No ritmo dos bons negócios
Feira Brasil Central Music 2008, que terá entrada franca em todas as atividades, espera promover a abertura e ampliação do mercado para músicos e produtores de Goiás
O Centro Cultural Oscar Niemayer, em Goiânia, será palco, de 18 a 20 de novembro, da Feira Brasil Central Music 2008. A ação é uma iniciativa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae em Goiás), em parceria com o Comitê Gestor do Projeto Economia Criativa da Música (BCM) e o Centro Cultural Oscar Niemayer. A entrada é franca para todas as atividades.
Segundo Marco Antônio de Mello e Cunha, gestor do projeto e coordenador da feira, o evento terá área para a comercialização de produtos (Feira de Negócios), ambiente para Rodada de Negócios e seminário, e dois palcos para apresentações culturais e shows musicais gratuitos.
Marco Antônio explica que o objetivo da Feira Brasil Central Music é fortalecer o segmento artístico do Estado de Goiás, com ênfase no aumento da renda e ocupação no setor. “A feira deve promover a abertura e ampliação do mercado musical nacional e internacional para músicos e produtores musicais do Estado, além de estimular a profissionalização entre seus empreendedores e trabalhadores”, afirma o gestor.
Composto por 11 entidades representativas do segmento musical em Goiás, o Comitê Gestor do Projeto Economia Criativa da Música espera que o evento seja a maior feira de negócios da música no Centro-Oeste brasileiro, segundo Marco Antônio. “Organização para isso não falta”, afirma o gestor, lembrando que a presença de compradores nacionais e do exterior é um dos diferenciais da feira: “A programação é rica em atrações e produtos.”
Fonte: Agência Sebrae de Notícias (ASN Goiás)
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Metal Heart Festival – talvez um monte de lições

Metal Heart Festival – talvez um monte de lições
Sábado dia 12 de julho o SANGUE SECO tocou no Metal Heart Festival, no Martim Cererê, organizado pela Cerrado Produções. Um sábado cheio de atividades do rock independente, porque além do Metal Heart ainda teríamos o lançamento do Cd do Sweet Racers no Egg Music e uma festa retrô no charmoso Estúdio República. Algumas vozes se ergueram reclamando da riqueza de oportunidades e da quantidade conflitante de eventos, mas realmente eu prefiro que tenhamos esse problema de muitos eventos do que problemas de nenhum evento. Público se conquista, alguns organizadores podem pastar um pouco mais para garantir sua credibilidade e espaço, mas isso é da atividade. Então que bom que tínhamos tanta coisa legal acontecendo na cidade.
O Metal Heart ia contar com shows do Corja, Truco 6 9 12, WWoolloonnggaabbaass, Black Drawing Chalks, Perfect Violence, Goldfish Memories e Matzeva (fazendo cover de Black Sabbath), que era o que mais se aproximava de Metal na verdade.
O que de início já impressionava porque misturava um monte de estilos diferentes, bandas que não são tão “bombadas” ou “hypadas” assim e que poderiam animar uma noite exótica. Exótica a começar do clima, frio pra diabo especialmente pra um quase-quarentão que esquece de levar uma jaqueta ou coisa mais quente que um lenço pra gripe. Se eu não tivesse ganhado a camiseta do InBleeding, generosamente presenteada pelo meu irmão Allan Paulino, certamente teria morrido de hipotermia. Também coopera para essa sensação térmica desajustada minha gripe teimosa que não me larga e um cansaço crônico de uma semana que foi intensa de viagens, treinamentos e atividades radicais amalucadas como rapel, travessia de rio, arvorismo, túneis e trilhas de pedra. Eu estava um bagaço.
Fui para o Cererê mais tarde, por volta das 21 horas, por causa das minhas atividades de pai de gêmeos. Realmente seria impossível sair de casa mais cedo e deixar meus dois tubarões colocando fogo na casa e endoidando a mãe, então atrasei o máximo minha saída para chegar mais ou menos na hora de tocar. Estávamos agendados para as 22 horas. Claro que eu imaginava um atraso, normal nesses eventos.
Cheguei às 21 horas e a segunda banda estava tocando, assisti a última música e voltei para o frio da noite. Interessante que não vi nenhuma pessoa fazendo a direção de palco, e a banda estava totalmente livre, tocando sem pressão nem encheção de saco para interromper o show ou coisa parecida. Pode parecer pelo comentário que eu acho que a direção de palco é um peso ou uma cruz a se carregar, mas não é bem assim. Festivais que tem várias bandas (todos né?) precisam ter um cuidado com o horário realmente, para evitar que as últimas bandas toquem para a manhã nascente e para alguns gatos pingados e bêbados. Mas algumas vezes isso é um saco, como quando abrimos o show do Tequila Baby. As primeiras bandas tocaram o tempo que quiseram, chamaram amigos para o palco, aproveitaram bastante, e na hora que subimos para tocar nossa meia hora, só nos permitiram 10 minutos. Um dos Sangues ficou putíssimo com a situação e até o baixista do TB comentou que tinha sido sacanagem conosco. Vida que vai…
Sem direção de palco achei que o troço ia degringolar, mas aí veio a primeira lição da noite: rolou certinho. As bandas parecem que se organizaram, mas sem conversas ou combinações e ninguém estourou o tempo do outro. Todo mundo tocou na hora certa, sem correria, o set inteiro e ninguém estressou. Incrível! Ou seja, é possível que as bandas se respeitem, façam o que pretendem fazer e tudo corra bem. Nesse ponto eu preciso reconhecer as bandas que tocaram antes do Sangue Seco porque nos entregaram o palco com um atraso mínimo e sem nenhum stress. Como fizemos com os próximos. Isso foi a primeira lição da noite.
Depois subiu a Truco 6 9 12, que eu ainda não conhecia. A primeira vista achei aquele negócio de tocar de chapéu de palha bem palha mesmo, mas não comprometeu porque o som dos caras é bom demais. Gostei muito da banda. Tudo bem que começar o show com covers é sempre um risco grande demais, mas eles não se prejudicaram consideravelmente por isso. Eu sempre quis fazer uma música com o nome da nossa banda, que virasse um hino tipo “Iron Maiden” é um hino nos shows dos ingleses, mas sempre fico com medo da música ficar fraca, uma bosta mesmo e eu ter que carregar essa cruz. Pois os caras do Truco6912 fizeram uma música com o nome da banda, e é a melhor música deles! Eu só achei que repetir o refrão 6865 vezes foi meio demais, mas a música é ótima e muito disso se deve ao magrelo guitarrista que é infernal em seu instrumento. Algumas vezes parecia AC/DC naqueles riffs infernais, e eu apreciei bastante o som. “Teletubbies” tem uma letra daquelas que tenta ser engraçada falando palavrão, que eu acho um saco, mas a grande sacada é a repetição de uma frase várias vezes (“Agora eu vou dormir gostoso”) como acontecia no programa da Tv. Legal! Aí eles cometem uma música que começa sertaneja, modona, e vira rock. A parte sertaneja é desastrosa, mas rock os caras sabem fazer e salvam a composição. Gostei muito dessa banda de nome regional e triste. É, não gosto do nome, mas dane-se! Não preciso gostar do nome mesmo e isso não muda nada pra banda.
Depois foi a vez do Perfect Violence, cada vez mais violento mesmo. Nanderff é o símbolo maior dessa banda, um baterista preciso, violento e impressionante no seu carisma, algo não muito comum em gente que se esconde atrás dos pratos no fundo do palco. O som dos caras é muito bom, mesmo eu não sendo expert nessas coisas mais modernosas, ao menos para um dino-punker-preguiçoso como eu. Agora uma coisa eu sempre soube e só confirmo a cada dia: vocalista que fala demais em show, acaba falando merda. E tem umas coisas que não precisa, mas teve gente elogiando os discursos do Pavel, então tem gente que gosta. Eu acho bobo.
