[contos inimigos] Eu me lembro.
Já estávamos cercados há três dias. Exatamente três dias e três noites sob fogo cerrado, chuva e desespero. Minha divisão ainda contava com aproximadamente 40 homens, mas com cada vez menos comida, menos esperança e munição. A água que bebíamos era a que vinha na chuva, e os cantis sujos ou capacetes suados que usávamos para coletar a água só aumentavam nossa situação lamentável, com o tanto de germes, vírus e bactérias que a situação podia gerar. A comida estragava, a pouca comida que ainda tínhamos e além da malária vinda com a água, a insolação dos inúmeros dias de marcha, agora também lidávamos com o botulismo da alimentação podre que nos restara.
Problemas de comunicação nos trouxeram até aquela posição vulnerável, nos fazendo entrar em território sitiado sem nos apercebermos disso. E o inimigo foi frio e cruel o suficiente para permitir nossa marcha por quase um dia inteiro, incomunicáveis, antes de nos apresentar a primeira saraivada de balas. Estávamos cercados, tínhamos entrado muito no território inimigo e pra piorar não conhecíamos a região, o que nos levou a entrar num vale muito largo e profundo.
Eles se encontravam numa posição superior, nos altos das ravinas, e nós éramos presas fáceis, sem poder avançar nem recuar, nos tornamos um amontoado de desesperados no meio de um campo de tiro. Éramos alvos.
Ler mais
Compare Preços de: games, PS2, PS3, Nintendo, Wii, iPod no JáCotei.
