A partida da morte - o time que preferiu morrer a perder.
A equipe de futebol que preferiu morrer a perder
Recebi o texto abaixo da minha sócia, Maria Célia Franklin, e fiquei alguns minutos olhando pra tela depois que terminei de ler. Impressionante. Em tempos onde o futebol é motivo para brigas, mortes estúpidas, jogadores canastrões mercenários, conchavos, tretas, juízes vendendo resultados, cartolas canalhas e lavagem de dinheiro… em tempos como esse é muito bom ler algo sobre futebol que nos deixa com orgulho de ser humano. Maria Célia, grato pelo presente!
“A história do futebol mundial inclui milhares de episódios emocionantes e comovedores, mas seguramente nenhum seja tão terrível como o protagonizado pelos jogadores do Dinamo de Kiev nos anos 40. Os jogadores jogaram um partida sabendo que se ganhassem seriam assassinados e, no entanto, decidiram ganhar. Na morte deram uma lição de coragem, de vida e honra, que não encontra, por seu dramatismo, outro caso similar no mundo.
Para compreender sua decisão, é necessário conhecer como chegaram a jogar aquela decisiva partida, e por que um simples encontro de futebol apresentou para eles o momento crucial de suas vidas.
Tudo começou em 19 de setembro de 1941, quando a cidade de Kiev (capital ucraniana) foi ocupada pelo exército nazista, e os homens de Hitler aplicaram um regime de castigo impiedoso e arrasaram com tudo. A cidade converteu-se num inferno controlado pelos nazistas, e durante os meses seguintes chegaram centenas de prisioneiros de guerra, que não tinham permissão para trabalhar nem viver nas casas, assim todos vagavam pelas ruas na mais absoluta indigência. Entre aqueles soldados doentes e desnutridos, estava Nikolai Trusevich, que tinha sido goleiro do Dinamo.
Josef Kordik, um padeiro alemão a quem os nazistas não perseguiam, precisamente por sua origem, era torcedor fanático do Dinamo. Num dia caminhava pela rua quando, surpreso, olhou um mendigo e de imediato se deu conta de que era seu ídolo: o gigante Trusevich.
Ainda que fosse ilegal, mediante artimanhas, o comerciante alemão enganou aos nazistas e contratou o goleiro para que trabalhasse em sua padaria. Sua ânsia por ajudá-lo foi valorizado pelo goleiro, que agradecia a possibilidade de se alimentar e dormir debaixo de um teto. Ao mesmo tempo, Kordik emocionava-se por ter feito amizade com a estrela de sua equipe.
Na convivência, as conversas sempre giravam em torno do futebol e do Dinamo, até que o padeiro teve uma idéia genial: encomendou a Trusevich que em lugar de trabalhar como ele, amassando pães, se dedicasse a buscar o resto de seus colegas. Não só continuaria lhe pagando, senão que juntos podiam salvar os outros jogadores.
O arqueiro percorreu o que restara da cidade devastada dia e noite, e entre feridos e mendigos foi descobrindo, um a um, a seus amigos do Dinamo. Kordik deu trabalho a todos, se esforçando para que ninguém descobrisse a manobra. Trusevich encontrou também alguns rivais do campeonato russo, três jogadores da Lokomotiv, e também os resgatou. Em poucas semanas, a padaria escondia entre seus empregados uma equipe completa.
Reunidos pelo padeiro, os jogadores não demoraram em dar o seguinte passo, e decidiram, alentados por seu protetor, voltar a jogar. Era, além de escapar dos nazistas, a única que bem sabiam fazer. Muitos tinham perdido suas famílias nas mãos do exército de Hitler, e o futebol era a última sombra mantida de suas vidas anteriores.
Como o Dinamo estava enclausurado e proibido, deram um novo nome para aquela equipe. Assim nasceu o FC Start, que através de contatos alemães começou a desafiar a equipes de soldados inimigos e seleções formadas no III Reich.