Eu até agora não encontrei o organizador do festival, devo admitir. Conversamos por emails e scraps e não conheci o doido lá na noite do show, mas tudo correu bem. Fizemos nosso show, o som estava massa (Torreal, do Cicuta, ficou impressionado com a qualidade do som!) e nos divertimos muito. O público é realmente o que existe de melhor nessa cidade, cantando junto, pulando o tempo todo, rodas insanas com moleques de cueca e tudo isso empolga a banda, claro (hum, isso soou mal; “meninos de cueca empolgam a banda”. Explicar agora só vai piorar. Melhor fingir que não disse isso e torcer pelos corações pacíficos desse mundo para vencerem a batalha contra o mal e a maledicência.). Fizemos o set inteiro que havíamos planejado e “forante” alguns deslizes nossos típicos, o show foi super legal.
Eu vi muitos comentários de gente falando que o festival estava vazio, e não concordo. Não sei nada sobre números da bilheteria realmente, não tenho idéia dos dados financeiros e se os organizadores empataram o investimento ou tomaram a famosa ré, mas não achei vazio. Temos o hábito de comparar com festivais que lotam o Cererê como foi o Rock Solidário ou os Bananadas da vida, mas isso não é o padrão em lugar nenhum do mundo. O Metal Heart teve agora sua primeira edição, não tinha nenhuma banda estourada, nem nenhuma mega atração de fora do estado, então para essa realidade teve um público bem legal. Falo porque quando tocamos o teatro estava bem cheio, não lotado, mas bem cheio. O suficiente para empolgar a banda, e isso é o que conta, a interação entre as bandas que tocam e o público. O diabo é que o Cererê é grande do lado de fora dos teatros, principalmente se aquela área dos banheiros está liberada, o povo esparrama demais para tudo quanto é lado e dá a impressão de estar vazio. Eu já vi um show vazio no Cererê quando o MQN e Walverdes tocaram no Libertadores del Sur, tocando pra umas quinze pessoas no teatro. Dá desânimo realmente. E curioso que no dia que tocamos, abrindo o show para o Matanza, o Cererê tava duro de gente. Não tão curioso, era o Matanza, mega-sucesso em GoiâniaTown.
Então para shows pequenos ou médios, o Cererê tem a estrutura perfeita nos teatros, mas no ambiente externo é muito grande, muito espaço e dá a sensação de vazião. Esse é um ponto forte do Capim Pub, por exemplo, porque o ambiente limitado dá a sensação de muita gente sempre, e até os bocós que gostam de ficar na porta dos shows sem entrar, sem prestigiar as bandas e os organizadores, até mesmo essas antas dão uma impressão de lugar lotado ao Capim, porque a rua é estreita. Pode parecer besteira, mas acaba sendo importante quando orienta os comentários posteriores ao evento, e no caso do Metal Heart eu acredito que o público foi legal, principalmente considerando as outras atividades disponíveis na noite de sábado e o puta frio que estava fazendo. Com relação à relação entre tamanho do ambiente e estrutura para shows, temos agora o Projeto 777 do Danilo Tattoo, Vitor Yglo e Fal Vocêsabequemé; que promete um local bem bacanudo pra essas iniciativas. Pode ser a alternativa necessária para termos vários eventos na cidade e todos com avaliação de boa quantidade de público.
As bandas que tocaram na Egg são bandas de guris cheios de amigos e influentes na “cena”, portanto levaram muito público que seria do Metal Heart, e muita gente que depende de ônibus ou de andar para ir para os lugares desanima ao sair no frio. Melhor comprar um vinho e beber debaixo da coberta, de preferência embolado nas pernas de uma bela morena, e nessa hora quem quer saber de ir assistir um monte de barulhentos no palco? Talvez bons amigos, como o Allan, talvez mulheres amadas e amantíssimas, talvez gente que realmente goste dessas bandas, mas muita gente deve ter desanimado com tanta coisa interferindo. Sem falar que estamos em julho, e muitos roqueiros já devem estar rebeldes nas praias do Araguaia ou na fazenda da vovó.
O evento foi legal, merece continuidade e a organização não cometeu nenhum grande desastre. O patrocínio de uma marca de cerveja que não é muito apreciada gerou reclamações, mas acho que o frio atrapalhou mais o consumo da cerveja que o apurado gosto refinado dos roqueiros da cidade. O som estava muito bom, as bandas foram bem legais e o público foi diversificado e animado. Resumo da ópera? Parabéns aos envolvidos e muito grato aos organizadores.
Legal perceber que mesmo sem querer, tem gente que nos ensina tantas coisas.
Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
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BATALHA DE BANDAS - esquisito ou ousado? Ambos!

Fui convidado para ser jurado de uma batalha de bandas. De início pensei “Que pôrra de diabo de troço maluco é isso?”, e achei esquisito mesmo uma batalha entre bandas. Mas como juízo é coisa rara no mercado, topei a empreita. E foi fácil topar porque fiquei sabendo que além de mim ainda teriam outros lunáticos julgando essas bandas batalhantes, gente do quilate de um Pedro “Beborrível” Fernandes e uma Eline “Devilwoman”, então quem seria besta de perder um troço que parecia tão divertido assim? Eu não. Topei e recebi o material, mas antes de continuar na minha saga deixa explicar direito que tromba é essa de banda batalhar.

O pessoal da M7 Produções Independentes - http://www.m7prod.blogspot.com/ - que inventou de inventar isso agora, um concurso de novos artistas, novas bandas e gente atrevida que se mete a fazer música na cidade de Goiânia. Além de ser uma idéia esquisita – colocar as bandas para brigar? – era também uma idéia grandiosa, porque não seria simplesmente um fight entre roqueiros mal-cheirosos e mauricinhos playmobils, mas um festival de três pedaços diferentes. As bandas tiveram um período para se inscrever na maluquice, mandando seus materiais e releases e fichas de inscrição, depois disso tem uma festa (que por sinal é amanhã, dia 20 de junho) com shows de várias bandaças da região. A festa vai se chamar “Battle in the storm” e essas são as atrações da bagaça:
Black Drawing Chalks - www.myspace.com/blackdrawingchalks
Poser Pride - www.myspace.com/poserpridebaby
Wild Inc - www.myspace.com/wildincorporation
SHAKEMAKERS - www.myspace.com/shakemakers
Além do djidjêi Leandro Porto incendiando pick-ups e mentes durante a noite toda.
E aí vem a batalha mesmo, propriamente dita, que vai rolar no dia 21 de junho próximo, sábado agora, que vai contar com shows de 10 bandas/artistas selecionados por jurados competentíssimos e probos, e esses 10 lokis irão disputar a audiência do público para ganhar o Santo Graal da noite. Mas além das 10 escolhidas – que daqui a pouco eu apresento para quem ainda não conhece – teremos shows de várias bandas legais da cidade. De novo!!
