falou “Tá valendo, Bush, faz o que você quiser porque os caras exageraram”. E o que vimos foi uma estrondosa lambança.
Novamente o mundo se entrega a um sorriso charmoso e um tema de vitória tocado de forma lânguida, feito uma milonga de Gardel. Ô mundo besta, sêo! A se julgar pelo que já vivemos em muito breve teremos doces desilusões, desesperanças alimentadas até o momento do sujeito de capa brilhante e esvoaçante ter que provar que na verdade é muito humano. Não será triste ver o mundo novamente aprendendo que Dom Sebastião está morto pra sempre.
Há braços!
Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
Ô azar danado, sêo…
Então você vai para a praia com sua família, curtir um veranito de buenas, tira fotos para nunca se esquecer daqueles momentos mágicos e toda essa pataquada sentimentalóide que nós não escapamos, e numa foto dessas dá o azar de pegar uma criatura num momento de coçada tão íntima.
Ô azar danado, sêo…