Em sete de junho de 1942, jogaram sua primeira partida. Apesar de estarem famintos e cansados por terem trabalhado toda a noite, venceram por 7 a 2. Seu seguinte rival foi a equipe de uma guarnição húngara, ganharam de 6 a 2. Depois meteram 11 gols numa equipa romena. A coisa ficou séria quando em 17 de julho enfrentaram uma equipe do exército alemão e golearam por 6 a 2. Muitos nazistas começaram a ficar chateados pela crescente fama do grupo de empregados da padaria e buscaram uma equipe melhor para ganhar deles. Trouxeram da Hungria o MSG com a missão de derrotá-los, mas o FC Start goleou mais uma vez por 5 a 1, e mais tarde, ganhou de 3 a 2 na revanche.
Em seis de agosto, convencidos de sua superioridade, os alemães prepararam uma equipe com membros da Luftwaffe, o Flakelf, que era uma grande time, utilizado como instrumento de propaganda de Hitler. Os nazistas tinham resolvido buscar o melhor rival possível para acabar com o FC Start, que já gozava de enorme popularidade entre o sofrido povo refém dos nazistas. A surpresa foi grande, porque apesar da violência e falta de esportividade dos alemães, o Start venceu por 5 a 1.
Depois dessa escandalosa queda do time de Hitler, os alemães descobriram a manobra do padeiro. Assim, de Berlim chegou uma ordem de acabar com todos eles, inclusive com o padeiro, mas os hierarcas nazistas locais não se contentaram com isso. Não queriam que a última imagem dos russos fosse uma vitória, porque acreditavam que se fossem simplesmente assassinados não fariam nada mais que perpetuar a derrota alemã.
A superioridade da raça ariana, em particular no esporte, era uma obsessão para Hitler e os altos comandos. Por essa razão, antes de fuzilá-los, queriam derrotar o time em um jogo.
Com um clima tremendo de pressão e ameaças por todas as partes, anunciou-se a revanche para 9 de agosto, no repleto estádio Zenit. Antes do jogo, um oficial da SS entrou no vestiário e disse em russo:
- “Vou ser o juiz do jogo, respeitem as regras e saúdem com o braço levantado”, exigindo que eles fizessem a saudação nazista.
Já no campo, os jogadores do Start (camisa vermelha e calção branco) levantaram o braço, mas no momento da saudação, levaram a mão ao peito e no lugar de dizer: - “Heil Hitler!”, gritaram - “Fizculthura!”, uma expressão soviética que proclamava a cultura física.
Os alemães (camisa branca e calção negro) marcaram o primeiro gol, mas o Start chegou ao intervalo do segundo tempo ganhando por 2 a 1.
Receberam novas visitas ao vestiário, desta vez com armas e advertências claras e concretas:
- “Se vocês ganharem, não sai ninguém vivo”. Ameaçou um outro oficial da SS. Os jogadores ficaram com muito medo e até propuseram-se a não voltar para o segundo tempo. Mas pensaram em suas famílias, nos crimes que foram cometidos, na gente sofrida que nas arquibancadas gritava desesperadamente por eles e decidiram, sim, jogar.
Deram um verdadeiro baile nos nazistas. E no final da partida, quando ganhavam por 5 a 3, o atacante Klimenko ficou cara a cara com o arqueiro alemão. Deu lhe um drible deixando o coitado estatelado no chão e ao ficar em frente a trave, quando todos esperavam o gol, deu meia volta e chutou a bola para o centro do campo. Foi um gesto de desprezo, de deboche, de superioridade total. O estádio veio abaixo.
Como toda Kiev poderia a vir falar da façanha, os nazistas deixaram que saíssem do campo como se nada tivesse ocorrido. Inclusive o Start jogou dias depois e goleou o Rukh por 8 a 0. Mas o final já estava traçado: depois dessa última partida, a Gestapo visitou a padaria.
O primeiro a morrer torturado em frente a todos os outros foi Kordik, o padeiro. Os demais presos foram enviados para os campos de concentração de Siretz. Ali mataram brutalmente a Kuzmenko, Klimenko e o arqueiro Trusevich, que morreu vestido com a camiseta do FC Start. Goncharenko e Sviridovsky, que não estavam na padaria naquele dia, foram os únicos que sobreviveram, escondidos, até a libertação de Kiev em novembro de 1943. O resto da equipe foi torturada até a morte.