Essas são as bandas convidadas:
200 Motéis – www.myspace.com/bluesandroll
Bad Luck Charmers - www.myspace.com/badluckycharmers
Bang Bang Babies - www.myspace.com/bangbangbabies
Motherfish - www.myspce.com/motherfish
Orquestra Abstrata - www.myspace.com/orquestraabstrata
Yglo - www.myspace.com/yglobrasil
Qual é o cálice sagrado da noite? O Primeiro lugar vai ganhar a gravação de duas faixas em estúdio profissa e com acompanhamento dos produtores do festival, coisa fina! O segundo e terceiro lugares ganham o direito de gravação de uma faixa. E aí o ranzinza ledor disto fica pensando “Que losna de prêmio é isso?” parecendo que seja pouco, mas quem tem banda sabe a importância de um material bem gravado para divulgação, para participar dos festivais que rolam no país afora e para registrar o trabalho tão suado desse povo todo. Sem falar que gravar uma faixa não é brincadeira gratuita como o parquinho do Mutirama, tem grana rolando para fazer isso e em alguns casos não é pouca grana.
Prêmio adequado a quem interessa, e a maior prova disso é o tantão de gente que se inscreveu e o tantão de gente que ficou resmungando e lamentando porque perdeu o período de inscrição.
Claro que um trabalho sério desses não poderia contar com a avaliação apenas desse escriba de quinta que lhes apresenta os dados e um radialista desclassificado como o Pedro “Reator”, certo? Então para apimentar a disputa com qualidade e competência, foram chamados Gustavo Balduíno que é produtor musical (e não é aquele ranzinza mauzinho comedor de cupim do orkut. Hahahahahaha) e o Zezé Mascarenhas que é empresário de uma porrada de bandas, dentre elas algumas nacionalmente conhecidas como o Jota Quest (que tocou ontem no Mineirão no fiasco da seleção brasileira); e que vem lá de Belorizona para valorizar o trabalho da molecada que for ao palco.
E eu pensei que seria fácil jurar esse negócio, mas me enganei redondamente. Recebi o CD com as 33 bandas pré-selecionadas e já me surpreendi com uma coisa: a qualidade da gravação não era critério de seleção. Ou seja, o maluco podia gravar num toca-fitas velho, converter para wma e depois para MP3, colocar tudo num Cd fuleiro e enviar, e isso garantia a participação do sujeito. Loki, não? Abre um espaço gigante para quem não tem condição de gravar um material legal.
Porque seria uma puta incoerência exigir uma gravação legal para participar, afinal de contas o prêmio não era justamente uma gravação decente? Isso já era sinal de que quem participasse não tinha condições de fazer uma gravação dessas do próprio bolso. Então algumas gravações eram realmente toscas, mas com idéias legais, criativas, sacadas bem diferentes em alguns casos e alguns velhos clichês requentados.
Tinha muita coisa boa, e tinha alguma coisa que era ruim, chata de ouvir mesmo. Mas o compromisso assumido com o Marcus tinha que ser levado a sério, afinal de contas o cara vinha sendo de um profissionalismo ímpar. Mandou instruções, orientações, manteve o canal de contato sempre aberto, sempre foi disponível, ágil e educado para esclarecer minhas dúvidas, aceitar minhas sugestões e dialogar de forma bem disposta. Eu já tinha avisado pra ele que me convidar não era uma boa idéia, porque eu sou chato pra diabo e ia acabar pentelhando ele demais. Ele topou e agüentou minha rabugice o tempo todo. Figura resistente essa!
Então ouvi tudo. E posso dizer sem peso na consciência que tenho as minhas favoritas dentre as 10 indicadas e selecionadas, claro. É muito bom ver que tem muita gente nova no pedaço fazendo coisa legal pra caramba, e que ainda não conseguiu espaço para mostrar o trabalho. O BATALHA mostra esse espaço para esse povo que tem trabalho legal e que precisa aparecer urgente.
Tem coisa que ouvi e recomendei mesmo sem gostar, mas por ver que o troço era bem feito, tinha dedicação e suor. Porque não basta fazer para merecer confete, porque tem muita gente fazendo porcaria e querendo luz de pino no palco. Não é assim.
Sim, é preciso reconhecer aqueles que se lançam a botar a cara a tapa, mas reconhecimento não é elogio, e elogio merece quem faz coisa que presta. Mas coisa que presta não necessariamente é coisa que eu gosto, entendeu? Fui o mais isento e cuidadoso possível, evitamos contato entre os jurados durante o período de avaliação (Pedro, agora você pode me pagar a grana que me deve!!! rsrs) e dez bandas foram apontadas como as batalhadoras dessa idéia estraña.
São essas as bandas selecionadas:
Baltazar - www.myspace.com/baltazargo
Difuse - www.purevolume.com/difuse
Graboids - www.myspace.com/graboids777
Impune - www.tramavirtual.com.br/impune
Inflecto - www.myspace.com/inflecto
Just another Fuck - www.myspace.com/satanicterrorcore
Mahablue - www.orkut.com/Community.aspx?cmm=26771996
Sanguinea - www.myspace.com/bandasanguinea
Sapo Verde – www.tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=36221
Ultravespa - www.myspace.com/ultravesppa
Mas afinal porque eu estava achando a idéia esquisita? É que me soou esquisito as bandas brigando por um contrato, uma gravação ou coisa parecida. Não parecia combinar com o conceito estereotipado de rock, entende? Mas aí eu parei pra pensar e me lembrei que rock é lugar de caminhoneiro branco dançando música de negro e destruindo o quadril. Rock é lugar de cara comendo a prima menor de idade e casando com ela, para desespero dos puristas. Rock é lugar de homens com mais maquiagem que as “meninas” do Trovão Azul e posando de machões. Rock é lugar de cara barbado e velho usando roupinha de ConanOBárbaro e sendo idolatrado. Rock é lugar de tanta coisa bizarra, que a regra é não ter regra, então que se dane e que venha a batalha das bandas.
No orkut – onde mais? – já apareceu até banda provocando as outras, chamando para o duelo, tudo de forma legal e descontraída, então parece que esse evento vai ser uma festona cheia de amigos, risadas e descontração. Para minha surpresa não surgiu até agora nenhum “corajoso” reclamando das escolhas ou questionando a nossa lisura no processo, o que seria perfeitamente normal em se tratando de escolher alguém e preterir outrem.
E a idéia é tão positiva que ainda apareceu um monte de gente apoiando e patrocinando o negócio. Gente como esses aí abaixo, marcas que você vai investir e gastar sua mesadinha com satisfação. O que eu estou dizendo é “Compre desse povo como uma louca!!”, sim, é isso mesmo! Porque esse povo que apóia o rock merece muito mais os seus tostões que outras marcas que não apóiam, não incentivam e ainda te tratam como um refugo de freakshow. Então anota bem o nome desse povo e trata de fazer o caixa deles tilintar feliz!! Hipocrisia é fingir que eles não dependem da sua grana, maluco!
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E o melhor de tudo, o local onde vai acontecer a parada toda. O Omelete Hall, que fica na Av. dos Alpes n.1822 - Jardim Europa
(Próximo, mas muito próximo mesmo ao Terminal Bandeiras). Mais um lugar que acredita e abre as portas para o rock, e mesmo tendo muita gente assustada com um show desses no lugar, pode crer que a festa vai ser bacanuda.
Uma coisa que precisa ser dita sobre o BATALHA é que a escolha das bandas ficou super eclética; tem rock de vários tipos e sabores, misturando tudo num balde para satisfação de quem vai lá para torcer e votar na sua banda predileta.
Vai ser uma festona, ô pá! Aparece lá e confere. A idéia é diferente? Muito, e por isso é bom, a gente gosta de coisa diferente.
Então agora LET THE RUUUUUUUUUUUUUUUUUMBLE BEGIN!!!!
Há braços!
Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
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Bananada 2008 - sons novos e velhuscos. Boa receita!

