Entra ano, sai ano… o mesmo chororô

Bananada 2008

Começaram a ser divulgadas as bandas que vão tocar no Bananada 2008. Para quem não conhece é um dos maiores festivais de rock independente da cidade de Goiânia, por muitos chamada GoiâniaRockCity, por mim apelidada GoiâniaTown. Todo ano temos esses dois momentos de suspense no rock independente da região, o anúncio das bandas que vão tocar no Bananada e no final do ano o anúncio das bandas que vão tocar no Goiânia Noise Festival.

O Bananildo vem tomando nos últimos anos uma cara mais bairrista (num ótimo sentido), colocando as bandas locais como headliners e atrações principais, buscando divulgar ainda mais nossas bandas e mostrar que “Yes”, nós temos rock de qualidade! Mas mesmo assim todo ano tem a canseira dos choros e reclamações daquelas bandas que não entram na escalação. E veja bem, por “choros e reclamações” não estou dizendo que isso é errado, até porque quem quer tocar tem que procurar espaço e brigar por oportunidades, muitas vezes pedindo para os produtores uma chance. Normal. Se a chance não vem, todo mundo tem direito de reclamar, mas que é uma chatice sem tamanho, isso é.

Esse ano a lista das bandas locais saiu, e no mesmo dia já começamos a ter as reclamações, cobranças e queixas. Como já disse, algumas muito justas, outras bem chatinhas e normais porque todo ano é a mesma lenga-lenga.

E nesse ano tivemos algumas surpresas bem bacanudas. A melhor delas? A volta do Mandatory Suicide, banda fudidaça das antigas aqui da cidade que jazia insepulta em nossas mentes saudosas. Pois conseguiram reativar a circulação e os caras estão de volta (ainda não sei a formação atual, portanto não falo nada sobre dinos´n stuff) já deixando muita gente com a boca cheia d’água por um showzaço, que eles sempre souberam fazer muito bem.

E algumas outras coisas diferentes como o InBleeding dos meus manos Alan e Luiz, com CD novo impressionante pela qualidade, peso e elaboração, tem também o Mugo que vem provocando muita euforia em meios internéticos, além da “Banda da Eline” (que ainda parece não ter nome, mas nem precisa mais) que só de ter a Eline capitaneando o combo já merece a atenção e o espaço. Da nova geração a boa nova é o Sweet Racers do incansável moleque velho Luti. Para quem gostava de Hang The Superstars essa é uma excelente pedida, porque tem o mesmo estilão. Luti nunca escondeu seu prazer com o HTS e agora conseguiu uma banda que vai junto aonde ele sempre quis ir. Pelamordedeus, cuidado se forem tocar algum cover, porque até hoje me lembro do Hendrix massacrado no Cererê. Impagável!

Necropsy Room traz peso e destruição para o festival, me lembro de um show em Palmas que eu vi desses caras. Impressionante pela qualidade e pelo profissionalismo, mesmo que existam tretas pessoais com alguns caras da bandas, como eu não conheço ninguém não posso elogiar nem descer o malho em sujeito nenhum individualmente, mas a banda é poderosa e merece o espaço. Merece até mais.

Joãozinho Chupeta, os Bebês Tiroteio, Mamãe Peixe, os Giz De Cera Pretos são casos de bandas que ainda não se tornaram mainstream no independente goiano, mas que tem espaço de sobra pela competência, carisma e currículo (CCC, gostou?). Algumas novidades não tão novas como Seven, Shakemakers (nada nova mesmo! Só tem Dino no troço!), Diego de Moraes e os ex-envyheartsAtuais Backbitters são bandas muito boas que sempre fazem excelentes shows e que tem público, um dado importante para conquistar o espaço no festival.

E aí vem algumas bandas que tem presença mais presente nos festivais monstruosos, casos de MQN, Mechanics e Violins. Mas como negar que o espaço é merecidamente deles? Primeiramente porque duas dessas bandas são de donos do festival, e isso já legitima a posição deles, sem sobra de dúvida. Mas alguém pode negar que os shows do melhorquenada e dos mecânicos são shows excelentes, incendiários e inesquecíveis? Tudo bem que o MQN no último Noise foi meia-boca, eu também achei, mas até Zico já errou pênalti em copa do mundo, quem não erra de vez em quando, caramba? Eles são os donos da bola e as bandas são fantásticas, o espaço tá dado. O caso do Violins é o mais inquestionável de todos e o mais engraçado é que o principal argumento de reclamação é justamente o principal motivo para estarem presentes. O povo reclamão fala “o Violins toca todo ano desde mil novecentos e bolinha”, e é verdade. Desde que eram violins and old books esses caras estão presentes nos shows monstríficos, e isso já prova a necessidade deles estarem presentes: eles continuam! A banda ainda existe! Quantas bandas maravilhosas já passaram pelos palcos dos festivais que só residem hoje na nossa saudade? O Violins continua trabalhando e trabalhando muito, mal lançaram um CD fantástico, provocando terremotos com suas letras agressivas e “preconceituosas” (está entre aspas, que fique claro!) e já vem com outro CD que já está sendo incensado e elogiado. Os caras não param de parir música e sempre músicas boas, shows bons, profissionais e com muuuuuuuuuuuito público. Quem seria tapado de não colocar essa banda em um festival, pelamordedeus?