Ainda hoje, os possuidores de entradas daquela partida têm direito a um assento gratuito no estádio do Dinamo de Kiev. Nas escadarias do clube, custodiado em forma permanente, conserva-se atualmente um monumento que saúda e recorda àqueles heróis do FC Start, os indomáveis prisioneiros de guerra do Exército Vermelho aos quais ninguém pôde derrotar durante uma dezena de históricas partidas, entre 1941 e 1942.
Foram todos mortos entre torturas e fuzilamentos, mas há uma lembrança, uma fotografia (que ilustra esse post) que, para os torcedores do Dinamo, vale mais que todas as jóias em conjunto do Kremlin. Ali figuram os nomes dos jogadores. Abaixo a única foto que se conserva da heróica equipe do Dinamo e o nome de seus jogadores.
Na Ucrânia, os jogadores do FC Start hoje são heróis da pátria e seu exemplo de coragem é ensinado nos colégios. No estádio Zenit uma placa diz “Aos jogadores que morreram com a cabeça levantada ante o invasor nazista”.
Esta é a história da dramática “Partida da Morte”. O cineasta John Huston inspirou-se neste fato real para rodar seu filme “Fuga para a vitória” (Escape to Victory) de 1982 que chamou muita atenção à época do lançamento porque dele participaram grandes nomes do cinema como Michael Caine, Sylvester Stallone e Max Von Sydow, mas muito mais pela participação de algumas estrelas do futebol, como Bobby Moore, Osvaldo Ardiles, Kazimierz Deyna e Pelé. No filme John Huston fez o que não pôde o destino: salvar os heróis.”
Há braços!
Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
Ô azar danado, sêo…
Então você vai para a praia com sua família, curtir um veranito de buenas, tira fotos para nunca se esquecer daqueles momentos mágicos e toda essa pataquada sentimentalóide que nós não escapamos, e numa foto dessas dá o azar de pegar uma criatura num momento de coçada tão íntima.
Ô azar danado, sêo…
Tudo diferente, mas algumas coisas são as mesmas.
Sim, minha vida não é mais a mesma. Meu silêncio é sintoma disso, porque não estava conseguindo tempo para atualizar nenhuma coluna, nenhum blog, nada, e tudo por causa dos meus tubarões. Correira doida, busca frenética por grana, clientes e trabalho, então o prazer de escrever teve que esperar.
E nesse “esperar” eu pude perceber que algumas coisas mudaram mais que outras. Muita gente sabe da minha relação com o rock independente, desde os pequenos shows em botecos fuleiros de GoiâniaTown lá pelos idos de 85, os primeiros shows de bandas nacionais e o meu afastamento. Não que eu tenha me afastado, mas houve uma época de quietude e eu estava entrando na faculdade, empolgando no teatro e fui deixando de lado a coisa do rock na cidade. Na real eu nem sabia que muita coisa estava acontecendo, tamanho o distanciamento que existiu. E a principal razão nem foi o teatro, mas uma coisa mais trivial: o sexo! O rock nos anos 80 era prioritariamente frequentado por homens e mulheres feias pra diabo, sejamos honestos. Não estou dizendo que todas as mulheres que iam aos shows (todas as 08 ou 09) eram feias, mas a grande maioria delas não era nada apetecível e não dava moral pro moleque magrelo que eu era. Hummm… pensando bem agora talvez elas não fossem tão feias, eu que devia ter despeito porque nenhuma delas queria se embolar comigo. Faz mais sentido pensar assim.
Mas enfim, na faculdade e no teatro eu descobri que havia uma infinidade de pessoas querendo transar no mundo, e muitas dessas pessoas queriam - incrível! - transar comigo. Não foi difícil esquecer o resto do mundo nessa hora, porque sexo era - e ainda é - a principal razão de uma existência, na minha opinião.