Bananada 2008
Houve um dia, num passado remoto, um evento em GoiâniaTown que reuniu uma fauna riquíssima e variada de músicos, artistas, wannabes, integrantes de inúmeras tribos e muita gente que nem sabia bem o que ia acontecer. Na verdade pouca gente sabia o que ia acontecer, tamanha a quantidade de sons novos, desconhecidos e curiosos que correriam olhos pelas próximas noites no Martim Cererê.
Quer uma boa prova de que muitos estavam completamente perdidos com o que ia acontecer? Um dos jornais televisivos da cidade, que passa na hora do almoço, teve a calma de divulgar o festival, anunciar algumas atrações e no final da matéria divulgar o local e informar que os shows teriam ENTRADA FRANCA. Eu ouvi aquilo enquanto almoçava e fiquei sem entender, então porque eu tinha uma credencial se o festival seria entrada franca? E porque o Fabrício, o Razuk ou o Bigode não estavam andando em camisas de força por fazer um troço desse tamanho sem cobrar nada? Para variar um equívoco da grande mídia, a mesma que uma vez informou que o Imperador Dom Pedro II havia descido de sua carruagem apoiado em duas maletas. Na verdade o jovem imperador havia descido apoiado em duas muletas, pois estava com a perna ferida. O jornal, pressuroso em consertar a lambança soltou uma nota no dia seguinte informando que o imperador não havia descido apoiado em duas maletas, mas sim em duas mulatas!!! Ou seja, desde o Brasil Império gente da imprensa vem fazendo cagada, imagine em tempos onde blogueiros podem escrever o que bem entende e você vai entender o tamanho do risco existente hoje. Mas tudo em nome da liberdade de expressão, que eu me aproveito com galhardia. Segue o enterro…
Fui ao Cererê na sexta-feira interessado nas novidades, mas com uma certeza: não ia conseguir assistir todos os shows da noite. Primeiro porque estava moquiado, cansado, quebrado com a correria que – muito felizmente – virou minha vida profissional, viajando pelo país sem tempo de respirar e com prazo sempre para ontem. E outra coisa, eu havia aprendido com o Leo Razuk, que é jornalista de verdade, que cobertura boa não precisava ter todos os shows comentados. Como membro de banda eu sei o tanto que é chato ler resenha de show e não ver nenhuma linha falando da nossa banda, mas eu sabia também que ninguém morria de frustração, então não ia assistir tudo e pronto.
Na minha chegada um segurança me aborda “EI VOCÊ!”, e eu pensei que ele ia tomar meu cantil de cachaça. Mas era o cara que eu comentei na resenha do Goiânia Noise, o segurança que teve uma super postura legal nos shows que antecederam o Sepultura. Eu pensei que a Monstro tinha mandado pelo menos o link para a Escudo, afinal de contas uma prestadora de serviços é citada em uma matéria – mesmo que blogueira – e isso é uma oportunidade legal de estreitar o vínculo. Mas os caras não mandaram, eu não mandei, ninguém mandou, e ele queria ver a matéria. Fiquei de achar e mandar pra ele, até hoje!!
A direção de palco feita pelos nobres Marlos “Japão” e Ynaiã me profetizava profissionalismo, educação e cuidado (em alguns casos muito cuidado, como no show do Ressonância Mórfica no Rock Solidário, lembra?).
Cheguei e o Bad Lucky Charmers estava tocando. Banda nova, galera confessando ser fã de muita gente que ia tocar no festival, mas nem por isso eles entraram de cabeça baixa ou com excesso de reverência. Rockão ganchudo southern 70´s que é bom de ouvir, tudo bem que a cara de seminarista dos membros da banda fica meio exótica com a pegada do som, mas é detalhe pequeno perto das lembranças de bandas velhaças que eu aprecio. A guitarra deu problemas, mas como dizia o Dee Snider “you can´t stop rock´n roll” e os guris continuaram suas referências clássicas. O vocalista me lembrava o Beto Cupertino com aquela cara de menino educado que os dois têm, mas o som não podia ser mais diferente. Gostei do som e gostei muito dos adesivos, apesar de que ninguém sabia dizer quem havia sido a modelo para os tais adesivos. Seria interessante entrevistá-la. rsrs
O Mugo entra em campo com o jogo ganho, porque o povo já adora a banda. E o que se espera de um show desses caras? Competência, precisão e violência. Muita violência, e eu até hoje me pego surpreso com a capacidade da garganta do vocalista que urra o tempo todo e não fica sequer cansado, o maldito. Bem verdade que a banda merecia horário melhor, porque tem competência e público pra isso, mas eles não se abalam e enfiam porrada nos cornos da platéia, até finalmente abrirem a primeira roda do festival. Quando tocam “Screams” a molecada canta junto, e é inevitável ver o sorrisão satisfeito do Léo Alcanfor, parecendo menino em loja de brinquedo. Na hora eu imaginei o motivo do sorriso, mas mesmo assim fui perguntar a ele depois do show, e confirmei minha hipótese: cara, é muito bom ver o público cantando uma música sua! Eu tinha passado por isso no Rock solidário e agora o Leo pode apreciar isso. Nada paga aquele sorriso feliz.
Fim do Silêncio é ódio. Ódio destilado, mais forte que minha saborosa cachaça jovem de Guapo. A roda que se abre no show dos caras é perigosa, daninha, maléfica, ninguém deveria sair dali sem sangrar, mas conseguem. Esses meninos de hoje são invencíveis! O Leandro – velho conhecido de outros festivais – cospe o tempo inteiro, mas de uma forma curiosa e um tanto escrota; ele cospe pra cima e engole de novo a bola de baba. Mas numa dessas o troço deu errado e ele acabou cuspindo na cara de um moleque, a cara de espantado do Leandro, os milhões de pedidos de desculpas e o cuidado dele com o guri babado contrastavam imensamente com a desgraceira que a banda cometia. Além dos cuspes, Leandro solta discursos hilários e num desses ele entrega o segredo da vantagem de ser vocalista de banda: não carrega nada em show, pode chegar por último e não precisa saber tocar pôrra nenhuma. O sindicato dos vocalistas já está organizando uma forma dele ser punido, fisicamente se for necessário, por ter revelado nosso segredo. Em meio ao show ele organiza uma roda meio-a-meio como o Korzus faz, mas num teatro do tamanho do teatro do Martim isso é temerário, felizmente tudo correu bem e os corpos que sobraram depois do show foram devidamente encaminhados para as famílias.
Jonas Sá é surpreendente. Tem propaganda do CD na Globo, vinhetinha bacaninha, mas o cara ao vivo é marcante. Primeiro porque ele não tem tamanho, tem horário, um e vinte, um e quinze talvez. O sujeito não é anão, não tem nenhum traço de nanismo, mas é pequenininho. Tanto que quando entrei no teatro achei que ele estava sentado, depois achei que tivesse sete anos de idade, e na beira do palco comprovei que o que lhe falta em tamanho ele compensa com culhões, postura e um som criativo. Quando ele canta “todo mundo pensa que ele é anormal” parece ser um texto de metalinguagem cínica provocando todo mundo que é burro feito eu e que tinha pensado bobagem pelo tamanito dele. Dança uma dança meio jamesbrown-on-crack, um troço esquizóide, ansiozzo e tenso, se valendo de poesias simplésimas mas eficazes na sua direção. A voz é limpíssima, a presença é imponente e me dizem no pé da orelha que a cozinha da banda é a mesma da banda de Caetano Veloso, um baiano que faz música e fala besteira de vez em quando. Respeitável. No meio do show ensaia um strip tease que se revela meio frustrante, mas ainda assim foi um toque de propriedade em sua ginástica da loucura, um rito diário.