Existem bandas que mereciam estar no festival e que não foram chamadas? Claro que sim, e me lembro de cabeça aqui de duas: Yglo e Wolloonnggaabbaass (que por sinal vão fazer show juntos no Esconderijo Bar dia 15 de maio com entrada custando módicas $3 lascas!). Como disse uma vez eu não gostei da primeira vez que vi a Yglo, mas vencida essa minha resistência inicial (sim, admito minha preguiça) o que resta é uma banda batalhadora pra caralho, que vem fazendo shows em tudo quanto é canto desse país e que tem um CD super elogiado (que eu ainda não ouvi, reconheço) e que já fez por merecer mais espaço na cidade. E os Walla-boys fazem um dos shows mais divertidos da terrinha, com birita, rock, canalhice e diversão em altas octonagens. Mas esse ano não deu pra eles; é justo? Não sei, mas sei que o mundo não é justo mesmo, então foda-se. Pelo menos essas duas agremiações estão fazendo sua parte e abrindo espaços para shows, fazendo shows profissas, gravando material e buscando seu lugar. Dá suor? Não, velho, dá sangue, mas compensa porque esse povo abre o espaço na marra, dando cabeçada e chute nos grãos, e esse espaço é mais gostoso de ser aproveitado.

No dia que saiu a lista recebi alguns emails perguntando se o SANGUE SECO ia tocar no festival, e na real não vamos mesmo. Tocamos nos dois últimos Bananíssimos e sempre foram shows excelentes (pelo menos para nós, né?) e tocamos no último Goiânia Noise, esse sim um show inesquecível em nossas vidas. Esse ano estamos sumidos, parados, todos trabalhando muito para ganhar grana e sustentar nossas obrigações, recebemos o não-chamado com uma tranqüilidade de Buda. Sem crises, logo voltaremos a mostrar serviço e merecer o espaço.

Agora o que tem de banda ruim reclamando é comédia. E cito de saída o Corja. Todo mundo sabe das minhas diferenças com o Segundo, não é segredo pra ninguém que a gente se detesta, mas isso não tem nada a ver com minha opinião da banda. Uma vez ouvi o Cd deles lá na casa do Mestre Gustavo, e entre uma xícara quente e outra eu devo admitir que achei o cd muito bom. Tirando o discurso panfletário que eu já acho adolescente hoje em dia, o som ficou bom mesmo. Mas eu vi uma vez o show da banda e detestei, mas detestei “di cum força” mesmo. Não sei se mudou alguma coisa de lá pra cá, mas não vejo motivo nenhum pra colocar a banda no festival, o que mostra que algumas reclamações são só chatas mesmo.

Existem ainda aqueles que reclamam das novas bandas HC da cidade, caso de Atomic Winter e Critical Strike, mas eu não ouvi nenhuma das duas e não posso falar nada. Sei que os componentes da primeira são de altíssima qualidade, o que deve dar cacife pra banda, mas como não conheço eu me calo. Não sei se mereciam a chance, ainda preciso fazer o dever de casa, mas os caras são novos, tem muito tempo ainda pela frente e se continuarem nesse rala certamente vão conseguir lugar. O Heitor tá mostrando serviço organizando shows e segundo os comentários gerais vem fazendo um trabalho garboso, mas isso é fácil quando se é inteligente e articulado como esse moleque.

No final o que sobra é que o festival tá chegando, as bandas que se preparem para arrebentar porque a vitrine é grande e para quem corre e se mexe, dá muito resultado.

Reclamar, chorar, cobrar, isso não adianta nada, me lembra jogador de futebol depois que é expulso querer reclamar com o juiz. Não adianta nada, mas dá pressão para uma próxima jogada, talvez seja isso que as bandas tentem, pressionar e mostrar a cara para uma próxima escalação. Se for isso, tá valendo.

Se bem que no jogo do Bahia e Vitória (foi esse mesmo?) desse fim de semana um jogador foi expulso e depois foi des-expulso quando o juiz viu que ele ainda não tinha recebido o primeiro cartão amarelo. Então talvez alguma banda consiga isso pressionando o juiz, ser des-não-escalada.

Como diz o cara do humorístico; “vai que cola?”

Há braços!

Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei

Projeto Brasil Central Music

Já que foi citado na matéria abaixo o Projeto Brasil Central Music segue uma matéria do programa TramaVirtual sobre este projeto com as bandas MQN, Johnny Suxxx n’ The fucking Boys, Abluesados, Roberto Correa, Cláudia Vieira, Juraíldes da Cruz, Violins, Sapatos Bicolores, Control Z, Móveis Coloniais de Acaju…