Enfim, quando voltei ao rock da cidade foi pelas mãos do meu sobrinho que já vinha acompanhando o que acontecia a algum tempo. Fomos ao RockInRio, fomos a vários shows na cidade e eu fui reabrindo meus olhos. Meus inimigos também me levaram de volta, gente como o Guga Valente, que me mostrou que GoiâniaTown estava no epicentro de um sacode geral no rock independentel. E nessa eu tomei gosto de novo pela coisa, já que sexo não era um motivo de preocupação pra mim, já que eu nessa época já estava casado. E os cínicos sempre dizem que esse é um bom motivo para casamento: sexo à vontade. Bom, talvez não tão à vontade quanto imaginava minha cabeça adolescida, mas sem dúvida muito mais em quantidade e muitíssimo mais em qualidade do que eu tinha quando solteiro.
A volta pro rock foi muito bem sucedida, já que disso surgiu o SANGUE SECO. Mas o tempo passou e eu vivenciei mais uma mudança grande na vida: filho. Ou melhor, filhoS, já que eu tenho dois tubarõezinhos em casa. E aí mudou mesmo, porque fica muito difícil sair de casa à noite para ir aos rocks e deixar duas crianças em casa, o que seria crueldade ou no mínimo muita sacanagem com a mãe dos guris, minha mulher. Eles acordam, sentem fome, choram, berram, gritam, urram, alguns dias mais que outros, mas enfim as saídas noturnas escassearam muitíssimo.
E aí agora que os guris estão quase com um ano de idade (passa voando, né?) eu vejo que algo aconteceu com a minha empolgação com o rock independente. Esfriou. Ainda sinto um tesão danado em ensaiar e fazer show com a banda, escrever letras, encontrar os outros SANGUES, mas no restante das outras situações do rock, esfriou. Não sinto mais tanta vontade de ir a um show como sentia antes, pois agora prefiro ficar com uma caneca cheia de sorvete em casa, vendo TV e vigiando o sono dos infantes. E não é pela obrigação paterna, mas por prazer mesmo. E por achar que os rocks estão do mesmo jeito.
Isso se confirma quando se visita uma comunidade orkutista chamada GoiâniaRockCity. Local virtual onde se reúnem reclamões, chorões, chatos de galocha e alguns gente boa, mas muito poucos mesmo. Um lugar próspero em gente que gosta de ficar jogando pedra nas realizações dos outros e lamentar as trapalhadas próprias. Gente que tem prazer em se mostrar “crítico” quando na verdade é só ranheta.
Então algumas coisas podem ter mudado muito, e minha vida é prova disso; mas algumas outras coisas permanecem a mesmíssima trôlha. Agora em novembro teremos o Goiânia Noise Festival (que depois eu comento aqui) e já começaram as lágrimas, os rangeres de dente e as rusgas. Aparentemente algumas pessoas crescem (por mais besta que isso seja, e não digo que tenha acontecido comigo, deixo claro) e outras não, por opção ou incapacidade, não sei.
Enfim, agora que o final de ano está chegando, o mercado está mais organizado e generoso para meu trabalho, as conquistas são mais palpáveis e o tempo começa a sobrar um pouquinho, eu vou tentar voltar a escrever. Gosto disso, e por increça que parível algumas pessoas gostam de ler. Então eu persevero.
Nos vemos por aqui, pela Dynamite e algum outro lugar.
Há braços!
Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
Rock da Luz Vermelha
YGLO E WOOLLOONGABBAS!!!!
Fósforo Cultural e Esconderijo bar apresenta:
ROCK DA LUZ VERMELHA
COM AS BANDAS:
YGLO E WOOLLOONGABBAS
Dia 15 de maio (quinta-feira) a partir das 21 horas
Entrada: R$ 3,00
O Esconderijo Bar fica na T-5 no Vaca Brava embaixo do Subway.
A casa vende cerveja Skol de garrafa a R$ 3,40 e outras a R$ 3,20.
Várias bebidas de dose no cardápio.
É permitido fumar dentro da casa.
ROCK PELO ROCK!!!