Eu havia encontrado com o Luiz Maldonalle antes do show do InBleeding e ele havia me contado que iriam tocar 04 músicas. QUATRO!!! Isso por causa do tempo. Lembrei que com o mesmo tempo o Sangue Seco toca quase vinte músicas e dei risada. Peso, técnica, estrada e uma coesão estranha mas que funciona bastante. A receita é muito boa. Como todo guitarrista virtuose bom-pra-diabo que tem trabalho solo, o Maldonalle é teatral bragarai, faz poses, caras, caretas e cria drama com suas notas. Mas quando digo que é uma coesão estranha digo porque eles não poluem o palco, cada um ocupa seu espaço, Alan na frente, Itarlan do lado de lá, guitarra daqui e bateria ali, sem ninguém se trombar e interferir no espaço do outro. Ocupam com segurança e firmeza e isso passa uma imagem diferente do que estou acostumado a ver em bandas pesadas como eles. Mostram que não é preciso ficar correndo pra lá e pra cá para tomarem conta do palco. Abriram uma roda respeitável e ao final enfiaram uma levada meio funky sem-vergonha. Quando conversei com o Rubens no final do show ele disse que “o ar treme ao redor do vocalista”, então deve ter sido isso que emperrou a máquina de tirar retrato do Alan. Energia. Bom demais ver esse sujeito capitaneando uma máquina tão eficaz de pancada, com o braço esquerdo cheio de um tigre orgulhosamente vilanovense. Lembranças da Vila Bandeirantes, meu amigo!
Identidade é a banda, ou a parte da banda que acompanha o Júpiter Maçã, e por isso é inevitável ouvir gritos de “Toca Júpiter” no show deles. Mas o que me provoca a curiosidade é saber se existe alguém que usa roupa normal na parte sul do país, porque tudo quanto é banda que vem de lá tem um figurino no mínimo exótico, cabelinhos cuidadosamente ensebados e um jeitão mod, hype ou coisa parecida. O rock dos caras? Bom, legal mesmo. Não é nada que eu solte rojões, mas não posso negar que me peguei batendo o pé várias vezes. Rock dançante, setentão algumas vezes e muito bem feito. Imagino que uma festa com esses caras seria uma puta festa massa. “Dance” e “Você é a única garota que me dá prazer” (não sei exatamente o nome da música) é uma música fantástica, super legal, afudê (como eles dizem por lá). O vocalista é uma versão xerográfica de 30 kilos do Mick Jagger, e sua dancinha oscila entre divertida, patética e intensa. Complicado de entender? E quem disse que é fácil entender uma identidade?
Are You God?
Extremo. Realmente extremo. Deveriam avisar antes de entrar no teatro, alguma coisa para evitar que cardíacos, gente de estômago cheio e virgens entrassem e sofressem algum baque mais forte. A entrevista que eu tinha feito com eles havia sido um show de escárnio e sarcasmo, mas não passei recibo, afinal de contas quem tinha que brilhar na entrevista era o entrevistado e não eu. Então deixei quieto quando o João disse que “o país tem hoje grandes bandas como Fresno e NxZero”. Piada de humor negro do cara. João, o vocalista é cínico no palco, valoriza cada uma das entradas de voz nas músicas com uma presença de palco dramática e teatral. A camiseta esburacada do John Lennon ficou interessante naquele show. Assim como a participação típica do From Hell, que precisou ser cutucado para parar a poesia, senão o show acabava só com ele no palco.
O show do Johnny Suxxx eu não gostei. Achei que o Lucas fez falta com a segunda guitarra, o som ficou meio vazio e a banda não parecia mais a mesma, estava bem diferente. O baixista novo é legal, mas usa muito mais pose do que o necessário (e pose é necessária?) e isso fica mais na frente do que o som que ele faz. Relaxa, é só rock. João estava pesado, lento, e muito, mas muito louco. Já vi outros shows deles mais perigosos, mais tensos, agora parecia que não ia engrenar. Cabo desliga, pedal do bumbo solta, João se joga na platéia e eu fico na esperança de ver os velhos hematomas e machucões de outros shows da banda. Ficou na promessa, mas muita gente gostou. Eu não.
E muito, mas muito obrigado mesmo Mandatory Suicide!!
Que delícia ver essa banda de novo. Que delícia! Passe a semana ouvindo o cd de 93 “Shout to the crowds” que dentro troca as multidões pelos corvos, mas que mantém a qualidade. Homero, o menino maluquinho ranzinza do rock goiano, pede muito por ambulância e Samu, sendo que visivelmente eles estavam pilhados e inteiros. “Heavy é música pra jovens”… enfim, a piada tornou-se desnecessária, mas isso não empanou a beleza dos vocais desse menino enjoadinho. Como canta esse desgraçado!? Dá gosto ver que o tempo e a pausa gigante não tiraram o brilho, o ritmo e a graça dessa banda tão divertida e competente. Tocam alegres, dando risada, vozes afinadíssimas se contrapondo e num momento “beleza familiar” o filho do Leo Baiochi invade o palco e abraça o papai, todo orgulhoso.
“Shout…”, “Prepositions” e “Pain Forest” vêm num medley e eu me sinto de novo na faculdade, numa praça universitária cheia vendo show. Que viagem! E sem usar nada ilícito, só rock bem tocado e bem feito. Bem verdade que eu não gostei de ver essas músicas – a primeira e a terceira as minhas favoritas, principalmente “Pain…” – num medley porque encurtaram, cortaram e colaram para não encherem o saco. Podiam encher o saco, guris. “Pain forest” merecia ser tocada inteira, mas mesmo assim foi lindo ver aquele refrão novamente sendo bem pronunciado.
Homero junta histórias de Rick Wakeman com Vó Elza e isso dá a sensação de um pocket show, algo exclusivo, como se estivessem tocando no aniversário de alguém, o que seria um presentaço. Homero é famoso por ser chato, enjoado e pernóstico, todo mundo sabe disso, mas como é carismático esse anãozinho. Será uma regra? Gente carismática tem que ser chata? Pensei em três bons vocalistas e me assustei com a regra se comprovando, afinal Homero e Nobre são a regra escrita. O terceiro deixa pra lá, ele é muito chato. Foi o final de noite lindo que eu queria ter, afinal de contas eu só queria ir ao Banananada para ver esse show, e mesmo tendo visto outros shows legais, esse do Mandatory só teve um erro: ser o último da banda. Prefiro continuar torcendo que haja um comeback básico e eles voltem a tocar, mas se não rolar, esse show já valeu a pena.
No sábado preferi não ir. Mallu ia tocar e eu estava prevendo uma lotação exagerada, coisa ruim para gente da minha idade. Eu estava certo, o troço lotou brutalmente e eu fiquei em casa entre cervejas, pipocas, batatinhas e minha família. Fiz bom negócio, no final das contas.
No domingo eu cheguei no show do Big Nitrons, e logo de cara dá pra ver porque “Big”, porque o vocalista é gigantesco, pra todos os lados. O teatro cheio de confete e espuma já mostrava que o troço tinha começado na alta. Isso porque quando eu cheguei no Cererê encontrei o Fal, vocalista do Rollin Chamas caso alguém não saiba, e ele me anunciou “Cara, tá tocando uma banda muito louca de psycho”. E se o Fal acha muito louca, imagine o tanto que é louca mesmo! Fal achou louco!!! Puxam um beerbong e entopem dois malucos de cerveja, um deles o grande skatista Noturno, que sai da beira do palco com espuma de cerveja saindo pelos olhos e ouvidos. Normal! Encaminham o show tocando “um motorheadzinho” bem feito e encerram um show muito legal.
A Orquestra Abstrata era Seven. E chega, não falo mais nisso. Esquece o nome antigo e vamos em frente. E tem coisa mais canseira que isso: o bigode de cafetão do Aderson. O que é aquilo, minhanossasenhoradoperpétuosocorro!?? Imagino que logo surge algum rebeldezinho orkutiano falando que o bosta do blogueiro é um nerd viadinho que ficou olhando bigode de baixista. Como não olhar? E aí o rebeldezinho vai dizer que fiquei olhando o bigode e não vi mais nada. Não vi os sons space cake que o Kolody tirava além da guitarra, não vi a musicalidade fudidíssima do Paffa, não vi a banda com todos os espaços sonoros preenchidos e completados agora com o Danilo tocando laptop. Pior, o diabo do bigode me distraiu. Não vi nada. Foi tudo muito abstrato.
Bad Folks não é ruim. É até bom, mas me deu uma saudade dos malditos Downers. O som é parecido, mas… pôxa, não é tão bom. Mandaram o povo baixar o CD ao invés de comprar na banquinha e a molecada vibrou. Perfilaram o rock mezzo inglês e foram elogiados, eu saí no meio. Não é ruim, mas é que…. ah!
Os Shakemakers são uns bostas. Nenhuma banda consegue encher o teatro com tanta gente de banda, tantos músicos e todos rindo, com a cara feliz. A marca Insulto patrocina uns sorteios no show, isso é legal, mas nem chama a atenção porque o show do Shakemakers é grande demais. Em alguns momentos me lembraram um show do Camisa de Vênus lá dos anos 80, tamanha a energia e a qualidade do rock cometido. Sandoval “Shakerman” consegue ser cada vez melhor na frente dessa locomotiva, e isso impressiona porque ele nem se cansa. E é um band leader improvável. Neguinho feio, com cara de pobretão de periferia (nisso parece comigo), mas que vira um Carl Perkins ou coisa parecida no palco. Ou um James Brown? Ou um Little Richards? Shakerman anuncia que a banda só acaba quando ele morrer, e isso me deixou aliviado. Agora tomara que ele cuide bem da saúde e só morra com 239 anos de idade. Eu até fiquei pensando; quantos shows desses caras uma pessoa precisa ou merece ver em uma vida?? TODOS!! Não se pode perder nenhum, porque é sempre uma festa fantástica.
Eu estava com preconceito com o AMP. Imaginei que ia ouvir som regional, nordestino, mas o troço é tão pesado que me desorientou. Regional é meu ovo!
Big Trep, ou A Grande Trepada para os menos pudicos, é outra festa de alta octonagem. O baixão branco domina o palco e a alegria dos caras mostra que existe rock depois que os cabelos se encanecem e as juntas não obedecem tão bem. Eles não mostram sinal de tempo nenhum e conduzem a platéia com capacidade e fineza. Enfiam “Bad moon rising” nos tímpanos presentes, e isso me deixa com um sorrisão feliz na cara. Ê bons tempos!
O Lendário Chucrobillyman é um guri! Pensei que ia ser um cara velhão, com marcas de cicatrizes e bexigas na cara, com sinais de pactos feitos em encruzilhadas onde almas eram mercadejadas, mas que nada: um guri! Carinha de bebê johnson, mas rockão do demônio em pessoa. E canhoto ainda por cima! Sozinho no praticável tocando guitarra, bateria e cantando num megafone distorcedor de voz. Ele é o White Stripes inteirinho ali na nossa frente, sem a feiosa Meg nem o estranho Jack. Só Chucrobillyman e seu rock egoísta. Egoísta porque Pedro Reator depois me contou que na entrevista ficou sabendo que a idéia por trás da onemanband que o Lendário se tornou aconteceu por não agüentar mais os atrasos e as irresponsabilidades de membros de banda. O povo não leva a sério? Foda-se o povo! Toco sozinho. Que bom, não?
O show do MQN se aproximava. Eu vou ao banheiro e no banheiro químico ao lado do meu alguém liga um aspirador na potência 10. Acho que até a cor do banheiro foi puxada por aquelas narinas, e quando o MQN entra no palco o frito do banheiro se revela para a platéia inteira. Um sujeito de cabelão e camisa vermelha que pentelhou o show inteiro, ficando em pé na beira do palco, tampando a visão de todo mundo e quase beijando Fabrício Nobre em sua boca gorda. O show do MQN é mais do mesmo. Não acontece nada que me surpreenda ou choque, não tivemos arroubos, mas o rock duro e classudo estava todinho lá. Para alegria do empolgadinho de blusa vermelha e olhos pintados.
Pra mim já era suficiente. Ainda teríamos a Banda da Eline fechando o festival, e eu queria ver isso, mas segunda-feira é sinistra para quem tem que enfrentar o batente, então já era minha hora de pegar o beco.
Na saída já via gente indagando quem seriam as bandas de fechamento do próximo ano. Povo exigente, sêo! O trem nem acabou e já estão querendo saber do próximo ano, mas na real eu também ando curioso. A lembrança da arte HQística desse Bananada e a riqueza de shows diferentes e sons novos promete um futuro cheio de esperança.
Então vamos esperar.
A propósito, esse Bananada aconteceu muuuuuuuuuitos dias atrás, mas quem disse que eu tive condições de falar alguma coisa antes. Relevem, usem o texto como um exercício saudosista. Hahahahahah
Há braços!
Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
P.S. - as fotos eu coloco depois aqui no blog. Eu achei que estivessem no laptop mas descobri que não estão. Então fica pra depois. Continue vindo aqui, buana!
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1º Rock Solidário, uma aula!

1º Rock Solidário, uma aula!
Isso não se trata de uma resenha de shows, definitivamente. Quero falar do festival, porque não vi todos os shows, e porque – se formos ser bem sinceros – em comparação com a idéia, o conceito do festival, os shows foram bem “os mesmos”.
Explico melhor, claro que tivemos pontos altos e altíssimos nos shows (que eu assisti), mas não aconteceu nada de outro planeta que chame a atenção. Mas o conceito do festival e o que aconteceu lá dentro, mesmo fora dos shows, isso sim é digno de nota, comentário e reconhecimento. Estou falando do 1º Rock Solidário, organizado pelo Tatoo Rock Fest (leia-se Danilo) e amparado por pessoas de altíssima qualidade como o Mago Hamlid, Rodolfo Morais, Pedro Fernandes e uma equipe competentíssima que o Danilo agregou. Um termo que vem sendo tão utilizado ultimamente mas que para muitos ainda precisa ser realmente vivenciado em iniciativas as mais variadas possíveis: doação de alimentos, de cobertores (Rock de São João vem por aí), de trabalho, de ajuda, de carinho, de tempo, tanta coisa que temos de sobra e que falta para muita gente pelo mundo.
Dizem que energias negativas atraem energias negativas, pois nesse sábado em questão ficou provado que energias positivas atraem muito mais energia positiva. A vibração de um lugar que ficou marcado pelo sangue de oprimidos politicamente sempre foi extremamente delicada, em muitos momentos sinistra mesmo, mas agora eu tenho plena certeza que o Cererê foi purgado, exorcizado, limpo definitivamente. Uma limpeza definitiva, definitiva como uma tatuagem, cabe comentar.
Para mim já seria bastante legal porque teria show do SANGUE SECO e já não tocávamos desde o Goiânia Noise de 2007, e isso foi em novembro do ano passado. Estávamos enferrujados e saudosos do palco, da loucura dos goianos e da alegria de encontrar amigos, então você imagina o tanto que já seria bom tocar em um festival, e daí multiplica por quatorze (ou catorze?) para entender o tanto que foi bom tocar no Rock Solidário.
Eu queria ter chegado bem mais cedo, para matar a saudade do ambiente e das caras que estariam presentes, mas sabadon foi dia de turno dobrado e eu trabalhei até as dezoito e tantas, correndo ainda para comprar presente de Dia das Mães para Minha Delícia, que é a bela mamãe dos meus tubarõezinhos. Nessa pilha eu corri para o shopping – já sabia o que ia comprar – e depois fui para o Carrefour para ganhar tempo. Sabe aqueles sanduíches que eles montam na porta do Carrefour? Um pão baguete e uns troços jogados dentro, isso não podia demorar mais que um Subway, McDonalds ou Burguer king, então para ganhar tempo fui para lá. Não podia demorar, mas demorou. Uma pobre alma totalmente inimiga de números trabalhando no caixa, apanhando feito uma condenada dos preços, da calculadora, da caixa registradora, do diabo a quatro. Um sofrimento, e se eu não estivesse prestes a cometer uma chacina teria ficado até com pena da jovenzinha. E uma outra senhora – apenas uma – para montar sanduíches para uma fila do tamanho da minha fome. Não, maior; do tamanho da minha pressa.
Eu ainda estava praticamente de terno e gravata e não teria outro lugar para me trocar, então enquanto dava bocadas desesperadas e ansiosas no sanduíche, ia trocando de roupa dentro do carro, no estacionamento do Carrefour. Dureza! Com toda essa demora para pegar o maldito sanduíche – que nem é tão bom assim – acabei chegando no Cererê e perdendo meu principal interesse: uma vaga de estacionamento pertinho do portão.
E minha preocupação ficou ainda maior quando não vi ninguém cuidando dos carros, nem os malas habituais que ficam por lá. Olhei para meu carro com dor no coração, ainda nem paguei e já corria o risco de ficar sem ele. Mas quem tá no rock é pra se fuder mesmo, fui para dentro do Cererê. E quando entrei já tinha lá aquele tanto de gente bacana que eu sentia falta, além de Heinekens geladas como há algum tempo eu não via. Não venho tomando muita cerveja ultimamente e o sábado foi uma volta pra casa quando encontrei a Heineken. Cerveja boa dos infernos!
O Hate FOrrrrr (pronúncia de inglês de goiâniatown) Pride já estava tocando e eu não consegui chegar até o teatro, porque queria cumprimentar o povo e aí alguém falou que tinha fliperama. Fui correndo, mas me decepcionei, porque imaginei que teríamos Cavaleiro Negro, Equinox e Polar Explorer, clássicas máquinas de fliperama do meu tempo de guri (e isso não quer dizer Idade Média, ok?). Mas fliperama de bolinha e flipper, que eu era viciado no segundo grau (hoje acho que é ensino médio, ou ensino mais ou menos, algo assim) e que já não jogo tem uma cara. Decepcionei porque lá havia vídeo games que não foram minhas preferências em tempo nenhum, o Street Fighter em duas versões e outra coisa que não me chamou a atenção. Eu não pisquei, mas sei de muita gente que se esbaldou no troço, e honestamente falando foi uma puta boa idéia. Além do fato das máquinas de vídeo game estarem posicionadas numa boate. Sim, isso mesmo! Uma boate rolando sons eletrônicos, rávicos, Michael Jackson e muita dance music, que fez muito roqueiro com carinha de mau e cabelinhos cuidadosamente molhados requebrar bastante e descer até o chão. Super legal ver que a galera não ficou com frescura de preconceito e botou pra quebrar na “boite”.
Aí ia começar o show do Mortuário e eu corri pra ver. Além de serem grandes chapas meus, o Mortuário é uma banda que eu escuto desde 198….. putz, tem tempo! E quando entrei no teatro levei um puta susto, porque achei que o Nikimba tinha reencarnado e estava no baixo da banda de novo. Mas passou rápido, porque os olhos se acostumaram e eu vi que era o Luiz, guitarra do Ressonância Mórfica, que estava no baixo do Mortuário. E o Luiz também não é tão feio quanto o Nikimba era. Maldade das minhas sensações.
O show do Mortuário nunca esteve tão bom. Se aquilo era um sinal do que seria o festival dali em diante, o sinal era luminoso e estava rindo pra mim. O show do Mortuário nunca esteve tão bom. Parece que eu já disse isso, eu sei, mas é que o show tá bom ao quadrado mesmo. A banda está afiadíssima, Giovanni é aquele cirurgião preciso e selvagem de sempre, Foca – com um gorro reggae horroroso e fedorento – ainda aumenta a temperatura com os backing vocals mais inusitados que eu já vi; mas não podemos negar que a presença forte, grande e pesada da banda é o vocalista Aurélio, meu advogado de estimação.
Aurélio vem cantando cada vez melhor, e não estranhe ouvir falar em “cantar” numa banda como o Mortuário, porque o cara realmente faz cada sílaba ser entendida, com uma raiva e de forma tão gutural quanto possível e ainda assim cada pedaço das letras – que não vão ganhar prêmio nenhum de literatura, mas dane-se – chega audível e compreensível para a platéia. Que cabe comentar era um caso a parte, já incendiando o teatro, pulando, urrando, fazendo uma roda linda de se ver (mas não de entrar nela, não tenho idade nem peso pra isso). Aurélião ainda cantava com uns óculos escuros cafajestes que completava o personagem. Sem dúvida o melhor show dos caras que já vi nesses últimos vinte e tantos anos.

Aí entrou o Cicuta do Leandro “Torrone” Real e dos ex-hangs Fredé e Migué, que com esses nomes podiam até montar uma dupla sertaneja, né não? O som dos caras é herança direta da banda falecida, não dá pra negar, mas isso longe de ser demérito é uma saudável atitude. A gurizada gosta muito, e eles ainda aumentaram a saturação, o ruído, a sujeira, e foram aonde o HTS ainda não tinha conseguido chegar. Se eles colocarem duas gurias pra tocar no show o povo invade o palco e violenta as duas, porque se o HTS era engraçado e alto astral, o Cicuta rasteja em cacos de vidro, com cara ruim, com sorriso cínico e um baixão grosso. Não falo do Migué, não entendo tanto assim de bateria. Respeito, e muito.
E aí era o SANGUE SECO. Banda de Dino que fica muito tempo parada paga um preço, e nós pagamos. Erramos em coisas que nunca antes havíamos errado, mas quer saber? Foi um show divertidíssimo pra gente. Logo no começo, quando fazemos o insert de “Holliday in Cambodja” do DK na nossa música “Gado”, o palco já foi tomado, eu fui expulso do microfone e um afoito mais desesperado destruiu o pedestal do microfone. Eu nem estava me lembrando da letra direito, porque estava tão empolgado vendo aquele teatro cheio e o povo na roda de ráticóre, que desconcentrei do meu serviço. Marcão, do Ressonância, disse que a roda no show do Sangue Seco tava “fazendo vento” de tão intensa. E aí teve de tudo, eu chutei o Flávio para ele fazer os backings, Guga mudou as notas de “Sexto Minuto” – dedicada aos meus tubarõezinhos, que fazem parte da música no nosso cd com o som dos seus corações -, Bocão fez o que Bocão faz e eu ria sem parar. O povo cantando nossas músicas! Isso não tem preço, nunca vou conseguir esquecer isso. Gente tirando fotos, cumprimentando e foi um retorno digno de muita alegria. Curtimos muito o show. O povo cantou nossas músicas junto com a gente!!
Aí eu não vi o show do Technicolor porque fiquei no bar conversando, e ouvindo comentários sobre o show. Mas depois vinha o Ressonância Mórfica e o céu fica até pesado na hora de começar o show dos caras. Então o chamado para entrar no teatro não é um chamado, é uma invocação. Fui para lá e o caos já estava instalado. Impressionante o controle que o Marcão tem da platéia, porque ele canta um estilo de música que exala ódio, destruição, mas entre cada música ele manda umas idéias generosas e ponderadas para a molecada da platéia. Criticou os críticos, que reclamam de barriga cheia e não fazem nada, orientou o povo a participar de mais atividades como o Rock Solidário e no final chamou o povo pro palco. Aí o Marlos assustou.
Explico, o Marlos Japão estava fazendo a direção de palco e já tinha ficado chateado – com razão – quando o pedestal do microfone foi quebrado em nosso show. Eu fiquei chateado também, mas ele estava trabalhando e a responsabilidade era dele. Chato mesmo. E aí quando o Marcão fala “sobe no palco” e subiu uma horda de bárbaros de mais de 50 caras, pulando, rodando e batendo cabeça, foi demais pro Japão e ele pediu pra parar. Mandou o povo descer, pôs ordem no barraco. Mas sabendo do poder de influência do Ressonância eu acho que não ia acontecer nada drástico, mas ele preferiu controlar o que parecia fora de controle. Deu uma esfriada no show, não dá pra negar, mas já estava no final então Marcos e seus cúmplices soltaram mais uma canção e fecharam com chave de ouro, ou melhor, com chave de ossos.
É, também não vi Black Drawing Chalks, uma droga isso porque eu gosto muito da banda. Enfim…
Depois veio o Necropsy Room. Não conheço muito de death metal, sempre achei o troço muito venenoso para minha compleição brejeira, mas reconheço quando alguma coisa é bem feita. Eu havia visto um show dos caras em Palmas e já tinha ficado impressionado com a precisão e profissionalismo que eles fazem as coisas, e sabia que o Jander é um cara que muitos amam odiar. Como isso acontece comigo também, e eu procuro cultivar cuidadosamente os meus detratores (amigos e amantes traem, inimigos nunca traem. Uma vez inimigo, sempre inimigo! No-no se esqueça disso, babalú!) procurei saber os motivos para não se gostar do cidadão tatuador, e vi que muitas coisas que são motivo de revolta do povo com ele são coisas que eu respeito e valorizo. Nem vou me alongar nisso para não alimentar corvos, mas percebi que grande parte da birra é isso, birra. A banda é coesa demais, pesada como a mão de deus e tem uma puta presença no palco. As clássicas e clichês atitudes metal de bater cabeça, de erguer os dedos em chifres, de fazer cara de mauzão, tudo isso soa natural aqui, porque parece ser extremamente autêntico. Aquela coisa de viver o que se faz realmente, e no fim de tudo, mesmo sem entender nada que o vocalista cometia eu comecei a apreciar o show dos caras. Gostei mesmo, mais uma vez.
Eu já estava podraço, praticamente bêbado (além das Heinekens eu havia encontrado um outro grande amigo meu: meu cantil de cachaça mineira. E já tinha ido ele todo nesse hora) e cansado como um mouro. Mas queria ver o Vougan, por tudo que já tinha lido de elogio para os caras, e pude ver que não havia exagero.
Já é um som que eu conheço um pouquinho, porque ouvi esse tipo de metal na minha adolescência, com vocais melódicos bem colocados, mas muito peso, velocidade e técnica na execução. Não escuto muito isso atualmente, mas reconheci ali algo que me divertiu muito. Puta bom show, realmente profissional. Um festival que ia terminando em altíssimas notas.
Não agüentei a última banda, e gosto muito de Creedence, mas o corpo mandava muito mais nessa hora e eu obedeci.

Mas por incrível que pareça não é uma resenha de shows, sim do festival. Todos esses shows foram dessa qualidade porque havia uma galera de alto astral e muita competência ralando bastante para fazer acontecer certinho. Curioso que você não via um “Capitão do mato” vigiando os trabalhos e correndo de lá pra cá, cada equipe parece que sabia exatamente o que tinha que fazer e realizava isso com competência e alto astral. Um bom exemplo era a sorridente, gentil e educadíssima Denise que estava no bar; nunca uma cerveja foi entregue com tanta doçura e com um sorriso tão genuinamente bom. Foi tudo perfeito? Claro que não, isso ainda não existe, e tivemos filas no bar, tivemos falta de água no Cererê (culpa da manutenção e do abandono, claro), tivemos carros roubados no estacionamento, NÃO TIVEMOS ACARAJÉ e tivemos um quase caos anunciado na portaria.
Um festival com bandas excelentes (não inclua nesse comentário a banda que participo, não seria decente da minha parte. Falo de todas as outras) a um preço risível e com uma proposta de auxiliar entidades carentes tinha tudo para lotar. Mas não lotou, porque “lotado” não descreve aquilo, o troço encheu muito mais que isso. O Cererê estava DURO de gente em todos os lugares, porque os banheiros e a parte de cima não foram interditados como vêm acontecendo regularmente, então tinha gente espalhada até em cima das mangueiras, e a um certo momento da noite tivemos algumas centenas de pessoas na porta querendo entrar, e a produção teve que rebolar para esse povo não criar uma confusão na porta. Pontos para a produção que gerenciou a crise com educação e galhardia.
Mas os principais parabéns têm que ir para o público. Um monte de gente diferente, de tudo quanto é tipo, que lotou o lugar e não criou nenhuma, repito NENHUMA briga. Eu estava preocupado com aquele tanto de gente junto, com birita e demais aditivos, mas nada aconteceu de desagradável e a noite foi de uma paz de asilo. O povo de GoiâniaTown dá aula de civilidade nessas horas. Dentro dos teatros uma horda de lunáticos, mas sabendo conviver, interagir e fazer uma noite inesquecível.
O pessoal do Tattoo, Danilo capitão do time e sua equipe, estão de parabéns pela competência que geriram o evento, que arrecadou uma tonelada e meia de alimentos. Quero mostrar aqui as fotos da entrega dos alimentos depois, mas as imagens de uma noite solidária, positiva e cheia de vida já estão gravadas nas minhas memórias mais gentis.
E agora em junto tem o Tattoo Rock Fest. Vai ser nos dias 06, 07 e 08 de junho de 2008, no Goiânia Arena, aquele ginásio enorme ao lado do Serra Dourada. Os portões vão se abrir ás 12 horas todos os dias e vai rolar muita coisa marcante. Serão 72 horas ininterruptas de Tattoo, mais de 100 Tatuadores e Body Piercers (Brasil, Argentina, Japão e Itália), pista de Skate Ambiente (Mini Ramp e Street), dança do Ventre, malabares, Freak Show, suspensões, grafite, Art Fusion (que eu ainda não descobri que diabos é isso!), Desfile Underground e uma mega praça de alimentação (sushi bar, tapioca, churrasco, lanches diversos, sucos e batidas). Quer dizer, não tão mega assim, porque não tem acarajé. Talvez eu me concentre no sushi bar dessa vez, se o Marlos deixar sobrar alguma coisa.
A escalação de bandas também está competentíssima e já agradou o povo exigente e reclamão da comunidade GoiâniaRockCity. E isso sem querer agradar, porque esses caras têm mais o que fazer do que ficar se preocupando com opinião mimada de rebelde de orkut, mas já impactou.
Olha a escalação completa da festa:
SEXTA
01:45 MUGO (GO) www.myspace.com/mugobr
01:00 JOHNNY SUXXX ‘N FUCKING BOYS (GO) www.myspace.com/johnnysuxxx
12:15 DFC (DF) www.myspace.com/dfc
23:30 DYNAHEAD (DF)

